Componente da carne vermelha pode favorecer doenças cardíacas

Estudo relaciona carnitina e alteração da flora intestinal a aumento do risco de infarto e AVC

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 10/04/2013

Não é de hoje que o consumo em excesso da carne vermelha é apontado como vilão da saúde cardiovascular, afinal o alimento é famoso por ser fonte de gorduras e colesterol. Agora, pesquisadores da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, descobriram mais um motivo para reduzir o consumo de carne na semana. Eles comprovaram que a carnitina, um componente encontrado na carne vermelha, que também é adicionado artificialmente a bebidas energéticas, pode causar endurecimento e entupimento das artérias, processo conhecido como aterosclerose, e que é fator de risco para doenças do coração. O estudo foi divulgado no periódico Nature Medicine no dia 8 de abril.

Os pesquisadores avaliaram 2.600 pacientes que seriam submetidos a exames cardíacos. Aqueles que apresentaram níveis consistentemente altos de carnitina estavam expostos a um risco maior de doença do coração, infarto, AVC e morte por causa cardíaca.

O dano acontece depois que as bactérias do sistema digestivo convertem o composto em uma substância chamada de N-óxido de trimetilamina (TMAO), que, segundo pesquisas anteriores realizadas pelo mesmo grupo, está relacionada ao desenvolvimento de aterosclerose.

Os responsáveis pelo estudo também detectaram que uma dieta rica em carnitina muda a composição microbiana do intestino, tornando consumidores de carne ainda mais suscetíveis à formação de TMAO e seus efeitos relacionados à aterosclerose. De acordo com os pesquisadores, dietas inadequadas aumentam a habilidade do colesterol em se depositar nas artérias e interferem na habilidade do corpo em eliminar o excesso de colesterol. Ou seja, não é apenas o consumo de alimentos ricos em gordura, grande responsável pelo entupimento dos vasos, que predispõe a aterosclerose, a alteração da flora intestinal pelo consumo excessivo de carne vermelha também tem efeito prejudicial.

Durante o estudo, também foram avaliadas pessoas que não consumiam carne vermelha. Foram encontrados níveis menores de carnitina entre vegetarianos e veganos - que não consomem qualquer produto de origem animal, incluindo ovos - em comparação com pessoas que passam por dieta restritiva. Mesmo após consumirem uma grande quantidade de carnitina, veganos e vegetarianos não produziram níveis significantes de TMAO.

Proteja a saúde do coração

Manter hábitos saudáveis é fundamental para blindar a saúde do coração. O Ministério da Saúde estima que 31,5% dos óbitos no Brasil são provocados por doenças cardiovasculares, tornando-se a primeira causa de morte entre a população brasileira. A doença mata por ano, 7.6 milhões de pessoas no mundo todo, devido às suas complicações como AVC, infarto, entre outras. A seguir, confira 12 maneiras de proteger esse órgão vital.

Sono reparador

Estudos recentes apontam que cerca de 40% dos indivíduos hipertensos sofrem também de apneia obstrutiva do sono, alertando para uma relação entre as doenças. A apneia atinge aproximadamente sete em cada 100 pessoas e a incidência é maior no sexo masculino. Estima-se que 24% dos homens de meia-idade e 9% das mulheres são afetados pela apneia. A doença caracteriza-se pelo ronco que segue em um mesmo ritmo, vai ficando mais alto e, de repente, é interrompido por um período de silêncio. Neste momento, a pessoa fica totalmente sem respiração, mas, logo o ronco volta ao ritmo inicial. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Artur Beltrame Ribeiro, quem sofre de apneia do sono apresenta mais variabilidade da pressão e o aumento está ligado à lesão dos órgãos-alvo, como coração, cérebro e rins. Além disso, uma noite bem dormida tem a ver com viver mais, de acordo com um estudo da Universidade de Warwick e da Universidade Federico II, na Itália. De acordo com os pesquisadores, quem dorme menos de seis horas ou mais de oito ao dia tem 12% a mais de chance de morrer. Com a qualidade do sono prejudicado, crescem os ricos de acidentes, por conta da sonolência, e de ataques cardíacos em função do estresse.