Métodos para reduzir a vontade por doces. Eles funcionam?

Especialistas comentam técnicas como balas, fitoterápicos e chás

POR NATALIA DO VALE PUBLICADO EM 25/02/2010

Tem quem não sinta aquela sensação de prazer depois de comer um suculento brigadeiro? E a felicidade que sentimos depois de devorar a sobremesa logo depois do almoço? Difícil não é?

O fato é que embora a vontade de comer doces seja normal e até saudável em todos nós, em algumas pessoas, ela se apresenta mais constante e até de forma incontrolável, fazendo com que os ataques à geladeira e o consumo de açúcar comprometam a dieta e a saúde, favorecendo o desenvolvimento de doenças como a obesidade e o diabetes.

Mas, será que é possível segurar o desejo pelo açúcar? O cardápio pode ajudar nesta missão? O MinhaVida consultou um time de especialistas para esclarecer as dúvidas sobre o assunto: a psicóloga Patricia Spada, a nutricionista do Centro de Diabetes da Unifesp, Paula Cristina da Costa, e os fitoterapeutas Maurício Pupo e Marcia Telles. 

Por que a vontade de comer doces é mais forte em algumas pessoas do que em outras?

Comer doce
Comer doce

A vontade de comer doces está diretamente ligada ao aumento da produção de serotonina, um hormônio neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. Quando estamos tristes ou os níveis deste hormônio estão em baixa em nosso organismo, sentimos vontade de comer alimentos doces:

"É por que açúcar estimula a produção de serotonina no organismo, por isso comemos mais guloseimas quando estamos tristes", explica Patrícia Spada. "O organismo de uma pessoa que tem mais dificuldade de lidar com as emoções sofre mais alterações nas taxas de liberação de serotonina, o que faz com que seu organismo sinta maior necessidade de repor as doses do hormônio, daí o fato de algumas pessoas sentirem mais vontade de comer doces do que outras", diz a psicóloga. 

Bala de colágeno controla a compulsão por doce?

Rica em proteína, a bala também tem em sua composição o triptofano, um aminoácido precursor da serotonina. As substâncias da bala também têm o poder de fazer com que o corpo produza um hormônio chamado PYY, que manda uma mensagem ao cérebro, dando a sensação de saciedade, podendo ajudar a controlar a gula por doces.

"Ela ajuda a regular os neurotransmissores responsáveis pela vontade de comer doces", explica a fitoterapeuta Marcia Telles. "Porém, seu consumo deve ser receitado por um especialista". 

A garcínia diminui a vontade por doces?

Esta planta carrega doses de uma substância chamada de ácido hidroxicitrato (AHC), considerado um redutor natural de apetite (semelhante ao ácido encontrado no limão e na laranja).

"Ele controla a vontade de comer doces ao promover uma maior síntese de glicogênio, ou seja, quando as reservas de glicogênio estão altas, os receptores do açúcar no fígado são estimulados e enviam um sinal de saciedade ao cérebro", explica Marcia Telles.

Por outro lado, o AHC também tem a capacidade de estimular a liberação da serotonina, que desperta dá a mesma sensação de prazer que o doce nos proporciona. A garcínia pode ser consumida em forma de chá ou cápsulas. 

Gotas de cacau funciona para reduzir a vontade por doces?

Fitoterápicos
Fitoterápicos

O produto, que se assemelha a gotinhas de chocolate, promete reduzir a compulsão por doces e gorduras. É composto por 50% de cacau orgânico, por Cromo, mineral que equilibra os níveis de açúcar no sangue, evitando os picos de fome, e por cafeína, um estimulante que ativa o metabolismo.

"Ele não tem açúcar na sua composição, podendo ser usado por diabéticos, desde que seja prescrito pelo endocrinologista", afirma o fitoterapeuta Maurício Pupo, responsável pelo desenvolvimento do produto. "O ideal é consumir apenas três unidades, por dia, na hora da gula". Por enquanto, é encontrado apenas nas farmácias de manipulação. O custo da caixa com 60 unidades é de R$ 80, em média. 

Dieta do bem!

A nutricionista da Unifesp Paula Cristina da Costa explica que existem alimentos que ajudam a diminuir a vontade de comer doces e diminuem a ansiedade, já que possuem propriedades que agem nos níveis de açúcar do sangue e são ricos em substâncias como o triptofano, que agem na produção de hormônios como a serotonina, responsável pela sensação de prazer que os doces causam, por isso devemos incluí-los em nossas refeições.

São eles: aveia, banana, maçã, canela, grãos em geral, castanha do Pará. " É preciso cuidado com os excessos de doce no organismo, pois, uma vez desregulado seu processamento, torna-se difícil ajustá-lo na mesma medida de novo. Doenças como diabetes, hipertensão, colesterol, e principalmente a obesidade estão diretamente ligadas ao consumo de doces?, explica a nutricionista Paula Cristina da Costa, da Unifesp. 

Dicas para diminuir a vontade por doces

1) Você já tentou identificar quais as situações que a (o) levam a comer doces? "Pense honestamente e tente agir contra a causa", diz a psicóloga Patricia Spada.

2) Quais são os seus doces preferidos? São sempre os mesmos ou você "elege" alguns de acordo com a fase em que está? "Preste atenção nisso, pois variar o gosto de acordo com a época é mais um indício de que você está se deixando levar por algum outro problema emocional que culmina na gula por doces", diz a psicóloga.

3) Se você é mulher, percebe que no período pré-menstrual este desejo aumenta? "Se sim, peça ajuda a seu ginecologista ou a um endocrinologista de confiança. Geralmente as mulheres sofrem mais nesta fase em função das alterações naturais de hormônio", explica Patrícia Spada.  

Comer doce
Comer doce

4) Você come quando está nervoso (a) ou se sentindo sozinho (a)? "Cuidado, isso pode virar um vício. Que tal controlar a ansiedade e o nervosismo com alguma atividade física como ioga, por exemplo", sugere Patricia.

5) Vale lembrar que se não está conseguindo dar conta de se controlar, procure alguém da área de psicologia. Poderá ajudar bastante! 

Problemas causados pelo excesso de açúcar

Nada em excesso faz bem ao organismo, por isso é preciso moderação. Quando o assunto são os doces, a regra é a mesma, tanto sua falta quanto seu excesso trazem problemas, como:

-Diabetes

-Hipertensão

-Colesterol alto

-Obesidade 

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