Obesidade infantil passa longe com rotina de hábitos saudáveis

Refeições em família e prato rico em peixes e vegetais combatem a doença

POR MINHA VIDA - PUBLICADO EM 26/08/2010

Hábitos alimentares inadequados somados ao sedentarismo na infância são dois fatores que podem favorecer a obesidade infantil. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o número de crianças obesas tem aumentado cada vez mais. Enquanto nos anos 1980 apenas 3% das crianças eram obesas, hoje este número subiu para 15%. Além disso, estudos comprovam estreitas ligações da obesidade na criança e adolescente com doenças na vida adulta como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

"Para que uma criança desenvolva a obesidade, é necessário a combinação da expressão genética mais o ambiente - este último como fator determinante para o desencadeamento e manutenção do quadro", explica a psicóloga da Unifesp Patrícia Spada, autora do livro "Obesidade Infantil: Aspectos Emocionais e Vínculo Mãe e Filho". Sabemos que a melhor maneira de combater o problema é prevenindo. A melhor maneira é fazer a criança cultivar hábitos saudáveis desde cedo para ser um adulto saudável no futuro. Veja abaixo quais são eles: 

Alimentação infantil - Foto: Getty Images
Alimentação infantil

A família é o modelo

Toda a família deve adotar hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e prática de atividade física. "A medida mais importante de todas, e a mais difícil de ser aplicada, é que os pais sejam os modelos de mudança de hábitos o que inclui passar a fazer exercícios, modificar a forma, horário, lugar, qualidade e quantidade da alimentação, e mais que tudo, estarem atentos ao que sentem para que não recorram à comida, quando a solução para uma angústia ou problema não se encontra nela", esclarece Patrícia Spada.

Mas, além de ter o prato repleto de verduras e legumes, ter mais refeições em família pode ser o segredo para prevenir a obesidade infantil, de acordo com estudo feito pela Universidade Harokopio, na Grécia. Segundo os especialistas, a análise de mais de mil crianças mostrou que aquelas que comiam à mesa com os pais e consumiam mais vegetais eram mais saudáveis do que as crianças que não tinham esses hábitos alimentares.

O estudo recentemente publicado no Journal of Pediatrics contou com a análise de crianças com idades entre nove e treze anos. Assim, os pesquisadores puderam observar que as famílias que normalmente preparavam o almoço e o jantar - ao invés de investirem em lanches nessas refeições - eram mais propensas a terem maior ingestão de vegetais e de terem seus filhos à mesa durante as refeições. E esse padrão alimentar foi associado à crianças com um menor índice de massa corporal (medida do peso em relação à altura), menor circunferência da cintura e menos gordura corporal. De acordo com os pesquisadores, os hábitos de se ter refeições em família e de cozinhar pode significar que as crianças tenham maior adesão a uma dieta rica em vegetais, azeite de oliva, grãos integrais e peixes.  

Yakisoba Kids do restaurante Gendai - Foto: Getty Images
Yakisoba Kids do restaurante Gendai

Cardápio nutritivo

É fundamental investir no hábito das refeições pobres em gorduras e ricas em nutrientes. Comer peixes, carnes magras, saladas, legumes, verduras faz parte da educação alimentar. E por falar em peixe. Seu filho comeu peixe hoje? Ah, ele é apenas um bebê? De acordo com a Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, os pequenos também precisam de ácidos graxos como ômega 3, encontrados nos peixes, para o desenvolvimento do cérebro, nervos e olho, e a maioria não ingere quantidade suficiente dessa substância mesmo quando passa a se alimentar de alimentos sólidos.

"Além disso, as preferências alimentares das crianças são em grande parte desenvolvidas até os cinco anos de idade, então o ideal é que os pais ajudam seus filhos a desenvolver o gosto por peixes e frutos do mar desde a infância", diz a nutricionista coordenadora do estudo, Susan Brewer.

Os peixes, em especial o salmão, atum e a truta, são ricos em ácidos graxos ômega 3, como salmão, têm enormes benefícios para a saúde e ajudam a prevenir a doença arterial coronariana, mas a maioria dos adultos não come peixe duas vezes por semana, conforme os especialistas recomendam. "O ômega 3 é considerado uma gordura boa, protetora do coração, pois evita a formação das placas que obstruem as artérias, controla a pressão arterial, reduz o colesterol ruim (LDL) e combate os triglicerídeos, prevenindo assim, a ocorrência de problemas cardiovasculares", explica a nutricionista, Patrícia Bertolucci, da PB Consultoria em Nutrição, de São Paulo. 

Fast food - foto Getty Images
Fast food

Menos fast food Ela esperneia, grita, xinga e chora aos berros. Você nega e passa reto pela lanchonete, mas a criança continua a fazer escândalo, querendo alguma das guloseimas das cadeias de fast food. Acredite: se você deseja acabar com esse tipo de comportamento, a melhor reação é continuar negando. Um estudo publicado pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres aponta um efeito inusitado da ingestão infantil de lanches e sobremesas que escorrem calorias: a desobediência e a dificuldade de raciocínio entre os pequenos consumidores.

Os especialistas acompanharam a rotina de 14 mil crianças em idade escolar e identificaram que as habituadas a se alimentar com fast food são conhecidas pela indisciplina. A má alimentação também foi associada a dificuldades de aprendizado e concentração na escola.

E quanto mais cedo iniciado o consumo deste tipo de refeição, maiores os problemas: crianças que começaram a comer lanches aos 3 anos de idade, quando chegaram aos 10, tinham mais resistência a transformar s hábitos à mesa, incluindo mais opções saudáveis na dieta. O resultado isso é um comportamento cada vez mais rebelde, além do rendimento escolar insuficiente. Hambúrgueres, batatas-fritas, nuggets e refrigerantes estão entre as alternativas mais disputadas pelo público infantil. 

"Não é o caso de proibir completamente esses pratos, mas não faça deste consumo uma rotina"

"Não é o caso de proibir completamente esses pratos, mas não faça deste consumo uma rotina", afirma a nutricionista Roberta Stella. Também acho válido retardar ao máximo a inclusão desse tipo de alimento na dieta da criança. E vale lembrar que os filhos aprendem muito com os exemplos: se os pais não tomam refrigerantes, nem comem bobagem, as chances de a criança lembrar que eles existem e sentir vontade são bem menores .

Abaixo, a nutricionista dá dicas para driblar o paladar das crianças que insistem no fast food:

Batatas-fritas: experimente substituí-las pelas batatas sorriso assadas, em vez de fritas.

Nuggets:
evite, substituindo pelo próprio frango, grelhado. Mas, se a criança insistir, prepare no forno em vez de fritar.

Refrigerantes:
prepare sucos naturais, com a fruta preferida da criança, usando água gaseificada

Hambúrguer:
a carne bovina é uma opção saudável e fornece nutrientes indispensáveis ao organismo. O problema está, principalmente, nos condimentos e no excesso de gordura. Tente preparar lanches sem maionese, catchup e mostarda e inclua alguns vegetais, como tomate, alface, rúcula ou acelga. Não use óleo no preparo: se for o caso, ponha um pouquinho de água na frigideira. 

Lancheira - foto Getty Images
Lancheira

De olho na lancheira

Outro momento crítico é a alimentação realizada em ambiente escolar. "Famílias e escolas despreparadas expõem crianças e adolescentes a vários alimentos ricos em açúcar, gordura e sal, contribuindo para o excesso de peso", adverte a nutricionista Rose Patin. Mude os lanches do seu filho, usando sanduíches com peito de peru, ou presunto magro ou de aves, queijos magros e lights (muzzarela ou prato light). Acrescente suco de frutas ou a própria fruta aos lanches.

O tamanho do prato

A quantidade de alimentos oferecida na infância também pode ser determinante para o excesso de peso, com a oferta de alimentos de alta densidade energética, muitas vezes superior ao gasto energético.

Os erros alimentares encontrados nas crianças obesas repercutirão diretamente no consumo energético diário. "Dentre esses comportamentos, pode-se destacar alguns mais frequentes como: horários irregulares (longos intervalos entre as refeições ou vários beliscos durante o dia), repetição de refeições ou alimentos, mastigação pouco eficiente e rápida durante as refeições, qualidade e quantidade inadequada de alimentos levando ao desequilíbrio entre os macronutrientes e déficit dos micronutrientes", esclarece Rose Patin. 

Garotinha comendo legumes - foto Getty Images
Garotinha comendo legumes

Confira abaixo as dicas das nutricionistas Daniela Cyrulin e Alessandra Rascovski para tratar e prevenir a obesidade na infância:

- A criança deve comer cinco ou seis refeições (café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia) em locais apropriados e horários pré-estabelecidos;

- As guloseimas não devem ser proibidas, mas sim oferecidas em porções controladas, por exemplo, um pacotinho com três bolachas recheadas. Não se esqueça de não deixar as guloseimas ao alcance da criança;

- Evitar consumo excessivo de salgadinhos, frituras, refrigerantes, doces e guloseimas em geral, limitando o uso destes a 1x/semana no máximo;

- Sempre tenha em casa legumes, verduras, salada, frutas, iogurtes, cereais matinais e sucos naturais;

- Ajude as refeições fracionadas a virar rotina do seu filho, diminuindo assim o volume dos alimentos ingeridos nas refeições principais;  

Família almoçando - foto Getty Images
Família almoçando
  • Estimule o uso de saladas cruas. Para torná-la mais atrativa acrescente complementos como kani kama, atum ou queijos magros. Uma boa dica é montar pratos de saladas bem coloridos e variados, ou seja, que sejam atrativos para as crianças
  • Passe a usar mais produtos integrais, diminuindo a quantidade dos refinados
  • Substitua os refrigerantes por sucos naturais e não deixe que a ingestão de líquidos junto às refeições, seja maior que 250 ml
  • Procure não adoçar sucos, deixe que a criança crie o hábito em não precisar deste complemento nada saudável ao suco
  • Nunca use doces e guloseimas como recompensas
  • Evite que as refeições sejam feitas em frente à TV ou computador
  • Não insista que a criança raspe o prato, caso já esteja satisfeita e evite o hábito de repetir mais um pouquinho.
  • Elogie seu filho ao perceber que ele está levando a sério sua nova maneira de se alimentar. Também ofereça prêmios a cada nova conquista! (Mas o prêmio não pode estar ligado a alimentos)
  • Diminua gradativamente a quantidade de alimentos, se esse for o motivo do ganho de peso.
  • Se for comer em fast-foods (no máximo uma vez por semana), ajude seu filho a escolher opções saudáveis. Por exemplo, um suco de fruta no lugar do refrigerante. Ou comida japonesa em vez da pizza e do hambúrguer.
  • Leve a criança ao supermercado ou hortifruti para que desperte a vontade e escolha opções saudáveis de alimentos.
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