A alimentação, para as pessoas que têm enxaqueca, gera uma polêmica ainda maior porque é difícil provar que um sintoma subjetivo e que não pode ser aferido ou quantificado possa ser causado por um determinado alimento. Mesmo assim, crescemos ouvindo muitas histórias sobre alimentos que causam e que aliviam a dor de cabeça.
Um dos fatores mais importantes é que ficar sem comer ou fazer jejuns prolongados é pior do que os vários alimentos rotineiramente relacionados à dor. Logo, uma rotina alimentar de refeições e lanches é importante no tratamento da enxaqueca, muito mais do que a privação de certos alimentos, muitas vezes erroneamente relacionados à ela. Outro fator alimentar relacionado à enxaqueca é o consumo de bebidas alcoólicas. Entre elas, as bebidas fermentadas como a cerveja e o vinho, principalmente o tinto.
Finalmente, o fator mais complexo como causa de enxaqueca é a ingestão freqüente e intensa de cafeína, principalmente o café. Por se tratar de alimento de consumo diário e muitas vezes exagerado. Mas a cafeína é encontrada em muitos refrigerantes do tipo cola, chocolates e chás escuros, como o chá mate. Acredita-se que apenas
três cafés expressos por dia sejam suficientes para causar enxaqueca.
Vale lembrar que ao invés da ingestão o mais comum é a dor de privação, ou seja, quando um organismo, acostumado ao consumo diário de cafeína se vê privado da mesma. Muitas vezes, uma simples xícara de café é suficiente para o alívio da dor matinal em consumidores assíduos de café. Logo, algumas vezes, o café pode tratar a enxaqueca, como numa síndrome de abstinência de um viciado em cafeína. Por esse motivo, a presença de cafeína em muitos remédios analgésicos é desaprovada pela maioria dos especialistas em enxaqueca porque pode levar à dor de cabeça de privação, quando se interrompe sua utilização freqüente. Faz parte da orientação desses pacientes o alerta para que evitem a auto-medicação, uma vez que ela pode gerar dependência de doses analgésicas a cada dia maiores.
Com relação aos outros alimentos, é importante a descrição de muitos pacientes que relacionam a dor de cabeça aos chocolates, embutidos e laticínios, principalmente queijos amarelos. Nessa lista, nem as frutas ficam de fora, principalmente as cítricas como o maracujá, a laranja e o abacaxi. Se fôssemos mais exatos, a lista de alimentos seria infindável e poria em risco a variedade nutricional tão importante aos nossos pacientes.
Uma orientação importante sobre os alimentos é que o paciente com enxaqueca observe muito atentamente sua rotina nos dias que sente dor, pois suas considerações serão valiosas na orientação de suas dietas. Não há base científica para suspendermos determinados alimentos por isto é tão importante o relato individual.
Apesar dos registros tão contraditórios nos gatilhos da dor, podemos orientar, de uma maneira geral, que os pacientes com enxaqueca:
(1) Façam suas refeições com intervalos regulares, de preferência 3 refeições e 2-3 lanches diários evitando longos intervalos entre elas;
(2) Bebam água com regularidade, uma vez que quando a sede aparece, isto significa que já estamos desidratados;
(3) Não durmam mais ou menos , procurem manter suas horas de sono semelhantes, todos os dias;
(4) Evitem o consumo de bebidas alcoólicas;
(5) Façam atividade física, principalmente com alongamentos que privilegiem a coluna cervical. Nas crises de dor, deve-se evitar o esforço físico e mental; (6) Não tirem conclusões precipitadas ou baseadas em um único episódio de dor, relacionando um alimento muito apreciado com a enxaqueca, sem que isso seja verdade. É recomendável observar, outras vezes, a influência desse alimento;
(7) Evitem o consumo de mais que 2-3 xícaras de café expresso ou 3-4 cafés comuns ao dia. Se existir o consumo abusivo de café, a redução deve ser lenta e gradual;
(8) Evitem a auto-medicação e procurem a orientação de um neurologista para acompanhar seu tratamento.
Além das orientações acima, a alimentação das pessoas com enxaqueca deve ser individualizada, privilegiando e atendendo às necessidade básicas de cada um e baseada numa profunda avaliação de cada paciente sobre si mesmos.
Quais são os alimentos essenciais para que você se sinta bem? Como eles interferem na sua qualidade de vida?