A evolução da insulina contra o diabetes - I Parte

A medicina evolui e a cada dia oferece um tratamento melhor e mais personalizado contra a doença

Por Especialista - publicado em 30/06/2007


Até 1921, o diagnóstico de diabetes insulino dependente equivalia a um atestado de óbito, após penosos dias de perda de peso, desidratação e coma. Não havia como manter a vida, uma vez que o pâncreas interrompia a produção de insulina. Mesmo com a privação do alimento até o jejum, mesmo com longas internações, mesmo com toda a medicina alternativa, nada continha a elevação da glicose no sangue, que causava diurese maciça, desidratação, caquexia e coma. Faltava a insulina que transporta a glicose para dentro das células e armazena nutrientes. Faltava o maior hormônio anabólico, que garante as reservas de glicose e energia que possibilitam a vida.

A descoberta da insulina foi um dos mais importantes avanços da medicina de todos os tempos e foi alcançado em 1921, na Universidade de Toronto, pelo cirurgião Frederick Banting e pelo estudante de medicina Charles Best, feito que

rendeu a ambos o Prêmio Nobel de Fisiologia daquele ano. Eles conseguiram isolar o hormônio através de extratos de pâncreas de cães e o testaram inicialmente nesses animais. Em 12 de Janeiro de 1922, a insulina foi aplicada pela primeira vez em um paciente chamado Leonardo Thompson. Na ocasião, o garoto tinha 14 anos e pesava 30 kg. O efeito do remédio foi tão maravilhoso neste paciente que os pesquisadores acreditaram que tinham chegado à cura da doença.

Insulinas bovina e suína
A insulina produzida pelos pesquisadores em Toronto era cheia de impurezas e, inicialmente, causava abscessos nos locais de aplicação. Desde então, a pesquisa por insulinas mais puras e semelhantes à humana evoluiu muito, iniciando-se com a utilização das insulinas bovina e suína, que resolveu o problema da demanda pelo hormônio. Mas essas insulinas ainda tinham muitos contaminantes, causavam alergia, variavam de potência de lote para lote em até 25%, induziam os pacientes a produzirem anticorpos contra elas, gerando resistência progressiva e aumentando as suas necessidades diárias do hormônio.

Na década de 60, esses inconvenientes foram parcialmente sanados através de tecnologia apropriada que passou a produzir insulinas mais puras, diminuindo os efeitos colaterais, principalmente as alergias, a resistência ao hormônio e as lesões de pele nos locais de aplicação. Em 1973, foi introduzida no mercado a insulina suína monocomponente , fabricada por meio de uma técnica denominada cromatografia e destituída de contaminantes.Insulina humana
As insulinas suína e bovina foram as únicas armas terapêuticas até o surgimento da tecnologia do DNA recombinante, que em 1978, introduziu o gen da insulina no genoma de uma bactéria e conseguiu fazer com que ela produzisse insulina idêntica à humana. Neste momento, surgiu a possibilidade de utilizar insulina humana no tratamento dos

pacientes diabéticos. Essa insulina apresentava muitas vantagens em relação às insulinas bovina e suína, como a menor indução de produção de anticorpos antiinsulina, uma vez que era idêntica à humana e o corpo humano não reagia contra ela, como fazia com as insulinas derivadas de animais.



A primeira pessoa a fazer uso da insulina humana biossintética foi um paciente de 18 anos que estava com seu diabetes bastante descompensado, apesar de sua dose de insulina ter sido aumentada de 50 para mais de 110 unidades ao dia. Ele tinha desenvolvido resistência à insulina, com anticorpos antiinsulina em níveis muito altos. Dois dias após o início do uso de insulina humana, suas necessidades de insulina diárias caíram para 65 unidades ao dia.

Leia também:
Insulinas ganham reforço contra diabetes - II Parte
Insulina humana agora pode ser inalável - III Parte








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