Insulinas ganham reforços contra diabetes - II Parte

Pacientes têm mais comodidade na hora de tratar a doença e já não sofrem com as diversas aplicações diárias.

Por Especialista - publicado em 30/06/2007


Produzindo insulinas de longa ação:
A insulina como foi inicialmente isolada e utilizada tinha curto período de ação e era necessário reaplicá-la a cada 3 ou 4 horas, o que motivou pesquisas para modificar o perfil de ação do hormônio. Em 1936, foi produzida a primeira insulina de ação prolongada. Em 1940, surge a mais famosa delas, a insulina NPH, com um perfil de ação que poderia ser utilizada duas vezes ao dia e associada à insulina de ação rápida para garantir os picos de glicose das refeições. Essa insulina ainda é utilizada até hoje. Apesar de ter ação prolongada, a insulina NPH tem um perfil que difere da secreção basal de insulina em pessoas normais, pois tem picos de ação que levam a riscos de hipoglicemias entre as refeições, as temíveis queda de glicose, tão arriscadas para os diabéticos.

Análogos de ação ultra rápida
Recentemente, mais um salto na

qualidade do tratamento do diabético foi obtido através de uma mudança na estrutura química da insulina. Esta alteração permitiu a descoberta de dois tipos de insulina, que atualmente são a base do tratamento desses pacientes. Entre 1996 e 1999, foram lançados os dois análogos de ação ultra rápida: a insulina lispro (Humalog) e a insulina aspart (NovoRapid). E a partir de 2001, as insulinas de ação prolongada sem pico de ação, que conseguem simular de maneira muito próxima a secreção basal de insulina humana e, que, na maioria dos pacientes, pode ser aplicada apenas uma vez ao dia. No Brasil, existem dois análogos de ação prolongada, a insulina glargina (Lantus) e a insulina detemir (Levemir).

Através da utilização desses dois análogos, conseguimos um perfil de insulina muito próximo do normal, além de maior flexibilidade e praticidade no tratamento do paciente com diabetes, que se via na obrigação de um esquema de refeições muito rígido, uma vez que tendo tomado sua insulina pela manhã teria que almoçar por volta do meio dia, correndo o risco de queda da glicemia pelo pico de ação dessas insulinas nesse período.

Com o esquema atual, chamado basal-bolus, os pacientes utilizam-se de uma ou duas doses diárias do análogo de ação prolongada, o que lhes garante a glicemia de jejum e os períodos entre as refeições, mais três doses de análogo de ação ultra-rápida, o que lhes garante as glicemias pós prandiais, aquelas que são influenciadas pelas refeições. Com esse esquema terapêutico, as glicemias são

facilmente normalizadas e os horários das refeições muito mais flexibilizados. Mas a dura sina das 5 a 6 picadas de insulina diárias continua, fora as picadas necessárias para checar as glicemias que esse esquema exige, pois quanto mais próximo da glicemia normal, maior o risco de hipoglicemia desses pacientes.



Bombas de infusão
Nos anos 80, surgiram as bombas de infusão contínua de insulina, que evoluíram muito em tamanho e comodidade com a utilização dos análogos de ação ultrarápida administrados de maneira contínua através de finíssimo catéter introduzido no subcutâneo, podendo o volume de infusão ser ajustado de acordo com as necessidades de cada momento do dia. Antes das refeições, doses adicionais de insulina são programadas e infundidas de acordo com a quantidade de carboidrato ingerida, a glicemia e a atividade física do paciente. As bombas são dispositivos que, embora onerosos para a maioria dos pacientes, proporcionam um controle glicêmico muito bom, sem as múltiplas picadas de insulina diária e, ainda, permitem uma vida com maior flexibilidade alimentar.

Leia também:
A evolução da insulina no tratamento do diabetes - I Parte
Insulina humana agora pode ser inalável - III Parte






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Escrito por:

Ellen Simone Paiva

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