A gelatina, genericamente, é constituída por fragmentos de proteínas derivadas do colágeno, substância que compõe a estrutura dos ossos, da pele e das cartilagens dos animais. Sua forma mais conhecida é a que é utilizada em sobremesas, mas a gelatina também é muito utilizada na indústria de medicamentos, principalmente na forma de cápsulas, e pela indústria cosmética. Atualmente, também vêm sendo utilizada pela indústria de alimentos como emulsificante e espessante em sorvetes, recheios de biscoitos, iogurtes, geléias e margarinas, em muitos casos, substituindo as gorduras hidrogenada e saturada, melhorando assim a qualidade nutricional dos alimentos.
A forma mais comum de gelatina utilizada na alimentação tem um conteúdocalórico nada desprezível, o equivalente a cerca de 100 calorias por taça de 100g. As versões diet e light são praticamente isentas de calorias e podem ser muito úteis na elaboração de sobremesas com baixo valor calórico, podendo ser consumidas na sua forma tradicional, com sabores de frutas ou utilizadas para dar consistência a mousses ou pudins, ideal para quem pretende manter a forma ou
perder alguns quilinhos.
Podemos medir a qualidade nutricional de uma proteína através de seu perfil de aminoácidos e consideramos uma proteína de alto valor biológico, quando ela contém todos os aminoácidos essenciais. Baseando-me neste princípio, defendo que o colágeno não é considerado uma boa proteína na composição de uma dieta saudável, pois não contém triptofano, um aminoácido essencial, presente em todas as proteínas de alto valor biológico.
No corpo humano, o colágeno é uma proteína fibrosa que inclui a queratina, a proteína do cabelo e das unhas, a fibrina do sangue e a miosina dos músculos. Apesar de sabermos que o colágeno muscular e cutâneo é uma proteína estrutural necessária na manutenção do tônus muscular e da elasticidade da pele, isso não implica que a ingestão de gelatina em cápsulas ou em pó seja útil no estímulo ou incremento desse mecanismo. A dieta é o nosso maior aliado para atingir este fim, uma vez que proporciona ao organismo a formação dos aminoácidos necessários à síntese protéica.
O colágeno é verdadeiramente formado de 85% de proteína e isento de gordura, colesterol e carboidratos. Ele também contribui para a formação de unhas e cabelos. Porém, isso não significa que sua ingestão em suplementos formulados possa ter efeito terapêutico, na eventualidade de alterações em unhas e cabelos. Quando ingerimos uma proteína, o processo digestivo quebra a molécula protéica em pequenos fragmentos chamados aminoácidos. Esses são absorvidos pelo intestino e pelo sangue para serem utilizados para a síntese das diversas proteínas estruturais do corpo, incluindo o colágeno. Isso significa que os aminoácidos provenientes do colágeno podem gerar qualquer tipo de proteína e não necessariamente colágeno.
Não faz milagres...
O consumo de gelatina durante o emagrecimento não evita a flacidez, nem melhora a elasticidade da pele. Podemos conseguir estes objetivos estéticos de forma segura, se adotarmos uma dieta balanceada para emagrecer, aquela que emagrece e alimenta ao mesmo tempo. Outro fator importante para evitar a flacidez é a perda de peso lenta, uma vez que ao perder peso muito rapidamente, o corpo utiliza de maneira não seletiva suas reservas mais ricas, as proteínas, ao invés das gorduras estocadas. Ao perdermos proteínas durante o processo de emagrecimento, perdemos colágeno e podemos ficar flácidos. A atividade física associada à dieta balanceada para perder peso também tem papel protetor contra a flacidez. Contra estes fatos, não adianta comer toda a gelatina do mundo.
A osteoporose, bem como a artrose, não têm no seu tratamento ou prevenção a recomendação do consumo de gelatinas. A artrose ainda não teve sua etiologia definida e, constantemente, a doença serve de mote para o surgimento de tratamentos alternativos , verdadeiros absurdos, como o uso da cartilagem de tubarão, engodo que serviu apenas para abalar o poder aquisitivo dos
aposentados, até ter sua venda proibida pela ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A gelatina faz parte do seu cardápio?