Cesárea deixa bebês 20% mais vulneráveis ao diabetes tipo 1

Suspeita do aumento dos riscos recai sobre bactéria proveniente do hospital

Por Minha Vida - publicado em 26/08/2008


Gestantes que optam pela cesariana na hora de dar à luz oferecem ao bebê 20% mais chances de desenvolver diabetes tipo 1. É o que indica uma pesquisa feita por estudiosos da Queen´s Univesity, na Irlanda do Norte.

A pesquisa publicada na revista científica PubMed foi baseada na revisão de 20 estudos sobre crianças nascidas por cesárea que sofrem de diabetes tipo 1, aquele que está ligado a uma auto-imunização do organismo às células beta do pâncreas.

Os resultados indicam que este tipo de parto contribui para um aumento de 20% no risco do bebê se tornar diabético. O risco normal de um bebê desenvolver o diabetes tipo 1 é de três para cada mil crianças.

Os pesquisadores afirmam que o aumento não pôde ser explicado por nenhum outro motivo, como peso da criança no nascimento, idade da mãe, diabetes na gestação ou aleitamento materno. É provável, então, que esse aumento ocorra porque os bebês nascidos por cesárea são expostos primeiro à bactéria proveniente do hospital, e não da mãe.

Ainda são necessárias mais pesquisas na área para descobrir a relação entre a cesariana e o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 1. Os estudiosos, no entanto, aconselham as mães a levarem esse risco em consideração na hora de escolher o tipo de parto.

Brasil é recordista em cesáreas
O Brasil já ocupa o posto de recordista na realização de cesariana. Dos partos realizados aqui, 30% são cesáreas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o índice não ultrapasse os 15%. Os médicos não discordam das utilidades deste tipo de técnica, o que se questiona é o uso desnecessário dela.

Em alguns casos, a cirurgia é de fato obrigatória. A ginecologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Albertina Duarte, esclarece que a cesariana é indicada em qualquer situação de risco à mãe ou ao bebê, como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes descompensado, deslocamento de placenta ou mãe portado do HIV.

Para mulheres com ossos da bacia estreitos, que estão esperando bebê com mais de 4 quilos ou posicionado inadequadamente no útero, também não existem dúvidas sobre a indicação de cesárea. "O médico que está acompanhando a gravidez da mulher sempre será o mais indicado para dizer qual é o procedimento mais adequado", explica a especialista do HC.












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