Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 1997, foram 720.338 partos em adolescentes de 10 a 19 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, este número caiu para 527.341, o que representa queda de 26,7%.
Até julho de 2008, foram realizados 275.892 partos pelo SUS em jovens e adolescentes nessa faixa etária. Especialistas acreditam que maior acesso a contraceptivos e ações preventivas e informativas nas escolas foram alguns dos responsáveis por esses dados.
A região Sul apresentou a maior redução no número de partos em jovens e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos. Em 1997, ocorreram 90.759 partos no Sul, contra 58.448, em 2007 queda de 35,6%. Em seguida, está a região Centro-Oeste (34,1%), Sudeste (32,4%), Nordeste (22,6%) e, por último, a região Norte (6,7%), com a menor redução.
A desigualdade de raça/etnia, a falta de oportunidade, as condições de vida e a situação socioeconômica das adolescentes, podem levar a gravidez. Por causa da dificuldade de escolarização e o despreparo para o mercado de trabalho, muitas jovens optam pelo casamento, pela constituição de uma família para ser inserida na sociedade , esclarece a coordenadora da Área Técnica da Saúde do Adolescente e do Jovem do MS, Thereza de Lamare.
Outro dado é que a incidência de gravidez é maior nas adolescentes negras, com baixo poder aquisitivo e com baixa escolaridade. Em 2004, a taxa nacional de nascimentos por mil mulheres com idade entre 10 e 19 anos para a população negra foi 30% mais elevada que a observada na população branca. A maior parte dos nascimentos cujas mães eram adolescentes foi de bebês de cor negra (329.616, o que corresponde a 54,4%).