Remédios de hipertensão reduzem riscos de Mal de Alzheimer

Estudos concluem que eles agem como protetores do cérebro

Por Minha Vida - publicado em 21/05/2009


Estudos publicados na revista Neurology discutem se existe relação entre a hipertensão e possíveis riscos de demência com o avanço da idade. Segundo esses estudos, indivíduos hipertensos na faixa da meia idade que faziam tratamento com medicamentos para pressão alta apresentaram menores chances de demência se comparados com os hipertensos que não utilizam medicamentos. Os riscos eram menores ainda do que o apresentado por pessoas que não apresentam pressão alta.

As alterações cerebrais foram monitoradas e os hipertensos que fazem tratamento com medicações apresentaram menores alterações características da Doença de Alzheimer. A pesquisa também concluiu que o tratamento com medicações para hipertensão reduziu o risco de demência principalmente para pessoas com idade inferior a 75 anos.

Os estudos não identificaram se há superioridade de uma determinada classe de anti-hipertensivo sobre outra. "À luz do conhecimento atual, as evidências são de que o tipo de droga utilizada não faz tanta diferença, mas já há evidências de que o efeito protetor dos anti-hipertensivos no cérebro vai além do poder de controlar a pressão arterial, podendo atuar, por exemplo, nos mecanismos de progressão da Doença de Alzheimer.", explica Ricardo Teixeira, neurologista e especialista do MinhaVida.

Os estudos chamam a atenção para o fato de que os idosos apresentam um diferente estado de regulação dos vasos sanguíneos, e que os anti-hipertensivos devem ser usados com mais cuidado do que nos jovens. "Níveis baixos de pressão arterial, que podem não representar qualquer risco para um jovem, no idoso pode chegar a provocar lesão cerebral do tipo isquemia por baixo fluxo da circulação.", explica o especialista.

O tratamento de hipertensão pode reduzir os riscos de Mal de Alzheimer por possibilitar maior circulação nos vasos sanguíneos. "Sabemos que a hipertensão arterial é um dos principais vilões para o pleno funcionamento dos vasos sanguíneos e esse efeito pode ser visto tanto nos grandes vasos sanguíneos quanto na microcirculação. Um dos principais marcadores da Doença de Alzheimer é o depósito de proteínas no cérebro e é fundamental o pleno funcionamento da microcirculação cerebral para que essas proteínas não se acumulem de forma exagerada. Essa é uma das formas de entender a razão pela qual a atividade física, uma dieta rica em frutas, vegetais e Ômega-3 e o consumo moderado de álcool, todos esses sejam considerados fatores protetores da Doença de Alzheimer. Se é bom para os vasos, é bom para o cérebro.", conclui o neurologista.


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