Um drink ou dois por dia pode ajudar a proteger as pessoas mais velhas a desenvolverem demência, aponta um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte (EUA).
A pesquisa mostrou que as pessoas que bebiam uma ou duas doses diárias de bebida alcoólica tinham 37% menos chances de desenvolver demência do que os abstêmios - isso sem importar se a bebida fosse vinho, cerveja, licor ou outras. A redução do risco é similar a que está associada com a prática de exercício três vezes por semana ou mais.
Muitos estudos têm demonstrado que a ingestão moderada de álcool, especialmente o vinho, estaria relacionado a um menor risco de demência em adultos saudáveis de meia-idade. Mas, até então, não se sabia ao certo se esta associação era igualmente verdade para idosos ou para pessoas com transtorno cognitivo leve (doenças cerebrais degenerativas).
O estudo avaliou mais de 3 mil pessoas, com idade de 75 anos ou mais, durante o período de seis anos. Sendo que, no início das análises, 482 participantes tinham sido diagnosticados com transtorno cognitivo leve. O método levou em conta tabagismo, a educação, a depressão, e outros fatores que podem afetar o risco de demência.
Embora, de acordo com os pesquisadores, quando as pessoas já têm mais de 75 anos de idade e apresentam transtorno cognitivo leve ou já tenham sido diagnosticadas com perda de memória, qualquer quantidade de álcool pode acelerar a taxa de declínio de memória .
Entre as pessoas que tinham transtorno cognitivo leve, no início do estudo, aqueles que bebiam mais de duas doses diárias tinham quase duas vezes mais probabilidades de desenvolver demência, comparados com os que não bebiam nada.
Entretanto, os pesquisadores dizem que não se deve iniciar o hábito de beber em um esforço para repelir a demência. Mas os adultos mais velhos que já consomem quantidade moderada de álcool não precisam necessariamente cortar a bebida, desde que sejam cognitivamente normais.
O estudo não demonstra as causas do efeito positivo. Poderia ser o próprio álcool ou algum outro fator compartilhado por bebedores moderados, que é responsável pelo efeito protetor. Porém, outras pesquisas sugerem que o fato de beber moderadamente aumenta os níveis do bom colesterol e previne a formação de coágulos. Pode também estimular a liberação da acetilcolina, uma substância química que é importante para estimular a memória.