Seu filho anda conversando sozinho e até contando histórias para alguém invisível? Tudo indica que ele achou um amigo imaginário. "A partir dos 3 anos, as crianças tornam-se vítimas da própria imaginação. É uma fase em que elas entenderam que existem ameaças, mas ainda há dificuldades para reconhecer os perigos, daí o medo de monstros e fantasmas", explica Léa Michaan, psicóloga graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP).
Porém, muitos pais vêem nesse fato algo que possa prejudicar o desenvolvimento da criança. Mas, segundo um estudo feito pela Universidade de Otago, na Nova Zelândia, a capacidade cognitiva das crianças é melhor quando elas se relacionam com amigos imaginários.
Os pesquisadores avaliaram 48 crianças, com cinco anos de idade, sendo que 23 possuíam amigos imaginários. Foram analisados o vocabulário da criança juntamente com a capacidade que ela possui de recontar uma história ficcional a um boneco e também um história real sobre algum passeio familiar. Após os resultados, os pesquisadores concluíram que as crianças que possuem amigos imaginários apresentaram maior desenvolvimento da linguagem e contavam histórias com maior qualidade.
De acordo com o estudo, as crianças com amigos imaginários incluíram mais diálogos nas ficções e riqueza de detalhes, como informações de horários e lugares, nas histórias reais quando comparadas com as crianças que não possuíam o hábito. Além de beneficiar a linguagem, os pesquisadores acreditam que o exercício de contar histórias melhora significativamente a organização de ações na mente da criança.