Bioflavonoides ajudam a prevenir e tratar doenças cardiovasculares

Consumir frutas frescas, legumes, hortaliças e ervas, é sem dúvida a melhor maneira de fornecer bioflavonoides ao corpo

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dra. Tamara Mazaracki
Nutrologia - CRM 52301716/RJ
especialista minha vida

Bioflavonoides (ou flavonoides ou vitamina P) são os responsáveis pelas cores vibrantes de frutas, legumes, sementes e ervas, e contribuem para o seu sabor, adstringência e aroma.

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Existem cerca de 5.000 flavonoides identificados, presentes em alimentos como chá, vinho, cacau, frutas, legumes e azeite extravirgem.

Os Bioflavonoides foram descobertos em 1930, porém só a partir de 1990 houve um interesse crescente nestes compostos presentes em abundância no reino vegetal, devido a sua significativa contribuição para a saúde.


Tipos de Bioflavonoides

Os bioflavonoides podem ser divididos nas seguintes categorias isoflavonas, antocianidinas, flavonóis, flavonas e flavanonas. Dentre os mais conhecidos estão a quercetina encontrada na cebola, a genisteína da soja, flavonoides cítricos e hesperidina do limão, cianidinas das berries e a rutina da maçã. Em geral, quanto mais colorido o fruto ou legume, mais rico em flavonoides ele é.

Os bioflavonoides são uma grande classe de fitoquímicos poderosos. Além de seus impressionantes efeitos, eles também ajudam a potencializar os benefícios da vitamina C.

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Funções dos bioflavonoides nas plantas

A função dos bioflavonoides nas plantas é atrair insetos polinizadores, combater o estresse ambiental e atuar no crescimento do vegetal. Nos seres humanos, bioflavanoides têm intensa atividade biológica e capacidade de regular a sinalização entre as células. Várias pesquisas apontam para ações diversas na saúde: antioxidante, anti-inflamatório, antitrombogênico, antidiabético, anticancerígeno, antialérgico, antimicrobiano e neuroprotetor.

Principais fontes de bioflavonoides

Consumir frutas frescas, legumes, hortaliças e ervas, é sem dúvida a melhor maneira de fornecer bioflavonoides ao corpo. Chocolate escuro (50 a 70% de cacau), chá e vinho (com moderação) são fontes saudáveis, como o são especiarias, nozes, grãos e sementes. Flavonoides se concentram na casca e porção exterior de frutas e legumes. É melhor consumir hortifruti e ervas cruas para receber a maior quantidade de flavonoides, pois o calor do cozimento pode inativar uma grande parte destes preciosos fitoquímicos.

Frutas

Frutas frescas, especialmente as cítricas, berries e frutos de árvores, são excelentes fontes de bioflavonoides. Morango, uva, açaí, amora e framboesa são ricas em ácido elágico, um tipo de bioflavonoide. Frutas cítricas como limão, laranja, tangerina e toranja são ricas em bioflavonoides cítricos. Maçã, pêssego e ameixa são ricas no flavonoide flavan-3-ol.

Legumes

Consuma uma boa quantidade de vegetais, particularmente os verdes e vermelhos, para obter a sua dose diária de bioflavonoides. Brócolis, couve, cebola, pimentão, pimenta vermelha, nabo, espinafre e agrião são algumas das melhores opções quando se trata de flavonoides. Cebola roxa e cebolinha são especialmente ricos em quercetina. Alcachofra e aipo são ricos em flavonas, enquanto quiabo e brócolis são ricos em flavonóis.

Condimentos, chás, cacau e vinho

Ervas e especiarias como orégano, salsa, hortelã-pimenta, alecrim, sálvia e tomilho são ricos em flavona e luteolina. Canela é fonte de cianidina. Chás preto, verde e vermelho (do tipo rooibos) contribuem para aumentar a ingestão de flavonoides, e são ricos em catequinas e flavonóis. Flavanol também é o principal tipo de bioflavonoide encontrado no cacau, bem como no chocolate escuro (com pelo menos 50% de cacau). Vinhos tinto e branco contêm o bioflavonoide resveratrol, porém o vinho tinto tem níveis mais elevados, porque a fermentação é feita sem tirar a casca da uva.

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Leguminosas, nozes e sementes

Pesquisadores encontraram pelo menos oito flavonoides diferentes na casca do feijão preto. Outras leguminosas como feijão mulatinho, vermelho, azuki, e grão de bico, também são excepcionalmente ricas em bioflavonoides, principalmente antocianinas. Nozes, amêndoas, pecan, pistache e castanha de caju são ótimas opções, contendo diversos flavonoides. E para finalizar, temos o trigo sarraceno, que é na verdade uma semente cheia de nutrientes, isenta de glúten, e particularmente concentrada nos flavonoides quercetina e rutina.

Benefícios dos Bioflavonoides

Confira a seguir os benefícios dos Bioflavonoides:

Ação no aparelho cardiovascular

A ação de bioflavonoides na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares é bem documentada. Um estudo recente (2016) descobriu que uma maior ingestão de flavonoides (principalmente antocianina, presente em frutos de cor roxa ou vermelha escura) e flavanonas (presente em frutas cítricas) diminuiu o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico em homens.

Os flavonoides ajudam a reduzir a aglutinação das plaquetas no sangue, um fator potencial para ataques cardíacos e angina. Por sua ação antioxidante, os bioflavonoides combatem radicais livres e reduzem a inflamação no corpo, o que também contribui na prevenção de problemas do coração.

Ação na hipertensão

Muitos trabalhos têm mostrado que o consumo de frutas, legumes, chá e vinho pode proteger contra o derrame, cujo principal fator de risco é a pressão arterial elevada. Os estudos mostram que pessoas com hipertensão têm menores níveis circulantes de flavonoides, e que certos flavonoides como antocianinas, flavonas e flavan-3-ol podem contribuir para a prevenção da pressão alta.

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Veias varicosas (varizes e microvarizes), hemorroidas, sangramentos e hematomas (manchas roxas) ocorrem por uma alteração na parede dos vasos sanguíneos, que perdem a sua elasticidade e tônus. Rutina é um bioflavonoide que reforça as paredes das veias e as ajuda a trabalhar melhor. Vários estudos têm demonstrado que a rutina alivia o inchaço e a dor de varizes.

Ela é encontrada em frutas e cascas de frutas (especialmente de cítricos), trigo sarraceno e aspargos. Além disso, as proantocianidinas (bioflavonoides encontrados na casca de semente de uva e pinho) também ajudam no combate às varizes e hemorroidas. Bioflavonoides do tipo citrus juntamente com vitamina C são recomendados para quem faz pequenos hematomas com facilidade.

Eles ajudam a fortalecer e a reforçar os vasos capilares, o que os torna mais resistentes às contusões. Da mesma forma, os flavonoides atuam na prevenção do sangramento de gengivas.

Ação antiviral

Infecções causadas por vírus, como hepatite e herpes, são atenuadas e têm menor duração quando bioflavanoides são administrados. A catequina (encontrada em quantidades elevadas no matcha, um extrato de chá verde) ajuda pessoas que sofrem de hepatite viral aguda, bem como de hepatite crônica. A quantidade de catequina utilizada nos ensaios é alta (500 a 750 mg três vezes por dia) e deve ser feito com supervisão médica. Para acelerar a cicatrização do herpes deve se associar vitamina C aos bioflavanoides.

Ação antialérgica

A quercetina (encontrada na cebola, trigo sarraceno, abacaxi e frutas cítricas) é usada no tratamento de alergias. Quercetina é um anti-histamínico e anti-inflamatório natural, que ajuda a reduzir os efeitos dos sintomas alérgicos ao mofo, poeira e pólen, e atua em alergias alimentares, bem como em reações da pele e asma. Ela ajuda a estabilizar a liberação de histamina pelo sistema imunológico, o que resulta na redução de sintomas como tosse, lacrimejamento, coriza, urticária e problemas digestivos. A pesquisa mostra que a quercetina, um fitoquímico natural, combate alergias tão bem quanto alguns medicamentos de prescrição, sem os seus efeitos colaterais.

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Outras ações

Bioflavonoides combatem células cancerosas e inibem a angiogênese (crescimento de vasos sanguíneos que alimentam o tumor). Combatem os radicais livres, protegem a pele contra a radiação ultravioleta, e reduzem o envelhecimento causado pela luz solar. Promovem a saúde do cérebro e protegem contra a demência. Reduzem a inflamação. Ajudam a normalizar a taxa de açúcar no sangue e os níveis de lipídios (colesterol e triglicerídeos). As flavanonas cítricas, em especial, têm ação na prevenção de obesidade, diabetes, esteatose hepática não alcoólica e doença cardíaca associada à dieta desregrada.

Cuidados e contraindicações

A ingestão de bioflavonoides nos alimentos é totalmente segura. A suplementação oral não apresenta efeitos colaterais consistentes, exceto a catequina em doses altas, que ocasionalmente pode causar febre, sintomas de anemia e urticária. Mulheres grávidas ou amamentando só devem suplementar com orientação médica. Bioflavonoides em comprimidos podem afetar a ação de anticoagulantes e interagir com diversos medicamentos.

Referências

  • Cell Biology and Toxicology 2000. Bioflavonoids as antiradicals, antioxidants and DNA cleavage protectors
  • http://lpi.oregonstate.edu/mic/dietary-factors/phytochemicals/flavonoids
  • Scientific World Journal 2013. Chemistry and biological activities of flavonoids: an overview
  • American Journal of Clinical Nutrition 2016. Habitual intake of anthocyanins and flavanones and risk of cardiovascular disease in men
  • Medical Hypotheses 2000. Dietary flavonoids and hypertension: is there a link?
  • http://umm.edu/health/medical/altmed/condition/varicose-veins
  • Alternative Medicine Review 2001. Hemorrhoids and varicose veins: a review of treatment options
  • Gut 198. Effect of cyanidanol-3-catechin on chronic active hepatitis
  • *Iran Journal of Allergy, Asthma and Immunology 2011. Quercetin as a potential anti-allergic drug: which perspectives?
*Journal of Nutritional Biochemistry 2013. Recent advances in understanding the anti-diabetic actions of dietary flavonoids.