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Cinco especialistas respondem todas as suas dúvidas sobre a acne

Veja como a pílula, o estresse e a alimentação interferem no problema

Por Minha Vida - atualizado em 02/08/2010


Se, no passado, elas eram consideradas preocupação adolescente, hoje em dia a situação mudou. Os consultórios dos dermatologistas vivem cheios de pacientes que já passaram dos 18 anos há bastante tempo e não sabem mais o que fazer para acabar com as temíveis espinhas.

Mudanças na dieta, cremes secativos e até o uso de anticoncepcionais, entre as mulheres, são alternativas que a maioria experimenta por conta própria na hora do sufoco diante do espelho. Mas o que funciona de verdade? Se você sempre sonhou com essa resposta, então confira a sabatina que o Minha Vida fez com especialistas de todas as áreas.

A seguir, o dermatologista Mário César Pires; o urologista Eduardo Bertero; o ginecologista Alcides Escobar e a nutricionista Maria de Lourdes do Nascimento, todos do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, além do dermatologista Marcelo Beliini, da clínica Corpo em Evidência, tiram todas as dúvidas sobre o assunto e ainda esclarecem os mitos que povoam a sua cabeça desde a adolescência. Aproveite a chance e deixe para trás, de uma vez por todas, todas as suas dúvidas e hábitos incorretos.


Acne - Foto: Getty ImagesAcne

1. É verdade que existe uma bactéria causadora da acne?

Sim. Mas nem toda espinha é, necessariamente, resultado apenas de uma infecção. A acne é causada pela associação de fatores genéticos, pela variação hormonal e pela presença das bactérias Propionibacterium acnes e Propionibacterium ovale. O processo infeccioso, portanto, é somente um dos fatores que podem desencadear o problema, e em um grau mais grave.

2. Peles brancas são mais vulneráveis?

Bobagem. As espinhas estão diretamente associadas ao funcionamento das glândulas sebáceas, e não à tonalidade da pele. Sabe-se, entretanto, que as pessoas mais morenas têm maior propensão às marcas e cicatrizes. Motivo extra para esquecer, definitivamente, aquela mania desesperada de espremer os carocinhos.

3. Estresse causa espinhas?

Mais ou menos. A história é a seguinte: como a variação hormonal está associada ao aparecimento das espinhas, qualquer abalo emocional mais forte e duradouro pode interferir na saúde da sua pele. Isso porque a ansiedade e o estresse aumentam a liberação dos hormônios masculinos, responsáveis pela atividade das glândulas sebáceas.

4. Tomar pílula limpa a pele?

Não só a pílula, mas outros anticoncepcionais de base hormonal podem ser recursos eficazes no combate às espinhas. Isso vale para os medicamentos que contêm etinilestradiol na fórmula. Trata-se de um composto que diminui, na circulação sangüínea, a quantidade da enzima que realiza a transformação da testosterona livre em dihitestosterona. Quando entra em contato com a pele, essa substância torna-se responsável pelo surgimento da acne, de pêlos em excesso e da secreção de material seboso.

5. Mudar a alimentação acelera o tratamento?

Sim. Mesmo que, até hoje, nenhum estudo tenha comprovado a relação direta entre algum alimento e o aparecimento de espinhas, sabe-se que um cardápio balanceado é fundamental para manter a pele hidratada e bem nutrida. Então, é melhor evitar o excesso de gorduras (isso inclui o chocolate, branco principalmente). Mas não precisa cortar de vez a guloseima, basta dar uma maneirada.  

6. Existe alguma dieta anti-espinhas?

Se você estiver pensando num cardápio completo, com café-da-manhã, almoço e jantar, não existe. Mas os especialistas reconhecem que alguns alimentos, se consumidos com maior regularidade, livram sua pele do problema. Hortaliças, frutas e legumes são ricos em vitaminas e fibras, que ajudam o intestino a funcionar melhor (assim, as toxinas não se acumulam e param de explodir na sua pele). Só não esqueça: a ação das fibras depende da ingestão de água, no mínimo oito copos por dia. As proteínas também são fundamentais, pois têm como funções principais a construção e regeneração dos tecidos. Carnes, leite e derivados, feijão e soja são boas fontes. Ah, e na hora de pôr na panela, cuidado com a quantidade de gordura.

7. Espinha é tudo igual?

Não. Atualmente, os médicos trabalham com quatro tipos de diagnóstico: Grau I: a pele fica cheia de cravos. Eles surgem porque uma espécie de rolha (formada por células mortas) tampa os poros e represa o material gorduroso. Grau II: nem sempre a rolha de células mortas veda totalmente os poros. Quando o sebo vasa, ocorre uma reação inflamatória e aparecem pontos avermelhados. Grau III: neste caso, o processo inflamatório tem sua ação intensificada pela ação de bactérias naturalmente presentes na pele. Surgem, então, as pústulas (pontos amarelados). Grau IV: perfil mais grave do problema, combina cravos, pontos vermelhos e amarelados.

8. As mulheres são mais atingidas pelo problema do que os homens?

Puro mito. È muito provável que essa percepção tenha surgido porque elas, mais vaidosas, procuram ajuda com maior freqüência. Mas é exatamente um hormônio masculino, a testosterona, que provoca a hiperfunção das glândulas sebáceas mais sensíveis nos homens.

9. Qual a relação entre os hormônios e a acne?

As glândulas sebáceas, que controlam a oleosidade da pele, têm o funcionamento diretamente associado à testosterona, um hormônio masculino que também atua no metabolismo das mulheres. Quando há redução dos hormônios femininos e a testosterona passa a ter uma ação maior, nota-se uma maior atividade das glândulas sebáceas.

10. Os remédios para secar espinhas têm alguma contra-indicação?

Depende. Mesmo que sejam vendidas sem prescrição médica, essas fórmulas contêm substâncias que podem irritar a pele, piorar as espinhas ou até formar cicatrizes. Na melhor das hipóteses, o gel ou a pomada para secar espinhas não tem efeito nenhum, ou seja, não piora, nem melhora a acne. Então, apara evitar a perda de tempo, de dinheiro e a formação de marcas, procure um dermatologista antes de aplicar qualquer produto na sua pele.

11. E o Roacutan resolve mesmo?

Tecnicamente chamado de isotretinoína, esse medicamento ainda é uma das opções mais confiáveis para os casos graves de acne. Isso porque ele promove a atrofia das glândulas sebáceas. Sim, você entendeu certo: sua pele resseca, e muito, com o tratamento. Mas trata-se de uma fórmula bastante forte e, por isso, só pode ser ingerida com orientação médica. Antes de prescrever, os especialistas exigem a realização de uma série de exames, como hemograma, função do fígado, triglicérides e colesterol, todos repetidos a cada dois meses. O tratamento com isotretinoína dura, em média, um semestre. Mas esse período varia de acordo com a dose diária do remédio. Efeitos colaterais como alterações de humor, no sono, na libido e até depressão são raros, mas podem acontecer.

12. Depois do fim do tratamento, as espinhas podem voltar?

O remédio é forte e, em muitos casos, resolve o problema definitivamente. Mas há pacientes que, depois de dois anos sem tomá-lo, voltam a ter espinhas. Felizmente, o problema aparece em menor quantidade e num grau mais simples. Recursos mais suaves podem, então, ser empregados para solução.

13. O laser funciona contra a acne?

Jatos de luz pulsada ressecam as glândulas sebáceas, impedindo a formação da acne. Normalmente, esse tipo de tratamento é recomendado para pacientes que apresentaram alguma restrição à isotretinoína ou para mulheres que desejam ser mães em breve, porque o medicamento tem componentes que prejudicam a formação do feto. Vale lembrar que, mesmo depois de interromper o consumo do remédio, é preciso esperar seis meses para engravidar.  


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