O que esperar da cirurgia de reconstrução da mama?

Ela restaura a forma, aparência e tamanho da mama, mas pode deixar cicatrizes

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 29/11/2013

Dr. Wagner Montenegro
Cirurgia Plástica - CRM 51769/SP
especialista minha vida

Os seios têm uma representação simbólica muito forte para a mulher, pois eles têm relação direta com a feminilidade, autoestima, sexualidade e maternidade, fatores intimamente presentes no universo feminino. Uma mastectomia - cirurgia para a retirada total ou parcial da mama para tratar a paciente com câncer de mama - pode afetar psicológica e emocionalmente a vida de uma mulher, nesse sentido, o procedimento cirúrgico para a reconstrução da mama se torna fundamental.

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A reconstrução de mama é a cirurgia que irá restaurar a forma, aparência e tamanho da mama e está diretamente relacionada ao tipo de cirurgia de mastectomia que foi realizada. Embora em alguns casos não seja possível fazer a mastectomia e a reconstrução na mesma cirurgia, hoje é usual que se façam simultaneamente. Muitos fatores interferem nessa decisão, como a dimensão do câncer, tipo de tumor, se será necessário quimioterapia ou radioterapia e as condições clínicas da paciente.

Como é feita a reconstrução mamária

Em geral, é preciso fazer a reconstrução de mama em mais de um tempo cirúrgico. A maioria dos casos exige uma segunda intervenção e outros, uma terceira, até que se alcance um formato e aparência satisfatórios para a mama. A primeira etapa cirúrgica é de proporções grandes, posteriormente são feitas uma ou duas etapas menores. Apesar de a reconstrução ser uma cirurgia grande, mais agressiva do que as demais cirurgias plásticas nas mamas, a recuperação da paciente é normal, podendo ser comparada à cirurgia de redução de mamas.

Tipos de reconstrução mamária que podem ser feitos

Nos casos em que foi preservada grande parte de pele e gordura na mastectomia, o cirurgião plástico poderá utilizar apenas uma prótese de silicone para a reconstrução, atingindo um resultado satisfatório. Já nas mulheres em que foi retirada uma quantidade maior de pele e gordura (mas não toda), ainda há um pouco de cobertura, porém não existe espaço suficiente para a colocação de uma prótese comum, logo o cirurgião implanta uma prótese com expansor. Esse dispositivo funciona como se fosse uma bexiga, é uma prótese vazia que vai sendo preenchida aos poucos e consequentemente vai aumentando o volume da pele, esticando-a. Quando a mama alcança o volume apropriado, o expansor é retirado e dá lugar a uma prótese de silicone definitiva.

Nas situações em que foi retirada uma quantidade ainda maior de gordura e pele - incluindo muitas vezes a aréola e o mamilo - a reconstrução tem que ser feita através de um retalho, uma parte da pele de outra região do corpo, que é utilizada para cobrir o local em que há escassez de tecidos. Para este tipo de reconstrução existem várias técnicas, uma delas é feita com a pele do abdômen, onde o cirurgião faz uma plástica de abdômen (abdominoplastia) na paciente, e retira o excesso de pele que ela tenha abaixo do umbigo. Dessa forma a pele e gordura removidas da barriga dão formato e tamanho à mama restaurada. Da mesma forma pode ser usada pele das costas, da região do grande dorsal, que está localizada na linha acima da cintura.

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É possível associar o uso de retalho abdominal ou de grande dorsal com a prótese de silicone. Quando é feita a plástica de abdômen e a tira da pele do abdômen vai para a mama, há em geral um grande volume de gordura, então é raro usar a prótese, já quando é usado o retalho do dorso, em geral, também é necessária a colocação da prótese.

Opções que a paciente tem

Na cirurgia de reconstrução a paciente pode optar por corrigir ou aumentar a mama que não passou pela mastectomia. Por exemplo, existem pacientes que tem uma mama com gigantomastia de um lado, ou seja, uma mama grande e caída e do outro lado realizaram a mastectomia. Nesse caso, na cirurgia pode ser feita a simetrização, que associa a reconstrução de uma mama e a redução com elevação da outra. Nas situações em que a paciente tem histórico familiar de câncer de mama, o mastologista, em conjunto com o cirurgião plástico, pode optar pela retirada da glândula mamária da mama que não tem tumores, com o intuito de uma medida profilática, prevenindo com que ela tenha câncer também nessa mama. O cirurgião plástico faz a cirurgia e a paciente fica com duas próteses de silicone no lugar das glândulas mamárias.

Resultados

O resultado final da cirurgia de reconstrução de mama pode ser muito satisfatório, minimizando o impacto físico e psicológico da paciente, porém, a mama não ficará como era antes. É possível comparar seu resultado com o de uma redução de mamas, em que a mama fica com um bom resultado, entretanto há a presença de cicatrizes. O tamanho da cicatriz depende basicamente da cirurgia que foi feita para retirar o câncer. Se for preciso fazer uso de retalhos de pele na reconstrução, sempre vão ficar cicatrizes na mama. São cirurgias grandes e as cicatrizes podem ficar redondas, quadradas, dependendo da ausência de pele que havia ali.