É verdade que cirurgia plástica vicia?

Algumas pessoas podem ter vicio patológico, buscando tratamentos mesmo sem necessidade

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 29/01/2014

Wagner Montenegro
Cirurgia Plástica
especialista minha vida

É cada dia mais comum intitularem de "viciada em cirurgia plástica" uma pessoa que se submeteu a dois ou mais procedimentos com fins estéticos, os cirúrgicos e não cirúrgicos ? por exemplo, a aplicação de toxina botulínica. Porém, dentre os pacientes que realizam várias plásticas podemos distinguir dois tipos: os com "vício não patológico" e com "vício patológico".

Existe o paciente que tem uma visão mais realista e consegue fazer uma boa avaliação do próprio corpo e rosto, enxerga-os como realmente são. Esse é o paciente que, quando se submete a uma cirurgia plástica, vê o benefício conquistado e, consequentemente, passa a visualizar as possibilidades que pode ter com outros procedimentos. Vemos casos de pacientes que fazem alguma cirurgia nas mamas, depois percebem que podem melhorar também a barriga, que não está do jeito que elas gostariam e talvez façam outras cirurgias, até ficarem bem e satisfeitas com o próprio corpo, momento em que param. Essa é a paciente que tem um comportamento normal, ela passa por várias plásticas, mas percebe a hora de parar.

Quando o vício é patológico

O caso mais delicado é o do paciente que não enxerga os benefícios que a plástica fez, nessas pessoas podemos identificar o "vício patológico". Essa pessoa é aquela que faz, por exemplo, uma plástica no rosto, na qual obteve uma grande melhoria, mas mesmo assim ela continua se olhando no espelho e vendo defeitos, o que a faz optar por mais um procedimento no rosto. Esse processo pode se repetir inúmeras vezes, variando entre procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos. Ora ela busca por um preenchimento, depois quer fazer mais uma plástica, levantar mais o rosto, aumentar as maçãs, etc. É uma busca por mudanças que nunca acaba.

O "vício não patológico" é aquele que se encerra, pois o paciente fica satisfeito e cessa a realização de procedimentos. Já o paciente que tem "vício patológico" nunca finda sua busca, pois está constantemente desconte com o corpo e rosto. A visão que essa pessoa tem de si própria é deturpada, são pessoas que passam horas pensando na própria aparência e sofrendo com a autoimagem, alguns podem ser diagnosticados inclusive com o transtorno dismórfico corporal, mais conhecido como dismorfofobia. Nessas pessoas a angústia é permanente e apesar das tentativas, nenhum procedimento estético é capaz de aliviar a eterna insatisfação com a imagem.

É frequente que o paciente com dismorfofobia e viciado em cirurgia plástica vá de um médico ao outro. Quando um cirurgião contraindica determinado procedimento que esse paciente quer fazer, ele começa a procurar outros médicos, outras técnicas e às vezes até possibilidades alternativas, não médicas, o que representa um sério problema, pois ele acaba fazendo procedimentos com pessoas não qualificadas, o que implica em expor a sua própria integridade física, correndo até risco de vida.

Em geral a pessoa com o vicio patológico em cirurgia plástica se fixa em detalhes. Ela enxerga problemas que normalmente não tem solução, são pacientes que almejam uma simetria de 100%, chegam ao consultório com discursos que transformam procedimentos complexos em algo simples, como uma maneira de aceitar mais facilmente aquilo e persuadir o cirurgião plástico.

O objetivo da cirurgia plástica é proporcionar uma simbiose entre o que passa na cabeça do paciente e o seu corpo, como um casamento. Quando é estabelecido um bom relacionamento entre esses dois elementos, corpo e mente, são proporcionadas até alterações hormonais no paciente porque ele se sente mais feliz, consequentemente a felicidade traz rejuvenescimento. A cirurgia plástica acaba proporcionando uma mudança muito grande na parte física e psicológica do paciente, resultando em uma melhora como um todo, o tornando uma pessoa mais positiva, com mais ânimo para fazer as coisas e com muito mais segurança e autoconfiança.

Quando o cirurgião plástico, com a ajuda de sua experiência profissional, percebe que não vai conseguir satisfazer as expectativas do paciente ? que aquele paciente pode sofrer de dismorfofobia e que a cirurgia plástica não é o melhor caminho para ele ?, o médico pode contraindicar o procedimento e orientá-lo a buscar auxílio de outros profissionais da medicina que trabalhem de outras formas com a elaboração de uma nova percepção da autoimagem.

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