Seu salão de beleza é seguro?

Confira as normas da vigilância sanitária e cobre mudanças se necessário

POR MINHA VIDA - PUBLICADO EM 17/04/2009

A manicure faz suas unhas muito bem, sem sangrar ou arrancar nenhum pedacinho a mais de cutícula. O corte de cabelo também é impecável e você nunca foi a um salão onde os profissionais são tão atentos aos horários marcados. De fato, tudo isso é muito importante na hora de escolher um estúdio para cuidar da sua beleza, mas não é o suficiente. As regras de higiene e instalação, muitas vezes, acabam ficando em segundo plano e muita gente até fica com vergonha de cobrá-las.

No entanto, sua saúde depende delas e a vigilância sanitária tem técnicos especializados no controle destas condições. "Fazemos três tipos de visita nos salões de beleza, desde a abertura. A vistoria inicial existe para checar a presença do material mínimo para funcionamento, rotinas de limpeza e esterilização, além do treinamento dos funcionários responsáveis pela limpeza, especificamente", afirma a biomédica Mônica Fernandes Grau, diretora-técnica do serviço de saúde do centro de vigilância sanitária de São Paulo.

Além da primeira inspeção, os técnicos realizam outras de surpresa, conferindo se as normas de abertura continuam sendo seguidas, e investigam denúncias. "A vigilância sanitária dispõe de uma ouvidoria, onde você pode fazer suas reclamações por telefone, carta ou e-mail. Todas elas são investigadas pessoalmente por uma dupla de técnicos", afirma Mônica.

Para ter certeza de que seus tratamentos têm a qualidade que você espera e a segurança de que sua saúde precisa, o MinhaVida pediu à diretora da Vigilância Sanitária uma lista dos procedimentos básicos que os salões de beleza devem seguir. Confira todos eles e aproveite para cobrar uma atitude do seu estúdio favorito, caso ache que alguma norma está sendo deixada de lado. "Isso não é vergonha nenhuma, mas um direito do cliente e ele não deve se sentir constrangido em momento algum por exigir aquilo que a legislação garante", diz a biomédica.

Um salão seguro tem provas disto na entrada.
A vigilância sanitária fornece autorizações de funcionamento. Se o salão que você freqüenta foi fiscalizado e recebeu aprovação, há um certificado que comprove o sinal verde. O ideal é que este documento seja mantido num lugar visível, à mostra logo de quem entra.

Bê-á-bá da esterilização.
O assunto é um dos mais polêmicos, e não é para menos. A higiene de alicates e tesouras precisa seguir à risca os procedimentos de esterilização, evitando micoses, infecções e até doenças mais sérias, como hepatite B e C. A esterilização ideal é feita numa estufa ou numa autoclave, onde o material deve permanecer por uma hora, no mínimo. Na estufa, o prazo pode se estender para o dobro, caso o aparelho não atinja temperaturas muito altas , afirma Mônica Fernandes. Segundo ela, a autoclave traz mais segurança do que a estufa, porque o equipamento tem uma trava de segurança que só permite a abertura após o término do ciclo de esterilização. Já a estufa pode ser aberta a qualquer momento, o que compromete a eficácia da higienização .

Outro cuidado que poucas manicures têm é a lavagem dos utensílios, com água e sabão, antes de colocá-los para esterilizar. Isso é necessário para remover restos de pele e resíduos que podem ficar grudados e prejudicar a esterilização.

Manutenção da autoclave.
Os aparelhos usados para esterilização devem ser revisados a cada seis meses. Como saber se o salão faz isso? Simples, pedindo que o gerente mantenha, ao lado do equipamento, uma planilha com as datas de manutenção e o nome da empresa responsável pelo serviço. Se isso não acontecer, a dica é pedir para olhar as notas fiscais que comprovam a realização do procedimento, como fazem os fiscais da vigilância na hora da inspeção.

Pés e mãos de molho numa bacia com água.
Desde que a bacia seja lavada, com água e sabão, a cada troca de cliente, não há problema. Mas, como isso raramente acontece, muitos salões adotaram as capinhas de plástico descartável, que são trocadas mais facilmente. O procedimento está de acordo com as regras da vigilância, porque protege você do contato com substâncias contaminadas. As capinhas para os pés, muitos usadas, também são higiênicas e protegem você de contaminações.

Kit de lixas e palitos descartáveis.
Não só os alicates e as tesouras devem ser limpos, mas todo o resto do material. Como colocar as lixas para esterilizar vai inutilizá-las, o ideal é que a manicure use tudo descartável ou tenha um kit com o seu nome reservado. As pinças também precisam de cuidados, sendo lavadas com água e sabão ou higienizadas com álcool após cada uso.

Cuidado com o hidratante e o algodão
A esterilização está adequada e as lixas são todas descartáveis. Mas, terminando de retirar as cutículas, sua manicure enfia a mão num pote de creme, pensando em hidratar e fazer uma massagem em você. O gesto, simples e corriqueiro, pode contaminar todo o produto com restos de unha e microorganismos já pensou se a cliente anterior tinha micose? O ideal é que ela lave as mãos antes de aplicar o creme ou use produtos em bisnagas, por exemplo (assim, só há o contato com a quantidade que será usada na hora). O algodão também deve permanecer em potes fechados, sem contato com os demais materiais.

Escovas de cabelo bem limpinhas
Esqueça o copo de água cheio de escovas e pentes de molho. Isso também é bastante inadequado (tanto quanto manter os acessórios num carrinho, pegando pó e acumulando restos de produtos usados nos procedimentos). Após cada atendimento, o profissional deve lavar as escovas e os pentes, usando água e sabão. Eles devem ser postos ao ar livre para secar.

Cera sem nenhum reaproveitamento.
A cera usada na depilação precisa ser descartável, independente da área onde ela é aplicada (é comum ouvir das depiladoras que somente o produto usado nas áreas íntimas segue para o lixo). A cera é registrada como um cosmético e prevê uso único. O fabricante não tem idéia do que pode acontecer no seu corpo com o reaproveitamento , afirma a diretora da Vigilância Sanitária de São Paulo.

A manicure é boa, mas a limpeza nem tanto
Se você já percebeu que o salão deixa a desejar na higiene, mas tem dó de trocar, o jeito é investir no seu próprio material. Leve tudo, incluindo o hidratante, e evite sofrer as conseqüências da falta de higiene.

Multas: o salão que é flagrado descumprindo normas de funcionamento recebe multas que variam de R$ 800 a R$ 8 mil reais, na primeira. O valor dobra com a reincidência e o salão pode até fechar se os técnicos acharem que as correções não são suficientes.

 

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