Vera Holtz anda saltitante. Mesmo com o término de Belíssima, as pessoas não esquecem a Ornella - coroa cheia de charme que deixava o jovem - e gostoso! - Matheus (personagem de Cauã Reymond) enlouquecido de tesão. E olha que não é a primeira vez que isso acontece (a repercussão, não o relacionamento com diferença de idade): numa outra novela da Globo, ela deu o que falar, vivendo uma alcólatra. Cheia de bom humor, Vera atendeu o Minha Vida para um bate-papo e contou que, no pouco tempo fora do ar, já teve tempo de gravar um filme e de se preparar para a próxima novela das 6, chamada O Profeta. Tudo isso, é claro, sem deixar de lado o namorado (mais novo do que ela).Minha Vida: O que você está fazendo atualmente? Entrou de férias depois de Belíssima ou emendou um trabalho no outro?
Vera: Depois de Belíssima, fiz o longa do Renato Aragão, O cavaleiro Didi e a princesa Lili, e gravei o primeiro capítulo da próxima novela das 6, que estréia em outubro, O Profeta. Foram 46 cenas gravadas no Rio Grande do Sul. Também fiz uma leitura do autor irlandês, Beckett. Agora, posso dizer que estou de férias. Estou visitando minha família, meus amigos e me dedicando às artes plásticas, indo em vários movimentos aqui no Rio. Minha Vida: Você também pinta, além de atuar?
Vera: Não, mas vou a várias exposições. Meu negócio é atuar. Estou reservada para a próxima minissérie da Glória Perez. As gravações já começaram, mas entro só na segunda fase e estou livre até lá. Ainda nem sei como será meu personagem. Minha Vida: Voltando um pouco à Ornella, foi legal interpretar uma perua?
Vera: É sempre muito interessante trabalhar com o universo feminino e poder tocar em alguns segredos. Eu percebo que as pessoas que se identificam com o personagem começam a se abrir e a lidar melhor com as próprias características. Isso ficou bastante nítido com a Santana - personagem alcoólatra da novela Mulheres Apaixonadas. O alcoolismo entrou em questão e levou as pessoas a tomarem atitudes. Já a Ornella mostrou que mulheres de meia-idade ainda se sentem bonitas, mesmo enfrentando a menopausa. Minha Vida: Em que a Ornella se diferenciava de outras mulheres que estão passando pela menopausa?
Vera: É uma faixa etária bem complicada, em que a mulher sofre com o afastamento dos filhos, vê a cintura ir embora, os quilos extras chegarem e perde a auto-estima. A Ornella era o atordoamento disso tudo. Ela tinha um jeito próprio de se vestir, era vaidosa e tinha truques para ainda se sentir feminina, como manter os cabelos compridos e com tons claros para esconder os fios brancos e usar batas para disfarçar a cintura. Dessa forma, ela conseguia valorizar o que ainda restava de bom nela e esconder as imperfeições. Isso tudo é um estudo que a gente faz em cima do personagem. Eu adorei interpretar a Ornella pela alegria dela em viver, pelas soluções simples para os problemas e pela maneira de encarar a vida sexual. Minha Vida: Falando da Vera versus a Ornella: você se identificou com alguma característica da personagem? Tem o mesmo fôlego da Ornella?
Vera: Acho que só na alegria e no temperamento. De resto, não somos nada parecidas. Eu sou apenas uma estudiosa dos meus personagens, me sinto um ser observador. Além disso, a Ornella era um pouco mais velha que eu. Estou com 54 anos e não me sinto uma mulher de meia-idade. Ela beirava os 60 e a presença da libido muito jovem era marcante na personalidade dela. Para mim, essas já não são mais questões do dia-a-dia. Minha Vida:Você já vivenciou um romance com um rapaz mais novo? O que acha da situação?
Vera: Já vivenciei e não vejo a diferença de idade como uma questão relevante ou que precise ser discutida. É um relacionamento normal, como qualquer outro. Tanto que, na Ornella, o diferencial não era ela se envolver com rapazes mais novos, mas sim o tipo de relação que ela tinha com eles. Minha Vida:Você é casada?
Vera: Namoro o artista plástico Fernando Guimarães há seis anos. Casamento é uma coisa muito institucional, nunca me atraiu. Ao Fernando também não. Ele mora em Brasília, então nosso relacionamento é entre a ponte aérea Rio/Brasília. A gente se vê na medida do possível. Geralmente, uma vez por mês. Minha Vida:Não deixa de ser um relacionamento à distância. A saudade não aperta?
Vera: Eu costumo dizer que é um relacionamento bem especial e que só a gente entende. Não temos mais essa necessidade de estar juntos sempre para que tudo corra bem. A gente se vê o suficiente. Não existe saudade. Nossa relação sobrevive com outro tipo de adjetivação. Só a gente sabe. Minha Vida: É um relacionamento aberto?
Vera: De maneira nenhuma. Essa coisa de relacionamento aberto não existe. É uma invenção da mídia que não dá certo na realidade. É apenas um relacionamento especial em que cada um tem seu espaço. Minha Vida:E filhos? Nunca quis ter?
Vera: Eu me considero uma pessoa bastante família, mas nunca tive a intenção de construir minha própria família. Optei por uma vida fora de casa e busco sempre satisfazer a alma. É isso que a arte significa para mim: satisfações da alma. Minha Vida:Cachorros, pelo menos?
Vera: Sim, cachorro sim. Tenho dois malteses brancos e adoro. É lógico que eles não substituem os filhos, mas não deixam de ser seres de que a gente precisa cuidar. Cada um tem um temperamento, mas os dois alegram meus dias. Minha Vida:Você tem medo de se arrepender, um dia, por não ter construído uma família?
Vera: Jamais. Não vou sentir falta de uma vida que eu nunca quis ter. Desde muito jovem meus objetivos já estavam claros na minha cabeça. Minha Vida:E nas tarefas domésticas, como você se vira? Sabe cozinhar? Vera: Ah, não sei fazer nada relacionado a isso. Tenho grandes colaboradores dentro de casa. Eles são praticamente da família e me ajudam nestas tarefas. Minha Vida:Já está enfrentando os calorões da menopausa? A libido continua a mesma?
Vera: Acho que estou no meio da menopausa. Mas, como fiz um tratamento fitoterápico que serviu como método preventivo, não tenho nenhum sintoma. Nem os calorões, nem a diminuição da libido. Comigo continua tudo igual. Minha Vida:E quando é chamada de senhora? Encara numa boa?
Vera: Eu gosto muito da velhice. Acho que por eu ter convivido sempre com ela, é uma coisa que não me surpreende. Eu tenho tias de 94, 95 anos e entendo a velhice. Quanto às mudanças que o corpo sofre, também é algo que não me abala. A gente está em freqüente evolução e modificação. O corpo da menina muda com a menstruação, na adolescência sofre outros tipos de mudanças e, quando a mulher envelhece, mais outras. È uma coisa completamente natural para mim. Minha Vida: Quais são seus cuidados com a saúde e a alimentação?
Vera: Cada época, eu faço um tipo de alimentação, mas nenhuma muito rigorosa. Agora estou na fase da dieta orgânica. Eu gosto de tudo e também gosto muito de experimentar coisas novas, desde a cozinha indiana à tailandesa. Minha Vida: Pratica algum tipo de exercício?
Vera: Ih, já fiz de tudo também, mas há uns dois meses estou parada. Já fiz alongamento, pilates, hidroginástica, bicicleta, caminhada. Logo mais arranjo outra atividade.