Botox: toxina botulínica ameniza rugas e linhas de expressão

Tratamento é usado para rejuvenescer, principalmente, região dos olhos e testa

REVISADO POR
Dra. Denise Steiner
Dermatologia - CRM 36505/SP
especialista minha vida

O que é o botox?

A toxina botulínica popularmente conhecida como botox é uma toxina produzida por uma bactéria chamada Clostridium botulinum. É a mesma bactéria causadora da doença botulismo, mas a toxina botulínica industrializada é purificada e usada em doses que não causam a doença. A toxina é aplicada no músculo e provoca o relaxamento da região.

Os órgãos de vigilância sanitária determinam as possibilidades de utilização desta substância para diferentes situações em cada país. Aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 1992, o botox tornou-se a primeira toxina botulínica registrada no Brasil e, desde então, tem recebido um número progressivo de indicações estéticas e terapêuticas, como no uso do tratamento para a hiperidrose.

Outros nomes

Existem diversos nomes comerciais, o botox é o nome mais conhecido da toxina botulínica. A toxina botulínica tem subtipos como A, B, C, a utilizada em medicina é a tipo A.

Outros nomes comercias: Dysport, Xeomin, Botulifit, embora seja a mesma toxina A. As toxinas botulínicas industrializadas têm pequenas diferenças entre si e recebem subnomes como: OnabotulinumtoxinA (Botox®), AbobotulinumtoxinA (Dysport®), RimabotulinumtoxinB (Myobloc® - não está disponível no Brasil), IncobotulinumtoxinA (Xeomin®). Toxinas botulínicas de diferentes empresas têm características próprias, dosagens e eficácia diferentes.

Indicações da toxina botulínica

O botox para uso estético é indicado para suavizar as rugas e linhas de expressão do rosto. Entre as linhas tratadas estão as rugas da testa, a glabela (espaço entre as sobrancelhas) e, os pés de galinha, rugas que se formam na região dos olhos. Para sulcos ao redor dos lábios, entre eles o famoso bigode chinês - linha que se forma entre o nariz e o canto da boca - o mais recomendado é o preenchimento facial, pois é uma região de bastante movimento e não é possível atuar na musculatura sob pena de deixar o rosto paralisado.

A principal motivação para este tratamento estético é o incômodo gerado pelas rugas ao paciente. Em comparação com cremes para rugas e linhas de expressão, o botox costuma trazer resultados mais visíveis. No entanto, a indicação do botox depende de avaliação médica individualizada.


Ação do botox

As rugas aparecem devido ao envelhecimento facial, que ocorre por idade, exposição solar inadequada, má alimentação e tabagismo, entre outros. Mas o fator imprescindível para seu aparecimento é a contração natural dos músculos do rosto, que formam as chamadas linhas de expressão, entre outros. Por exemplo: muitas pessoas tem o hábito de franzir a testa ao se expressar, mas com o passar do tempo essa contração dos músculos da região gera vincos horizontais na pele. O mesmo acontece com as rugas ao redor dos olhos - resultado da tensão gerada quando sorrimos ou forçamos a vista, por exemplo.

Quando é injetada nessas rugas, a toxina botulínica age como um bloqueador neuromuscular, ou seja, bloqueando a transmissão de estímulos dos neurônios para os músculos, impedindo, parcial ou totalmente, a contração muscular. "Esse bloqueio apesar de ser irreversível é temporário, pois o organismo trata de construir novas vias de transmissão depois de algum tempo", explica o dermatologista João Paulo Junqueira Magalhães Afonso, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.

No caso das linhas de expressão, o benefício se dá de duas maneiras:

1 - De forma preventiva: como a contração muscular é paralisada não haverá a formação de rugas pela movimentação muscular na área em que foi aplicado o botox.

2 - De forma reparativa: como o botox tira a tensão da musculatura, as rugas, causadas por esses músculos, são amenizadas.

Pré-requisitos para a aplicação do botox

Não há idade especifico, mas o bom senso diz que é melhor após os 25 anos ou quando as rugas de expressão começam a incomodar. Evitar O tratamento não dever ser feito em grávidas e em mulheres amamentando.

Como é feita a aplicação do botox

Aplicação do botox - foto: Getty Images
Aplicação do botox

A toxina botulínica vem em frascos como o pó sendo necessário diluição com soro fisiológico. Ela é injetada na área a ser tratada com distância de 1.5cm de um ponto para o outro, utiliza-se a aplicação rápida e quase sem anestesia tópica. A aplicação é praticamente indolor, porém o local deve ser detalhadamente estudado pelo especialista, para que o resultado seja o mais natural possível.

Profissionais que podem aplicar o botox

Dermatologistas e cirurgiões plásticos são os profissionais mais preparados para aplicar o tratamento estético com botox. "Cheque a formação e certificação de seu médico antes de se submeter a procedimentos", recomenda o dermatologista João Paulo.

Contraindicações

O botox, assim como todo medicamento, é contraindicado para pacientes que apresentam alergia a qualquer componente de sua formulação. Mulheres grávidas ou em amamentação, portadores de doenças neuromusculares, imunológicas e coagulopatias (ou ainda pessoas que utilizem anticoagulantes, aminoglicosídeos e drogas que interfiram na transmissão neuromuscular) não devem ser tratados com a substância.

Doses utilizadas

Seguindo protocolos rigorosos de tratamento, em uma primeira aplicação, os serviços de bloqueio neuromuscular devem sempre se pautar pelo uso da "mínima dose efetiva" de toxina botulínica. Entretanto, o cálculo da dose a ser aplicada depende, necessariamente, da indicação e do tratamento a ser realizado.

Resultados da aplicação de botox

O resultado da aplicação do botox em estética começa a ser notado no prazo de dois a cinco dias a partir do momento da aplicação. Os resultados tornam-se mais pronunciados por até duas semanas. A partir de então os resultados permanecerão estáveis pelo período aproximado de quatro a seis meses." No uso estético, os efeitos do botox podem durar de três a quatro meses, mas há casos em que os resultados permanecem até seis meses", explica a dermatologista Bruna Bravo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. No entanto, o tempo de aparecimento dos resultados e sua duração variam de caso para caso.

Intervalo entre as aplicações

Por ser um medicamento biológico, deve ser seguido um intervalo mínimo de três meses entre cada aplicação, considerando a mesma região tratada. Caso esse prazo não seja respeitado, pode se desenvolver uma resistência ao produto e o botox perde seu efeito. Deve ser evitada a aplicação antes de 2 meses para evitar resistência. Independente disso, o tempo é variável de 6 meses a 1 ano para reaplicação.

Riscos associados

Desde que realizada por um profissional adequadamente treinado e com boa experiência, a aplicação do botox pode ser considerada um tratamento seguro.

Entretanto, como a principal intenção de se indicar o tratamento é a de promover efeitos locais (no músculo rígido; na região axilar com sudorese excessiva, entre outros), o botox necessita ser introduzido por uma agulha.

Hematomas, neste caso, podem ocorrer naturalmente pela própria introdução da agulha que, em seu trajeto, poderá perfurar vasos sanguíneos e promover pequenos e autolimitados sangramentos locais. A dor é uma situação esperada ao se realizar o procedimento. No entanto, tudo dependerá - mais uma vez - do paciente e dos locais a serem tratados. O produto em si não promove dor local.

Nos músculos da face, cremes anestésicos à base de lidocaína reduzem significativamente a dor no momento da aplicação.

Perda da expressão em decorrência do uso de botox

Se for utilizada uma dose excessiva pode haver certa perda de expressão, que será revertida com o tempo. Mas se aplicada por profissionais competentes esse risco é bem menor. O uso frequente da substância não provoca perda da expressão.

Usos terapêuticos do botox

Além do uso estético, o botox pode ser utilizado para o uso terapêutico no tratamento de bexiga hiperativa, espasticidade disfuncional (rigidez muscular excessiva), distonias, espasmo hemifacial, hiperidrose, enxaqueca (migrânea crônica), estrabismo e blefaroespasmo.

Fontes consultadas

Dermatologista João Paulo Junqueira Magalhães Afonso (CRM: 119743), do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.

Neurologista Cristiano Milani (CRM: 99672), vice-coordenador do Departamento Científico de Neuroreabilitação da Academia Brasileira de Neurologia.

Urologista Caio Cintra (CRM: 93719), responsável pelo serviço de urodinâmica da AACD, de São Paulo.

Dermatologista Bruna Bravo,(CRM: 732745), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.