Mastopexia: cirurgia plástica corrige mamas caídas

Procedimento pode ser feito com implante de próteses de silicone

POR MANUELA PAGAN

O que é a mastopexia

Cirurgia de mastopexia trata a ptose dos seios - foto: Getty Images
Cirurgia de mastopexia trata a ptose dos seios

A mastopexia é uma cirurgia que tem como objetivo reverter o caimento natural dos seios (ptose mamária), reposicionando a aréola e a pele com flacidez, elevando as mamas até sua posição original, garantindo simetria.

Outros nomes

Lifting de mama e mamoplastia são sinônimos para mastopexia.                                                                                               

Indicações da mastopexia

A mastopexia está indicada para mulheres que apresentam flacidez e caimento das mamas em função do envelhecimento, grande variação do peso ou amamentação.


Como é feita a mastopexia

Cirurgia plástica - foto: Getty Images
Cirurgia plástica
  • Será realizada uma anestesia local com sedação, geral ou peridural.
  • A cirurgia pode ser realizada com implante de silicone nos seios ou não, dependendo da quantidade de tecido mamário. "Existem casos em que a mama está com espaços vazios, que precisam ser preenchidos pelo silicone para que seja devolvida a firmeza e a sustentação", explica o cirurgião plástico Alexandre Kataoka, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. "Com a idade, o tecido mamário atrofia, ou seja, vai diminuindo, isso é o que causa este problema".
  • Nos casos em que não é necessário o uso de próteses de silicone, é feita a retirada do excesso de pele e o reposicionamento do tecido mamário para dar um novo contorno à mama. Em alguns casos, o cirurgião também retira gorduras ou glândulas a fim de dar aos seios um bom formato.
  • As incisões geralmente são realizadas ao redor da região dos mamilos, podendo estender-se em uma linha vertical saindo da aréola em direção à base do seio ou ainda para um formato de T invertido, dependendo da quantidade de pele que será retirada.
  • A cirurgia dura, em média, de uma hora e meia à quatro horas.
  • A paciente pode deixar o hospital no mesmo dia ou ainda permanecer internada por 24 horas.

Preparação para a cirurgia

Anestesia - foto: Getty Images
Anestesia

Exames necessários

Além dos exames necessários antes de qualquer cirurgia (hemograma completo e avaliação da coagulação do sangue), é recomendado que seja feita a avaliação da mama através dos exames de ultrassom e mamografia. Esses exames são feitos com o objetivo de detectar possíveis lesões ou alterações nas mamas, como cistos ou nódulos. "Na maioria das vezes servem apenas como histórico, não sendo necessária a retirada dos cistos", explica a cirurgiã plástica Maria Carolina Coutinho, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. "Essa conduta é importante para saber que aquele nódulo ou cisto não apareceu por conta da cirurgia (por uma cicatriz interna, por exemplo), o que pode dificultar detecção de tumores mamários futuros".

Jejum

É necessário que a paciente esteja em jejum de oito horas para realizar a cirurgia.


Cuidados após a cirurgia

Movimentação dos braços

No começo a movimentação dos braços é limitada, pois quando esses membros são movimentados, a musculatura e, em consequência, a mama também se mexe. A paciente não deve elevar os braços acima do nível dos ombros por duas semanas.

Tabagismo

Ele deve ser evitado no pós-operatório da cirurgia. O ideal é que o paciente abandone de vez o hábito, mas, se não for possível, que fique pelo menos um mês sem fumar. O cigarro dificulta a microcirculação de sangue no local da cirurgia, prejudicando a cicatrização. O resultado pode ser uma cicatriz indesejável e até a formação de queloides.

Medicação necessária

Em geral, o médico pode receitar anti-inflamatórios, antibióticos e, se necessário, analgésicos. É comum ainda que sejam usadas pomadas à base de silicone para otimizar a cicatrização.

Repouso

Está indicado o repouso de 15 dias, em seguida, se não houver qualquer problema, a paciente pode voltar ao trabalho. É preciso esperar 21 dias até que seja possível dirigir novamente. Exercícios leves, como a caminhada, podem ser feitos depois de um mês, sempre com uma roupa própria para atividade física e que dê suporte adequado para que os seios não balancem. Convém esperar dois meses para a realização de exercícios intensos, como a musculação. Também é importante evitar relações sexuais por pelo menos duas semanas após a cirurgia. Esses cuidados diminuem alguns riscos: "Nos primeiros 15 dias existe a chance de abertura dos pontos, a partir daí o risco é de alargamento da cicatriz com resultado estético insatisfatório", explica Maria Carolina. "Há casos de ocorrência de hematomas mais tardios, mesmo após 15 dias, se a paciente fizer esforço intenso".

Sutiã cirúrgico

Deve ser usado com o objetivo de diminuir o inchaço e sustentar e remodelar a mama por 30 dias. Ele deve ser usado de forma contínua, retirado apenas para o banho. Em seguida eles podem ser substituídos por sutiãs normais, exceto os sutiãs meia taça, que possuem arame de sustentação. "O arame comprime as mamas na região da cicatriz e, mesmo nos casos em que não há incisão inferior, existe o risco de marcar a pele devido ao inchaço dessa região", explica Maria Carolina. "A paciente está liberada para usar sutiã com arame após três meses".

Curativo e higiene

A cirurgiã plástica Maria Carolina Coutinho explica que logo após a cirurgia é feito um curativo impermeável, cuja troca é feita no consultório médico. Em seguida é realizado um curativo simples, com gaze, que pode ser refeito em casa após a higienização adequada com água e sabonete neutro. O mamilo pode ficar dolorido e sensível ao toque após a cirurgia, por isso, a cirurgiã recomenda que sejam colocadas gazes também nessa região, evitando a fricção com roupas.

Cicatrizes

As cicatrizes são permanentes, visíveis e, na maioria das vezes, acompanham o trajeto da incisão (periareolar, com ou sem linha vertical, ou em T invertido) mas, na maioria das vezes, melhoram significativamente ao longo do tempo.

Posição para dormir

A paciente deve dormir de barriga para cima, nunca de bruços ou de lado, utilizando um ou dois travesseiros para elevar o tórax discretamente. Só será permitido dormir de lado e de bruços após seis semanas e três meses, respectivamente. 

Contraindicações à mastopexia

A mastopexia raramente é indicada para mulheres jovens, pois a cirurgia pode atrapalhar a amamentação. "A mastopexia, como qualquer cirurgia cuja incisão seja feita ao redor da aréola, causa a perda dos ductos da mama, os canais responsáveis por conduzir o leite", explica a cirurgiã plástica Maria Carolina Coutinho, também membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. "A mulher tem 50% de chances que os canais voltem a se formar, além disso, os resultados podem ser perdidos pela amamentação". Logo, se a paciente deseja engravidar, a mastopexia não é a cirurgia mais indicada.

Além disso, indivíduos que possuem doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmicos, ou doenças crônicas descompensadas, como diabetes, hipertensão ou insuficiência cardíaca, devem evitar a cirurgia sob o risco de piorarem o quadro da doença.

Efeitos adversos da mastopexia

Após a cirurgia plástica de mastopexia, há chances de que a cicatriz fique desfavorável na mama. Também podem ocorrer sangramento e formação de hematoma e alteração permanente ou temporária da sensibilidade do mamilo ou da mama. Há a possibilidade de que as mamas fiquem assimétricas e com contorno e forma irregulares. É possível que haja descoloração da pele, alterações da pigmentação, inchaço, dor, que pode perdurar, e há possibilidade de necessidade um novo procedimento cirúrgico(retoque).

Riscos que a mastopexia oferece à saúde

Como toda cirurgia, a mastopexia inclui danos maiores à saúde. Entre eles estão as infecções locais ou generalizadas, danos em estruturas mais profundas tais como nervos, vasos sanguíneos e músculos, de forma temporária ou permanente. Há possibilidade de haver alergias ao material do curativo, ao fio de sutura, as colas, aos derivados do sangue, a medicações tópicas ou injetadas. Também há chances de que haja necrose do tecido adiposo (da gordura) e acúmulo de líquido no local da cirurgia (seromas). Entre as complicações mais graves estão: possibilidade de perda parcial ou total do mamilo e da aréola, trombose venosa profunda, complicações cardíacas e pulmonares.

Existem também riscos associados à anestesia, como alteração da frequência cardíaca e da pressão arterial.

Resultados

Preparação para cirurgia de mastopexia - foto: Getty Images
Preparação para cirurgia de mastopexia

O resultado final aparecerá ao longo dos meses. Em média, após um ano é possível ver os resultados finais, como a forma e a posição da mama desejadas. "Porém as alterações de cicatrização perduram até um ano, aproximadamente, fase em que as cicatrizes já se encontram mais finas e claras", explica Maria Carolina Coutinho.

As mamas podem voltar a cair. Uma nova ptose das mamas será influenciada pela qualidade da pele (firme ou flácida), nova oscilação grande de peso, envelhecimento e amamentação.

Profissional que pode fazer essa cirurgia

Deve ser realizada por cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, outros médicos também podem realizar a cirurgia, mas, neste caso, o cirurgião plástico é o mais preparado.

Cheque antes da consulta

  • O médico que você irá consultar deve ter registro no Conselho Federal de Medicina (CFM), é possível fazer essa checagem no site da instituição
  • O profissional deve ser membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Outras instituições não avaliam a formação e experiência do profissional desta área
  • A cirurgia deve ser feita em hospital que tenha creditação para realizar cirurgias de médio porte. Entre em contato com o hospital para checar
  • Converse com alguém que já fez a cirurgia com o mesmo médico e informe-se sobre o procedimento e os resultados.

Fontes

Cirurgiã plástica Maria Carolina Coutinho (CRM: 113491), membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Cirurgião Plástico Alexandre Kataoka (CRM:112497), membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. 

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