Do futuro ninguém sabe

Disposição e coragem para caminhar são essenciais, mas o futuro continua nublado

Por Especialista - publicado em 10/12/2009


Eu fiquei pensando sobre essa expressão "amanhã nunca se sabe" e, como todo bom taurino, fiquei pouco tranquila com a impossibilidade de me divertir com o incerto. Eu sei, isso é bobagem, já que de nada adianta tentar controlar o futuro. Ainda bem, diz baixinho meu senso de vida.

Que tortura, reclama meu pé no chão. Outro dia eu ouvi que para lidar com o imprevisto só mesmo com uma força imprevista. Totalmente de acordo: eu e o mundo inteiro de coisas vivas sabemos e vivemos à base do inconstante, do caos, e conhecemos igualmente um poder advindo sabe-se lá de onde.

É fato que o ser humano teme a mudança. É fato que qualquer movimento diferente demanda um novo pensar, uma nova postura, uma mecânica nova. A questão que sobra é até que ponto minha disposição e coragem têm força para caminhar. Até que ponto minha vontade de conhecer uma vida sonhada têm fôlego para garantir a sua realização.

No final das contas, tanto a disposição quanto a coragem e o fôlego se resumem em escolha. E escolha, como a gente está careca de saber, acarreta uma renúncia aqui para colher um fruto desejado acolá.  

Quando a gente acorda pela manhã e se pergunta "academia ou dormir mais um pouco?" pensando meramente naquele instante, a impressão que dá é que essa é uma escolha sem consequências, inócua.

Mas, assim como um dia segue outro, uma displicência acaba trazendo mais uma, e mais outra, e mais outra ainda. Até que, nesse caso específico, o sedentarismo se transforma em diabetes, pressão alta, excesso de peso, às vezes depressão. É, nada é tão inócuo assim. 

Por isso é que eu fico aqui, mexendo meus neurônios, tentando entender quais são as armadilhas e benesses a que me imponho e cultivo.

Estarei eu sendo excessivamente exigente comigo mesma? Será, sim, que bom que "amanhã nunca se sabe" porque, assim, podemos todos os dias reinventar? Mas, por outro lado, reinventar todos os dias não é cansativo demais?

Quais pedaços precisamos mudar e quais outros devemos manter e melhorar? Não sei, não. Pelo menos, não ainda. Será que um dia saberei? Ah... perguntas, perguntas... dizem que quem pergunta ainda vive.

Bom, perguntando desse jeito, viveremos por mais 200 anos, no mínimo. "O futuro é para frente e para trás e para os lados" (Clarice Lispector)  


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Escrito por:

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