Um estudo publicado no periódico Annals of Internal Medicine explorou quantitativamente como o comportamento de consumo de álcool se espalha de pessoa para pessoa em uma grande rede social de amigos, colegas, irmãos, cônjuges e vizinhos, acompanhados por 32 anos. Os autores do estudo pertencem ao Massachusetts General Hospital, à Escola de Medicina de Harvard, à Universidade de Boston e à Universidade da Califórnia.
Participaram do estudo mais de 12 mil pessoas, avaliadas em vários momentos entre 1971 e 2003, em relação ao número de doses por semana, em média e o número de dias de consumo na semana. Os laços da rede social também foram avaliados. Grupos de bebedores e abstêmios estiveram presentes na rede em todos os momentos.
Estes agrupamentos não eram apenas encontrados devido à formação seletiva de vínculos sociais entre os consumidores de álcool, mas também pareceu influenciar no relacionamento interpessoal. Alterações no comportamento de consumo de álcool do grupo social de uma pessoa tiveram efeito estatisticamente significativo sobre o comportamento de consumo subsequente dessa pessoa. Os comportamentos dos vizinhos e colegas de trabalho não foram significativamente associados com o comportamento de uma pessoa, porém o comportamento dos parentes e amigos foi, principalmente registrados na rede.
Os dados sugerem que os fenômenos da rede parecem influenciar o comportamento do consumo de álcool. Os autores do estudo disseram que a importância dessa descoberta está em identificar melhores métodos para as intervenções clínicas e de saúde pública. O apoio à intervenções em nível de grupo pode ser uma boa alternativa para reduzir os problemas com o alcoolismo.
O vício de jovens
Outro estudo publicado neste mês no Journal of Studies on Alcohol and Drugs, analisou 5 mil jovens, entre 12 e 19 anos e descobriu que, embora as companhias dos filhos possam influenciar e muito o comportamento deles, o estilo de vida dos pais pode ajudar os filhos a não desenvolverem o alcoolismo. O estudo feito pela Brigham Young University, nos EUA, descobriu que os adolescentes menos propensos a criar o vício em bebida tinham pais muito responsáveis e afetivos.
"Se os pais não podem impedir seus filhos de experimentarem bebidas alcoólicas, eles podem ter um impacto significativo sobre o tipo mais perigoso do hábito de beber, o vício", disse Stephen Bahr, um dos autores do estudo. "Embora os amigos sejam muito importantes, os pais é quem são responsáveis por aquilo que o filho será."