Ser muito organizado no trabalho pode atrapalhar vida pessoal

Estudo revela que cronograma profissional rígido gera conflitos e estresse em casa

POR MINHA VIDA PUBLICADO EM 04/10/2010

O Equilíbrio entre vida pessoal e profissional é sempre um desafio. No entanto, será que existe alguma desvantagem em manter uma organização rígida no trabalho? De acordo com uma nova pesquisa da Universidade de Toronto, no Canadá, pessoas que têm maior controle da agenda no trabalho tendem a manifestar maiores empecilhos entre a vida profissional e as outras partes da vida, especialmente nos assuntos relacionados à família.

Os pesquisadores mensuraram a extensão do impacto entre o controle da agenda profissional e a relação trabalho x família utilizando dados de mais de 1.200 trabalhadores americanos que responderam a seguinte questão: Quem geralmente decide quando você começa e termina sua jornada diária de trabalho. Existe mais alguém, ou você pode decidir com certos limites? Ou você é totalmente livre para decidir quando começa e termina o expediente? 

O estudo foi realizado com base em algumas outras questões formuladas pelos autores, como: Com que frequência você não tem tempo suficiente para sua família ou outras pessoas importantes na sua vida, por causa do trabalho? Com que frequência você não tem energia suficiente para fazer atividades com essas pessoas devido ao trabalho? Com que frequência seu trabalho rouba sua concentração em momentos importantes com sua família e amigos?

O estudo descreve dois fatores principais sobre as desvantagens do controle da agenda: Pessoas com maior controle da agenda são mais propensas a trabalhar em casa e envolver-se em atividades simultâneas entre família e trabalho, ou seja, elas tentam realizar tarefas do trabalho e domésticas ao mesmo tempo e também em casa. Além disso, essas pessoas que relataram maior indefinição entre as fronteiras do trabalho e da família também tendem a vivenciar mais conflitos e estresse relacionados a esta prática.

Segundo a pesquisa, é crítico descobrir que estas são as condições que determinam os conflitos entre trabalho e família, pois um número importante de evidências sociais e científicas demonstra sua ligação com o aparecimento de piores condições de saúde física e mental.  

Trabalhar demais

Trabalhar além da conta pode trazer consequências negativas para a saúde e para o bem-estar. Saiba que isto tem um nome, a síndrome de Burnout. O nome é o resultado da junção entre as palavras burn (queimar) e out (exterior) e descreve uma espécie de estresse ocupacional em que a pessoa se consome física e emocionalmente, o que por sua vez, acarreta em exaustão, frustração, agressividade e irritação.

De acordo com a psicóloga Adriana de Araújo, especialista do Minha Vida, boa parte dos sintomas também é comum em casos de estresse convencional. A especialista alerta que a síndrome está sempre ligada à carreira profissional e que pode ser mais frequente em pessoas que ocupam posições em que se espera uma atitude assistencialista ou solidária. Adriana aponta que algumas áreas podem ser mais estressantes e os profissionais mais afetados são aqueles que trabalham em: Tecnologia da Informação; Medicina; Engenharia; Vendas e Marketing; Educação; Finanças; Recursos Humanos; Operações; Produção e Religião. Além disso, o problema também pode atingir outras pessoas como, donas de casa e executivos.

"Em geral, são indivíduos que gostam e se envolvem com o que fazem, não medindo esforços para atingir seus próprios objetivos e os da instituição em que atuam. De certa forma, é tudo o que as organizações esperam de um bom profissional", explica Adriana. Ela completa, "Ou seja, são pessoas excessivamente críticas, muito exigentes consigo mesmas e com os outros e que têm maior dificuldade para lidar com situações difíceis".  

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