Rotular-se a partir de maus exemplos pode afetar autoestima

Chave para manter o otimismo é acreditar que o momento ruim é passageiro

ARTIGO DE ESPECIALISTA - ATUALIZADO EM 05/09/2016

Crenças são pilares de sustentação da nossa personalidade. Elas guiam nossas decisões e comportamentos em todas as áreas da nossa vida, determinando o que nos parece bom, mau, possível ou impossível.

Desde que nascemos vamos colecionando construções mentais baseadas no que aprendemos com nossos pais, parentes, amigos, professores, colegas e até mesmo com a televisão, com livros, com jornais e com revistas. Esse conhecimento tem grande potencial para percorrer toda a vida da pessoa. Um bom exemplo é como nos ligamos fortemente à determinada religião, posição social ou esportiva, que aprendemos quando crianças.

Na infância, a criança está "aberta" e curiosa para descobrir o mundo e pode ser altamente influenciada pelos outros. Desta forma, os rótulos com os quais ela se identifica (sou bonito, sou inteligente) ou com os quais identifica as outras pessoas (ela é chata, eles são malvados) são formados. Se essa criança não encontra contra-exemplos pelo caminho, esses rótulos se tornam crenças e profecias autorrealizadoras.

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Quanto mais atenção for dada a esses defeitos que acreditamos ter, mais reforçamos isso dentro de nós.

Uma arma tão poderosa pode ser usada de forma positiva ou negativa. Existem crenças que proporcionam resultados positivos, como as suposições de Programação Neurolinguística: "temos todos os recursos de que precisamos' ou "se alguém foi capaz de aprender determinada coisa, eu também sou".

Outras são benéficas dependendo do contexto. Ser paciente, por exemplo, pode não ser legal quando a situação demanda um pouco de proatividade. Existem outras, entretanto, que atrapalham muito mais do que ajudam, como "eu não faço nada direito", "sou incompetente", "não sei lidar com dinheiro", "não consigo emagrecer", "só atraio as pessoas erradas"... Isso lhe soa familiar?

Quanto mais atenção for dada a esses defeitos que acreditamos ter, mais reforçamos isso dentro de nós. Principalmente quando apontamos nossos defeitos na primeira pessoa, ou seja, "Eu sou...". Nesta condição, estamos direcionando os pensamentos em nível de identidade e, assim, estamos nos rotulando definitivamente, tornando mais difícil transformar essa situação.

Rotular-se como fracassado pode levar ao fracasso para todas as áreas da vida, tanto profissional quanto social e afetiva.

Ao mudar o nível para comportamental, para "Eu estou...", entretanto, fazemos ligações mentais em termos passageiros. A expressão dá a entender que esta condição é para este momento e deve passar ou mudar em breve.

O maior risco de se passar anos e anos reforçando esses padrões é o fato de que fica cada vez mais difícil deixar de acreditar neles. Neste caso a pessoa acaba encontrando defeitos mesmo quando não existem provas concretas que sustentem tal crença, criando-se assim evidências menos objetivas. Rotular-se como fracassado pode levar ao fracasso para todas as áreas da vida, tanto profissional quanto social e afetiva.

O jeito mais fácil de enfraquecer uma crença negativa é desafiá-la, encontrando contra-exemplos que mostrem a realidade. Um exemplo é imaginar: como posso ser um fracasso se já fui bem-sucedido antes? No máximo eu estou fracassando, o que não indica que vá fracassar de novo.

Isso acaba por diminuir a crença e recriar um novo significado para padrões mais positivos e produtivos.

Outra forma muito eficaz de mudar esses paradigmas seria encontrar pessoas que corroborem com pensamentos e comportamentos mais produtivos. O velho adágio de "diga com quem anda e direi quem é' funciona muito bem neste sentido. Procure conviver com pessoas que alimentem viver a vida que você deseja e não o contrário.

É importante focar no positivo e tratar a nós mesmos com um pouco mais de carinho. Assim, encontraremos o que há de mais belo na vida: viver.