Síndrome do pânico: testes online são ineficazes para diagnóstico

Internet ajuda a informar, mas não pode substituir consulta médica

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 16/06/2015

Dr. Persio Ribeiro Gomes de Deus
Psiquiatria - CRM 31656/SP
especialista minha vida

Existem alguns problemas com testes de diagnóstico para temas psíquicos, pois eles são em parte subjetivos. Vou explicar melhor: um teste de glicemia é objetivo - você dá a picadinha no dedo, põe a tira no aparelho e o teste revela a dosagem de glicemia na hora; assim também com a verificação da pressão arterial, batimento cardíaco, entre outros. Já os testes para distúrbios psíquicos, como para síndrome do pânico, geralmente envolvem perguntas com respostas de múltiplas escolhas. Os índices de precisão nesses testes, portanto, não são muito confiáveis.

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A internet democratizou e globalizou a informação, o que realmente é um grande ganho para toda a humanidade. Entretanto, informações lançadas na internet sem o devido preparo para um publico "leigo" pode ser perigosas a depender do assunto. Vou explicar para não ser mal compreendido: encontramos na internet até instruções para produzir bombas com alto poder destrutivo, e isto ao alcance de qualquer pessoa - inclusive aquelas não habilitadas a manusear determinados explosivos e detonadores. Ou seja, a informação existe e é aberta para todos, mas isso não quer dizer que todas as pessoas sabem o que fazer com esses dados.

Em minha opinião, os conteúdos online ajudam informar as pessoas sobre as síndromes, mas creio que "diagnosticar" seria um exagero, pois o diagnóstico é um procedimento que requer diversas etapas investigativas e um longo preparo acadêmico. Devemos lembrar que um médico estuda 6 anos para se formar em medicina, e no mínimo mais 4 a 5 anos para se aperfeiçoar em sua especialidade. Aí ele estará capacitado a enfrentar um processo de diagnóstico que é muito mais que colocar uma série de dados em um computador e apertar o "enter".

O diagnóstico de síndrome do pânico e outras síndromes é feito pela análise de um conjunto específico de fatores, como:

  • Sinais e sintomas
  • Anamnese do paciente (histórico do paciente)
  • Antecedentes hereditários
  • Histórico de doenças pessoais
  • Fatores estressores externos (físicos, químicos, tóxicos, ambientais, traumáticos, psíquicos, agentes patogênicos como vírus e outras infecções)
  • Fatores estressores internos (orgânicos, disfunções metabólicas, doenças silenciosas, disfunções orgânicas).
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Ou seja, é feita a análise de processos que ativem o "sistema de alerta inespecífico" responsável pelo "start" da resposta frente a uma ameaça ou perigo, gerando a partir daí a reação de pânico ou a Síndrome de Pânico, e a realização de uma série de exames clínicos laboratoriais e de imagem.

Os sintomas que devem servir de alerta para procurar ajuda médica com suspeita de síndrome do pânico envolvem a sensação de um medo sem razão lógica aparente e a incapacidade em controlá-lo. Durante uma crise de síndrome do pânico, a pessoa pode experimentar a sensação de morte, o medo de estar realmente morrendo, a sensação de perda de controle, taquicardia, falta de ar, extremidades frias, medo de perder o controle, entre outros sintomas. As crises podem ser recorrentes, ou seja, podem se repetir inclusive sem causa aparente e causar grande sofrimento e prejuízo, além da limitação na vida profissional, pessoal e social.