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DSTs ameaçam a saúde reprodutiva da mulher

Sintomas podem ser parecidos aos das reações orgânicas comuns do corpo

Por Especialistas Publicado em 6/1/2010

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As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são causadas por vários tipos de agentes. São transmitidas, principalmente, por contato sexual, por meio do sexo sem proteção - sem o uso de camisinha - por uma pessoa que esteja infectada. Geralmente, se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas. As mulheres, em especial, devem ser bastante cuidadosas, uma vez que, em diversos casos de DST, não é fácil distinguir os sintomas das doenças das reações orgânicas comuns de seu organismo. Isso exige da mulher consultas periódicas ao médico. Algumas DST, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves, como a incapacidade de engravidar e até mesmo a morte. 

Uma das principais preocupações relacionadas às DST é o fato de facilitarem a transmissão sexual do HIV. Por seu caráter pandêmico e sua gravidade, a AIDS representa um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade. No Brasil, desde a identificação do primeiro caso, em 1980 até junho de 2008, já foram identificados, aproximadamente, 506 mil casos da doença.

DST e infertilidade
Geralmente, a população mais atingida pelas DST é formada por jovens em idade reprodutiva. As complicações são imediatas, causando inflamação nos genitais internos do homem e da mulher - o que pode provocar a infertilidade de ambos. Apenas uma minoria, entre 20% e 30% dos doentes, percebe algum sinal ou sintoma.

As doenças inflamatórias da pelve são as grandes vilãs da fertilidade. Decorrentes de DST, como a clamídia e a gonorréia, afetam o útero, a tuba uterina e os demais órgãos reprodutivos. As inflamações na pelve podem resultar também em aderências nas trompas, que dificultam o processo de mobilidade do espermatozóide na busca pelo óvulo.

Mais de um milhão de mulheres contrai uma inflamação pélvica a cada ano.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos, mais de um milhão de mulheres contrai uma inflamação pélvica a cada ano. Deste contingente, cem mil tornam-se inférteis. A American Social Health Associated reporta que 15% das mulheres com problemas de infertilidade podem atribuí-los ao dano causado por uma inflamação pélvica advinda de uma DST não tratada. 

DST e gravidez
Quando as DST acometem gestantes podem atingir o feto durante seu desenvolvimento, causando-lhe lesões. Podem também provocar uma interrupção espontânea da gravidez (aborto), determinar uma gravidez ectópica (fora do útero) ou causar o nascimento de crianças com malformações. Durante o parto, podem atingir o recém-nascido, causando doenças nos olhos e pulmões. Diante dessas possibilidades, o acesso das mulheres ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado de todas as DST é fundamental. Some-se a isto o uso de preservativos em todas as relações sexuais, método mais eficaz para a redução do risco de transmissão, tanto das DST, quanto do vírus da AIDS.

A afirmação é reforçada por um estudo feito pelo Programa Nacional de DST e AIDS, do Ministério da Saúde. Ao todo, foram analisadas 3.303 gestantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Manaus, Fortaleza e Goiânia. Realizada entre 2004 e 2005, a pesquisa reuniu grávidas com até 29 anos e parceiros estáveis e mostrou que 42% delas apresentaram algum tipo de DST. Os resultados mostraram, ainda que 49% das grávidas nunca usam preservativo com o parceiro fixo. E cerca de 17% teve mais de um parceiro sexual nos 12 meses anteriores. O objetivo do estudo foi mostrar quantas mulheres têm doenças sexuais e não sabem. Muitas pacientes ficam espantadas quando são examinadas e descobrem que adquiriram uma DST durante a gravidez. A maioria acha que está protegida pelo bebê.

Os problemas mais encontrados nas gestantes que participaram da pesquisa foram a clamídia - infecção que pode danificar o aparelho reprodutivo da mulher - e a sífilis - que é transmitida através do contato direto com a ferida. Estimativas oficiais apontam a prevalência de sífilis em 1,6% das mulheres no momento do parto, aproximadamente 49 mil grávidas.

A sífilis na gestação foi incluída como doença sexualmente transmissível de notificação compulsória devido à sua elevada taxa de prevalência, de transmissão vertical e da alta mortalidade. A incidência de sífilis em parturientes é 4 vezes maior que a da infecção pelo HIV (0,42% das mulheres, 13 mil grávidas infectadas pelo HIV no momento do parto). É considerada infectada toda gestante que durante o pré-natal, no momento do parto ou curetagem apresente evidência clínica de sífilis, com teste positivo ou não realizado. 

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