Passar pelas mudanças causadas por uma brusca queda de hormônios típica da meia-idade requer habilidade da ala feminina. A transição menopausal, como chamamos o período do climatério ultimamente, envolve diminuições significativas de estrogênio e androgênio , afirma a ginecologista da Unifesp, Carolina Carvalho Ambrogini. No dia-a-dia, isso significa que, além dos calorões súbitos, as mulheres sofrem com a falta de libido e sentem incômodos durante as relações sexuais. (Drible a falta de apetite sexual e apimente seu relacionamento)
De acordo com Carolina, isso acontece porque os níveis de androgênio caem (hormônio masculino produzido também pelas mulheres) é o maior responsável pelo desejo sexual. É claro que o desejo, principalmente o feminino, é multifatorial, envolve questões culturais e emocionais, por exemplo, mas a testosterona tem grande influência , ressalta a ginecologista sobre o papel deste hormônio.Já a ausência de estrogênio é notada com a falta de lubrificação vaginal, que acaba dificultando o ato sexual. Esse hormônio sofre a queda mais repentina e é o responsável pelos diversos sintomas da menopausa , diferencia a especialista.
Causas distintas, tratamento multidisciplinar
Diante de tantos fatores abalando a qualidade de vida das mulheres que passam pelo fim da fertilidade, e da necessidade de uma combinação de tratamentos para amenizar os famosos sintomas da menopausa, a equipe do Ambulatório de Sexualidade no Climatério da Unifesp idealizou o Projeto Afrodite.
Na iniciativa da universidade, a menopausa é abordada e diagnosticada por todos os lados, a fim de driblar os muitos sintomas. Atendemos gratuitamente mulheres na faixa dos 47 anos. Elas passam por três avaliações diferentes: ginecológica, fisioterápica e psicológica , afirma Mara Push, psicóloga da Unifesp e uma das profissionais envolvidas no projeto.
O nosso objetivo é ajudar as mulheres a ultrapassar essa fase sem muitos transtornos, sentindo-se bonitas e sem deixar a sensualidade de lado. Para isso, utilizamos um método integrado, com tratamentos para as disfunções sexuais e orientações psicoterapeuticas , completa a psicóloga. (veja mais sobre abordagem psicológica do trabalho)
Consultas ginecológicas
Carolina, ginecologista participante do Afrodite, é a responsável pela avaliação física das pacientes. Ela explica que, mesmo antes de chegar ao climatério, a mulher apresenta distintas fases hormonais, que têm nítidas influências no desejo sexual. A mulher é cíclica, sofre alterações hormonais mês a mês. No pico da ovulação, a natureza age e aumenta a vontade pelo sexo. O nível é estável no restante do mês , exemplifica.
Ainda falando das modificações da vontade sexual feminina ao longo da vida, a especialista da Unifesp diz que as adeptas da pílula anticoncepcional podem ter o desejo diminuído, já que os comprimidos reduzem a produção dos hormônios ovarianos (estrogênio, testosterona e progesterona). (Veja os diferentes tipos de métodos contraceptivos)
As grávidas também passam por algumas modificações. Não só hormonais, como também psicológicas , lembra Mara. É um momento que a mulher se distancia do sexo por achar que é a época de se tornar mãe apenas. Essa distorção é bem comum , completa a psicóloga. (Sexo na gravidez é permitido e pode ser uma delícia)
O mesmo acontece com as lactantes. Nessa fase, o próprio organismo se responsabiliza pela inibição da libido. É como se o corpo soubesse que não é hora de engravidar novamente , ressalta Mara.
Chegando à meia-idade, as mudanças incomodam mais e precisam de atenção especial. O foco do tratamento ginecológico é voltado para as taxas hormonais. Eu peço alguns exames para poder analisar qual o tratamento mais indicado para cada paciente , conta Carolina.
Fisioterapia
A fisioterapeuta Michele Waitman, também especialista da Unifesp e do Projeto Afrodite, alerta para mais um tipo de transtorno causado pela queda de hormônios. Sem a atuação do estrogênio no organismo, a mulher perde colágeno. Entre outras funções, o colágeno envolve e segura a bexiga. Perdendo esse poder, a mulher pode passar a ter escape de urina, durante as relações . Para evitar o constrangimento que a maioria das mulheres sente quando isso acontece, as sessões de fisioterapia entram em ação.
Michele afirma que o tratamento tem diferentes enfoques, já que os sintomas podem ser variados. Além do escape de urina, as mulheres podem enfrentar dores durante o sexo. Por isso, os métodos da fisioterapia são usados para melhorar a performance sexual , explica a fisio.
A gente alia três técnicas da fisioterapia: massagem, aparelho com ondas elétricas para promover a analgesia e exercícios para fortalecer a musculatura perineal. As pacientes também levam algumas tarefas para casa , fala Michele sobre as sessões fisioterápicas. O tratamento é individual, de acordo com a necessidade de cada paciente. Porém, Michele afirma que 10 sessões de fisioterapia são suficientes para os resultados aparecerem.
Mais informações:
Tel: 11/5549-6174
texto6Ds