Você sai do consultório confuso. Por um lado, o diagnóstico traz alívio (afinal, identificar o problema quase sempre é sinal de tratamento e, portanto, melhora à vista). Por outro, no entanto, a leva de termos técnicos e explicações difíceis de entender dão um nó no pensamento e chegam a causar desespero. As dúvidas são muitas, mas a falta de repertório (e a vergonha de assumir isso) acaba levando muita gente a permanecer em silêncio. (um guia online tira todas as suas dúvidas sobre saúde)
Aí que entra uma aliada dos pacientes mais tímidos (ou mais curiosos): a internet. Num estudo recente, feito com 116 pessoas de todas as regiões do Brasil, a pesquisadora Wilma Madeira identificou que 85,4% dos entrevistados acessam a internet, após uma consulta
médica, para aprofundar os dados fornecidos pelo especialista. Isso representa um avanço, pois mostra que a informação passa a ser percebida como um direito do paciente no exercício de sua autonomia , afirma Wilma, que acaba de defender a tese de mestrado Navegar é preciso: avaliação de impactos do uso da internet na relação médico-paciente, na Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo (USP).
E a rede tem ajudado até mesmo quem não tem acesso direto a ela. Segundo o levantamento feito por Wilma, quem busca informações sobre saúde e doenças não faz isso apenas em proveito próprio, mas também para atender a interesses de outras pessoas, como amigos e familiares. A idéia não é apenas entender mais sobre o problema, mas buscar subsídios para tomar uma decisão quanto aos procedimentos de saúde a serem realizados após a consulta médica , diz a pesquisadora, que também coordena os projetos de pesquisa e gestão do Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes.
Esse trabalho de detetive virtual acaba interferindo -- para melhor!-- na recuperação. Isso porque, consciente dos riscos a que está sujeito, você tem mais condições de prevenir. Além disso, a enxurrada de informações ainda provoca reflexos na relação com o médico dali em diante. Apesar de limitada, a participação do paciente interfere na consulta seguinte , identifica Wilma. Ele oferece informações que apóiam o diagnóstico e o tratamento, além de questionar as orientações do profissional com base nas pesquisas realizadas na internet .
Trata-se de uma nova maneira de agir que, aliás, tem trazido mais tranqüilidade para os pacientes e também para os especialistas, mais à vontade para discutirem seus diagnósticos. Basicamente, há duas visões distintas sobre a participação: a de que ela aumenta a eficiência, pois as pessoas concordam e assumem posição ativa na implementação das decisões; e a visão de que a participação é um direito básico , escreve a autora da tese. Ou seja, ponto positivo para os dois lados da mesa. (saiba mais sobre a pressão alta)
Crônico sem crise
A rede ganha ainda mais importância na rotina de quem lida com problemas crônicos. Sem cura na maioria das vezes, doenças como diabetes e hipertensão demandam acompanhamento constante, e nisso um computador conectado ajuda bastante, tornando-se fonte acessível, rápida e atualizada para quem quer estar por dentro dos avanços da Medicina. Já cheguei a levar ao médico novidades que ele desconhecia , informa uma das pessoas que participou da pesquisa apresentada na Faculdade de Saúde Pública da USP.
O procedimento, inclusive, está longe de ser estranho aos especialistas. Isso acontece mesmo e tende a acontecer cada vez mais , afirma o infectologista Paulo Olzon, chefe do departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo. Só ressalto aos meus pacientes que é importante prestar atenção na fonte que eles consultam, priorizando sempre sites confiáveis, de instituições reconhecidas ou que contem com colaboradores pertencentes a elas .
O especialista ainda ressalta outro ponto a favor dos pacientes. Com a internet, acabaram aquelas consultas de 10 minutos. O paciente chega ao consultório cheio de folhas impressas e de perguntas, obrigando o médico a escutá-lo, ao menos. Muitas vezes, não sabemos responder, mas fica aí o compromisso da pesquisa e do retorno. O que é ótimo, porque obriga a atualização profissional constante , diz. (acupuntura diminui uso de remédios)
De tão íntimos da rede, os usuários também já contam com um modelo ideal de site. De acordo com as pessoas que responderam o questionário montado para a tese da coordenadora do instituto Florestan Fernandes, o endereço eletrônico perfeito deve conter mecanismos de busca fácil e rápida; informações técnicas, científicas e legais e as ditas informações leigas; ferramentas que possibilitem a interação, tais como fóruns e comunidades virtuais e, principalmente, a manutenção de um afluxo contínuo de profissionais da saúde e pacientes, participando da gestão do conteúdo e do processo de motivação das interações e inter-relações.
Sendo assim, o número de pacientes curiosos e palpiteiros, por aqui, só tende a crescer. Somos o segundo país da América Latina em competitividade de infra-estrutura de rede e o País que mais cresce anualmente em investimentos e implantação de redes de computadores, em média 130% ao ano; são 1.200 novos domínios registrados a cada dia , aponta Wilma. Para 2007, a Associação Brasileira da
Indústria Elétrica e Eletrônica (ABIEE) trabalha com uma projeção que deve inflar ainda mais estes números: pela primeira vez na história do Brasil, as vendas de computadores devem superar a de televisões: 10 milhões de PCs contra 9,5 milhões de aparelhos de TV.
Saúde digital
O uso da tecnologia como aliada na prevenção e no controle de problemas já tem sido avaliado por especialistas de todo o mundo. Em visita ao Brasil, o médico Ron Ribitzky, estrategista sênior de Saúde Digital da Intel (empresa que lidera, mundialmente, o mercado de microprocessadores), atenta para a importância das pesquisas na área. Na Intel, os testes sempre começam internamente. Percebemos que havia algo errado quando os investimentos em seguro saúde para nossos funcionários somavam 1 bilhão de dólares ao ano, enquanto destinávamos 5 bilhões de dólares para pesquisa e desenvolvimento , afirma. (essências aromáticas têm ação reconhecida pela Medicina)
Essa comparação acendeu o sinal de alerta e levou a multinacional a criar o chamado Grupo de Saúde Digital, responsável por desenvolver sistemas e equipamentos que diminuam as despesas na área de saúde (por parte das empresas e, mesmo, do setor público). No Brasil, o gerente de desenvolvimento de negócios para área de saúde da Intel, José Luiz Bruzadin, destaca os casos do Hospital Cruz Azul, em São Paulo (que dispensa o uso de papel e conta apenas com prontuários eletrônicos, centralizando as informações dos pacientes e evitando erros) e o projeto pioneiro instalado na cidade de Parintins, localizada a 420 Km de Manaus, por via fluvial.
Numa parceria entre a Universidade de São Paulo, o Conselho Federal de Medicina e a Universidade Estadual do Amazonas, com tecnologia Intel, foi criada uma espécie de junta médica on-line. Os médicos que atendem a população de Parintins trocam informações clínicas com seus parceiros, afinados com as últimas pesquisas, e podem oferecer diagnóstico e tratamento muito mais preciso aos pacientes, sem que o sistema público de saúde precise gastar com deslocamentos e evitando a perda de tempo, fatal em muitos casos , diz Bruzadin. Os problemas de pele têm sido o foco dos primeiros debates clínicos desse tipo. (internet melhora sua alimentação)
Por que os pacientes usam a internet?
1. Para verificar, entender ou complementar as informações apresentadas pelos médicos;
2. Para conversar com os médicos em consultas posteriores;
3. Para participar ativamente dos processos de decisão sobre sua saúde
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