Saiba como lidar com a Aids na gestação

Tratamentos permitem que a mulher engravide sem transmitir o vírus ao bebê

Por Laura Tavares - publicado em 01/12/2011


Um número assombra as mulheres: o total de diagnósticos positivos de HIV, atualmente, já de uma paciente para cada 1,7 homem infectado com o vírus, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Há 20 anos, esta proporção era de uma mulher contaminada para seis homens - cenário que vem se alterando, principalmente, devido ao baixo uso de preservativos, durante as relações sexuais, por mulheres casadas ou com relacionamentos estáveis. "Muitas vezes, elas não têm coragem de exigir a proteção na hora do sexo", afirma o infectologista Jorge Senise, da Unifesp.

Dentro deste novo panorama, surge outra preocupação: a transmissão do vírus de possíveis gestantes para seus filhos. A situação, no entanto, pode ser evitada com um pré-natal rigoroso e cuidados durante e após o nascimento do bebê. "Portadoras do HIV que fazem tratamento contra Aids e que têm acompanhamento médico apresentam menos de 2% de chance de passar o vírus para o bebê", afirma o médico.

No Dia Mundial de Luta contra a Aids, o Minha Vida conversou com dois especialistas para saber os cuidados que futuras mães com diagnóstico soropositivo devem tomar para proteger o bebê da infecção, ainda sem cura.

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Teste de HIV - Foto Getty Images

Teste do HIV
"Toda gestante deve fazer, pelo menos, dois testes de HIV durante a gestação para saber se é ou não soropositiva", afirma o infectologista Jorge. O primeiro exame deve ser feito no primeiro trimestre da gestação e o outro no começo do terceiro trimestre. Esse intervalo é necessário para que os resultados não se enganem por efeito da chamada janela imunológica (quando o contágio é recente e não possível detectar a presença do vírus na corrente sanguínea).

Acompanhamento médico - Foto Getty Images

Acompanhamento médico
As consultas de pré-natal da mãe soropositiva seguem a mesma rotina em relação às da mulher isenta do vírus HIV. As visitas ao médico só se tornam mais frequentes quando a gestante tem outros problemas de saúde, como diabetes e hipertensão. "Mas o aparecimento de tais doenças independe da presença do vírus", afirma a infectologista Risia Cristina Santos de Oliveira, do Centro de Referência e Treinamento Aids/DST.

Tratamento - Foto Getty Images

Tratamento
"Toda gestante soropositiva deve receber medicação pelo menos até o parto, mesmo que sua carga viral não exija tratamento", afirma o infectologista Jorge. Segundo o especialista, a mãe recebe um coquetel para reduzir a quantidade de vírus em seu organismo, o que diminui o risco de transmissão para o bebê. No caso das mulheres que já tomavam medicamento antes de engravidar, é necessária uma reavaliação médica, porque alguns remédios podem afetar o desenvolvimento do bebê. Nesses casos, as fórmulas são temporariamente substituídas por outras.

Parto - Foto Getty Images

Parto
Se a carga viral da gestante é mais alta, o parto cesárea é mais recomendado como meio de diminuir o risco de transmissão do vírus HIV para o bebê. "A cesárea  reduz o período de contato do bebê com as secreções e o sangue da mãe", afirma a infectologista Risia. Já no parto normal, o nascimento pode levar horas após o rompimento da bolsa e aumentar os riscos de conminação.

Amamentação - Foto Getty Images

Amamentação
A mãe com vírus HIV é estritamente proibida de amamentar o bebê, sob o risco de aumentar o risco de transmissão da doença através do leite. "O bebê deve receber leite artificial, desenvolvido especialmente para crianças que não devem ou não podem receber o leite materno", afirma Risia. Usar os suprimentos de bancos de leite, disponíveis em alguns hospitais e maternidades, é outra opção. Segundo ela, se o acompanhamento com pediatra for feito regularmente, o bebê vai se desenvolver normalmente apesar da carência do leite materno.

Medicação para o bebê - Foto Getty Images

Medicação para o bebê
Pouco antes do parto, toda gestante soropositiva recebe uma injeção do antiviral AZT. Ainda assim, para reforçar a proteção do bebê, ele deve ingerir uma espécie de xarope do medicamento durante as seis primeiras semanas de vida. O monitoramento médico só acaba após os exames que devem ser realizados quando a criança tem entre quatro e seis semanas e, mais tarde, repetidos por volta dos quatro meses de vida. "Nos primeiros meses, a criança ainda carrega anticorpos da mãe e, por isso, pode apresentar anticorpos contra o HIV no organismo. Mas isso não quer dizer que ela esteja infectada", afirma o especialista Jorge.

Preservativo - Foto Getty Images

Relações sexuais
"A camisinha deve ser usada em qualquer situação, mesmo quando as duas pessoas do casal apresentam HIV", afirma a infectologista Risia. Segundo ela, os tipos de vírus podem ser diferentes, provocando uma nova infecção e aumentando o risco de transmissão do vírus para o bebê.

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