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Bebês prematuros totalizam 10,5% dos nascimentos no Brasil

Prematuridade é a principal causa de mortalidade até os sete dias de vida

Um estudo do Ministério da Saúde coordenado pela Fiocruz estima que 10,5% dos nascimentos no Brasil sejam prematuros. Uma gestação normal dura entre 37 e 42 semanas, mas fatores como a idade da mãe, hipertensão, diabetes gestacional, infecção urinária durante a gravidez, má formação do feto e parto cesariana podem anteceder o nascimento. Os números são resultados preliminares divulgados ontem no Rio de Janeiro em uma conferência da rede global de academias nacionais de ciência.

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Para a pesquisa, foram entrevistadas 24 mil gestantes e todas foram acompanhadas por até 60 dias após o parto. Do total de nascimentos, 52% foram por cesárea e11% dos bebês precisaram de suporte para respirar ao nascer. A prematuridade é a principal causa de mortalidade de crianças com até sete dias de vida, sendo responsável por 28% dos óbitos.

Um levantamento divulgado no ano passado pela Organização Mundial da Saúde apontou o Brasil como o décimo país do mundo com maior número de nascimentos de bebês prematuros. Em 2010, foram quase 280 mil casos. Pra tentar descobrir as causas desses números alarmantes, foi anunciada no evento uma parceria entre a Fundação Bill e Melinda Gates e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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A seguir, veja cuidados especiais que bebês prematuros requerem para que tenham desenvolvimento pleno:

Vínculo com a mãe

Vínculo com a mãe - Foto Getty Images
Vínculo com a mãe - Foto Getty Images

Após o nascimento, o bebê prematuro pode precisar passar dias, semanas ou até mesmo meses na UTI neonatal, o que pode prejudicar o vínculo afetivo com os pais. Muitos hospitais oferecem alternativas a esse distanciamento. "Cada vez mais maternidades têm usado o "método canguru" para estimular o contato entre mãe e filho", aponta o pediatra Sylvio. O procedimento é simples e consiste em manter a criança em contato pele a pele no peito do adulto pelo maior período de tempo possível.

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Além da ligação com a mãe, o método estimula o sistema sensorial do recém-nascido, eleva a oferta do leite materno - diminuindo os riscos de contrair infecções - e ainda ajuda no controle térmico do bebê. O profissional alerta, entretanto, que a aplicação do método canguru depende da gravidade do caso da criança e apenas um médico poderá autorizá-lo.

Amamentação

Amamentação - Foto Getty Images
Amamentação - Foto Getty Images

Uma das grandes dificuldades do prematuro em relação à amamentação é a falta de reflexo e força para sucção, além da prematuridade de seu sistema digestivo. Mesmo assim, apesar de nem sempre poder mamar diretamente no peito logo que nasce, o bebê não deve ser, de forma alguma, privado desse alimento tão nutritivo. "Recomendamos que a mãe faça o bombeamento do leite não só para alimentar a criança, mas também para impedir que ele seque, pois mais para frente o bebê poderá ser amamentado da forma tradicional", aponta o pediatra e neonatologista Jorge Huberman, do Instituto Saúde Plena e do Hospital Albert Einstein. Se não houver tal estímulo, o corpo da mãe entenderá que o leite não precisa mais ser produzido.

Peso

Peso do bebê - Foto Getty Images
Peso do bebê - Foto Getty Images

O peso do bebê prematuro é uma preocupação constante para pais e médicos. "Ele é um dos pré-requisitos para o início da amamentação direto no peito, o começo da vacinação e o recebimento da alta do hospital" afirma o pediatra Jorge Huberman. A criança só poderá sair do hospital quando passar dos 1.900 gramas. Por isso, além de receber cuidados médicos especiais, ela será alimentada com pequenas doses de leite materno e soro. Conforme o tempo passar, a quantidade de leite será aumentada e a de soro reduzida até que a alimentação torne-se exclusiva de leite.

Moleira

Moleira - Foto Getty Images
Moleira - Foto Getty Images

De acordo com o pediatra Sylvio Barros, a fontanela bregmática, conhecida como moleira, é uma abertura provisória dos ossos que formam a calota craniana. Com o tempo, ela vai se fechando até a oclusão total, que ocorre em torno de 18 meses. Essa espécie de membrana requer os mesmos cuidados que um bebê normal precisa: atenção para evitar traumatismos e pressões muito fortes no local.

Temperatura

Temperatura - Foto Getty Images
Temperatura - Foto Getty Images

A temperatura média corporal de um bebê prematuro costuma ser mais baixa do que a de um bebê de nove meses. "Embora ele nasça com mais pelos pelo corpo, uma estratégia natural para mantê-lo aquecido, o seu sistema nervoso central ainda não está totalmente desenvolvido e, por isso, a regulação da temperatura torna-se uma tarefa difícil", afirma o pediatra Jorge. Por isso, é fundamental agasalhar bem o prematuro para mantê-lo aquecido. Só não exagere. O superaquecimento da criança também é prejudicial.

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Sono

Sono - Foto Getty Images
Sono - Foto Getty Images

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que a melhor posição para colocar o bebê para dormir era de lado, pois isso evitava que ele se afogasse caso tivesse refluxo. Em 2009, entretanto, uma campanha do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostrou que dormir de barriga para cima reduzia em 70% os riscos de morte súbita. "O problema é mais comum entre bebês prematuros, devido à imaturidade do sistema respiratório da criança", explica o pediatra Sylvio. Por isso, procure deixar o bebê virado para cima e vigiar as primeiras noites de sono fora do hospital.

Imunidade

Imunidade - Foto Getty Images
Imunidade - Foto Getty Images

Segundo o pediatra Sylvio Barros, quanto mais cedo o bebê nascer, menos os órgãos do prematuro estarão totalmente desenvolvidos. Ele também fica menos tempo recebendo anticorpos da mãe que o protegeriam após o parto, e é por isso que o seu sistema imunológico é bastante deficiente nos primeiros anos de vida.

Além das vacinas tradicionais, os pais devem recorrer a outras que não fazem parte da tabelinha. Algumas delas são bastante caras, mas podem ser fornecidas pelo governo gratuitamente, desde que os pais juntamente com o médico responsável pela criança façam a solicitação.

Outro ponto importante são as visitas. "Embora parentes e amigos queiram conhecer a criança, o fluxo de pessoas entrando e saindo do quarto do hospital e da própria casa deve ser o menor possível", aconselha Jorge Huberman. O pediatra também recomenda que essas pessoas higienizem as mãos com álcool antes de entrar em contato com o bebê.