Limpar a chupeta com saliva pode diminuir o risco de alergia em bebês

Prática favorece troca de bactérias e ajuda na formação do sistema imunológico da criança

POR REDAÇÃO - ATUALIZADO EM 03/01/2017

Os cuidados com a higiene da chupeta da criança chegam a ser uma verdadeira obsessão para muitos pais, principalmente nos primeiros meses de vida do bebê. No entanto, de acordo com pesquisadores da University of Gothenburg, na Suécia, em situações de emergência até mesmo a saliva pode ser usada para fazer a limpeza do objeto e com benefícios adicionais ao sistema imunológico do bebê. Os cientistas relataram que limpar a chupeta das crianças colocando-as na própria boca torna os bebês menos suscetíveis a alergias, como eczema e asma, se comparados a crianças cujos pais normalmente lavam ou fervem o objeto na água. O trabalho foi publicado dia 06 de maio na revista Pediatrics.

Os autores acompanharam cerca de 180 crianças desde o nascimento, durante 18 meses. Os bebês foram examinados regularmente por um alergista pediátrico, e seus pais foram instruídos a manter diários registrando detalhes sobre a introdução de alimentos, desmame e outros eventos significativos.

Ao final do período, cerca de um quarto das crianças tiveram eczema, e 5% tinham asma. Aqueles cujos pais relataram limpar ocasionalmente a chupeta de seus filhos com a própria saliva apresentaram crianças significativamente menos propensas a desenvolver as condições - particularmente eczema - e exames de sangue mostraram que eles tinham níveis mais baixos de um tipo de célula imunológica associada a alergias. As análises de saliva das crianças também apresentaram padrões, sugerindo que a prática alterou os tipos de micróbios em suas bocas.

De acordo com os cientistas, o tipo de parto também influenciou nesses dados: bebês que nasceram por meio de cesariana e tinham as chupetas lavadas ou cozidas tiveram a maior prevalência de eczema, quase 55%. O grupo com a menor prevalência de eczema, cerca de 20%, nasceu de parto normal e seus pais limparam a chupeta na boca.

Os resultados reforçam a evidência crescente de que algum grau de exposição a germes em uma idade precoce beneficia crianças, e que a privação microbiana pode impedir o sistema imune de desenvolver uma tolerância a ameaças triviais. Os autores, no entanto, não conseguiram provar que as chupetas com saliva dos pais foram a causa direta da redução do risco de alergias. Eles afirmam que a prática pode ser um marcador para os pais que são mais relaxados no que diz respeito à proteção dos seus filhos contra germes de forma geral.

Fortaleça a imunidade do seu filho
Apesar do hábito de limpar a chupeta com a saliva não ser encorajado pelas autoridades de saúde, que condenam a prática por favorecer a cárie dentária e aumentar o risco de doenças virais, como a gripe, a saliva contém enzimas, proteínas, eletrólitos e outras substâncias benéficas, que podem ser transferidas dos pais para o filho. E quando o assunto é a saúde dos pequenos, vale tudo: não deixá-lo exposto a agentes infecciosos, preparar um prato colorido rico em nutrientes e até matriculá-lo em diferentes atividades físicas são cuidados comuns de mães e pais. E ninguém melhor do que o pediatra para nos aconselhar sobre os melhores hábitos para fortalecer a imunidade, do bebê e da criança. Por isso, conversamos com especialistas que nos deram as melhores dicas para o seu filho ter uma saúde de ferro. Confira:

Mantenha a cartela de vacinação em dia

Vacinar o bebê ou a criança ajuda na prevenção das doenças para as quais existem vacinas. "A vacina é uma imunização passiva, ou seja, o organismo cria anticorpos contra a bactéria ou vírus que causam a doença sem ficar doente", diz a pediatra Ana Gabriela Pavanelli Roperto, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo. Além disso, a vacinação aumenta a produção de células defensoras protegendo o nosso corpo inclusive contra outras doenças. Um total de 12 vacinas deve ser tomado até os seis anos, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Associação Brasileira de Imunizações. São elas: BCG, Hepatite B, Tríplice bacteriana (difteria, coqueluche e tétano), Poliomielite, Haemophilus influenzae tipo B (meningite, epiglotite, septicemia, pneumonia), Pneumocócica conjugada (meningite, pneumonia, sepse, bacteremia e otite média aguda), Rotavírus, Meningocócica C conjugada (meningite), Influenza, Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola), Varicela e Hepatite A. "Fora essas, a vacina contra a Febre Amarela é fundamental em áreas de alto contágio e também deve ser feita também nessa fase da vida", completa a especialista.