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Asma é relacionada a mau desempenho escolar das crianças, aponta pesquisa

Doença pode afetar o sono e, por consequência, o rendimento dos estudos

É só o tempo virar para o peito começa a chiar e faltar o ar. Quem sofre de asma sabe o quão agoniantes esses sintomas podem ser. No Brasil, cerca de 16 milhões de pessoas sofrem com a doença. Um novo estudo apresentado em 21 de maio publicado na conferência anual da American Thoracic Society, nos Estados Unidos, mostra mais um prejuízo decorrente da asma: crianças com a doença fora de controle podem ter a qualidade de sono afetada e, por consequência, pior desempenho escolar.

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Pesquisadores da Brown University's Alpert Medical School, nos Estados Unidos, estudaram informações de 170 estudantes com asma e idade entre sete e nove anos. Eles monitoraram os sintomas da doença - através de equipamento portátil que mede a quantidade e velocidade com que o ar era exalado - por 30 dias. As crianças e seus responsáveis também registraram a ocorrência de sintomas num diário. Durante o mesmo período, a qualidade de sono foi avaliada através do uso de equipamentos que monitoram os movimentos corporais durante a noite. Os professores fizeram relatórios do comportamento e desempenho escolar de cada criança.

Os sintomas da asma tendem a aumentar durante a noite, alguns motivos são o aumento da circulação de células inflamatórias do sistema imune, a exposição aumentada a gatilhos da crise asmática e o aumento da produção de muco na posição deitada.

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Com a análise de dados, os pesquisadores notaram um claro padrão de influências: a asma afeta o sono que, por sua vez, afeta os estudos.

De acordo com o relatório dos professores, as crianças com asma mal controlada, em comparação com crianças com um bom controle da doença, tinham menor rendimento na escola e menos cuidado com suas lições. Os sintomas da asma relatados pelos próprios pacientes e detectados objetivamente através do equipamento também se relacionaram com menor qualidade escolar. Má qualidade de sono também se associou à falta de cuidado com as lições. O aumento da latência do sono (a quantidade de tempo que a criança leva para adormecer) associou-se com a dificuldade em ficar acordado durante a aula.

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Segundo os responsáveis pela pesquisa, as crianças podem ter mais sintomas durante a noite porque não tomam adequadamente seus remédios e, quando acordam, estão sonolentos e pouco alerta. Por outro lado, em função dos sintomas, muitas famílias estimulam as crianças a faltarem na escola, em consequência, eles perdem conteúdo e se atrasam nos ensinos.

O estudo chama atenção para a necessidade de identificar crianças que tem asma para que eles recebam o devido suporte dos professores. Segundo os os pesquisadores, muitos deles não sabem quais de seus alunos têm asma e acabam colocando a culpa em falta de atenção, dizem.

Evite as crises de asma

Marcada por uma forte dificuldade em respirar, a crise de asma é provocada por uma reação inflamatória nos brônquios, os tubos que levam o ar respirado até os pulmões. Em resposta a essa inflamação, eles ficam mais estreitos, dificultando a respiração. "É muito importante evitar crises, uma vez que, se forem frequentes, elas levam à perda de capacidade pulmonar", explica a pneumologista Marcia Pizzichini, da comissão de asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). A boa notícia é que é totalmente possível prevenir as crises de asma. Siga as orientações a seguir e mantenha os ataques bem longe.

Faça um teste para alergias

Alergia - foto: Getty Images
Alergia - foto: Getty Images

Os testes para alergias respiratórias são feitos para detectar qual é o agente causador da asma. Entram nessa lista ácaros, fungos, mofo, pelos de animais, entre outros. Com o teste, é possível evitar a exposição ao agente, prevenindo crises. Além disso, é comum que a asma esteja associada a outras doenças alérgicas, como a rinite alérgica e o eczema. "Controlando os causadores dessas alergias é possível evitar crises asmáticas", conta Márcia Pizzichini.

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Não trate apenas a crise

Menino usando broncodilatador - foto: Getty Images
Menino usando broncodilatador - foto: Getty Images

"É muito importante lembrar que a asma é uma doença crônica cujo tratamento, nos casos de asma persistente, deve ser contínuo, mesmo que não existam sintomas", conta a pneumologista Márcia. Esse tratamento consiste no uso de corticoide inalatório diariamente, em doses que deverão ser determinadas pelo médico.

O uso irregular dos medicamentos que controlam a asma é uma das causas mais comuns de crises. "O paciente não deve ter receio de usar a medicação diária da asma", recomenda a especialista. "Ao contrário, ele deve ter receio de não usá-la, devido ao risco de crise decorrente deste hábito."

Peixe - foto: Getty Images
Peixe - foto: Getty Images

Garanta as doses de vitamina D A carência da vitamina D está sendo relacionada a uma série de doenças do aparelho imunológico e a asma é uma delas. O papel da vitamina D na importância do tratamento da asma é recente." Para a asma em especial, as evidências ainda são fracas porém, não porque não haja benefício mas, provavelmente porque ainda não foram realizados estudos suficientes para se estabelecer algum tratamento ou uma relação de causa-efeito", explica o clínico geral Paulo Camiz, do Hospital das Clínicas.

Um estudo apresentado no Encontro Anual da Academia Americana de Alergia Asma e Imunologia, em 2010, apontou que a deficiência do nutriente pode aumentar os riscos de doenças pulmonares mais graves em crianças. A pesquisa, que avaliou 99 crianças com asma, mostrou que 47% delas tinham níveis insuficientes de vitamina D.

De qualquer forma, vale a pena ressaltar que a principal fonte de vitamina D é a exposição solar, que dever ser feita por cerca de 15 minutos, três vezes por semana. Ovos, manteiga, iogurtes e peixes, como atum e sardinha, são fontes da vitamina.

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Aposte na higiene

Limpeza - foto: Getty Images
Limpeza - foto: Getty Images

Mofo, pelos de animais, insetos, ácaros e poeira domiciliar devem ser cuidadosamente eliminados. É importantíssimo que a roupa de cama seja lavada semanalmente e secada ao sol. Também é recomendado o uso de fronhas e capas de colchão antiácaros, que diminuem a possibilidade de crises. "Podem ser usadas até produtos de limpeza que matam os ácaros, mas nunca na presença do asmático", recomenda a pneumologista Márcia. A especialista também recomenda que o carpete seja substituído por outros tipos de piso, que tapetes sejam retirados do quarto e que umidificadores sejam banidos, já que a umidade favorece o aparecimento de alguns alérgenos.

Evite cheiros fortes

Velas - foto: Getty Images
Velas - foto: Getty Images

Velas, sprays aromatizadores e essências. Esses produtos podem até deixar sua casa perfumada, mas são um perigo para quem tem asma. "Cheiros fortes e fumaça irritam as vias aéreas e podem desencadear crises de asma", explica a pneumologista Márcia. Se você é ou tem algum familiar asmático, elimine todos esses produtos ou, pelo menos, opte por versões que não possuem aroma.

Invista na vacina da gripe

Vacina - foto: Getty Images
Vacina - foto: Getty Images

"Os vírus causadores de infecções respiratórias - entre os quais está o vírus da gripe - também inflamam as vias aéreas e podem causar crises de asma", explica Paulo Camiz. Por isso, tomar a vacina da gripe pode ajudar a controlar a doença. Além disso, lembre-se sempre de lavar as mãos ou higienizá-las com álcool em gel, o que ajuda a prevenir-se contra o vírus.

Entre em forma

Balança - foto: Getty Images
Balança - foto: Getty Images

"Existem algumas evidências de pessoas asmáticas que eram obesas, mas que após a eliminação de peso conseguiram controlar melhor a asma", conta a pneumologista Márcia. Não se sabe exatamente como se dá essa associação, mas, segundo pesquisadores da Universidade de Harvard, em estudo publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, os pulmões de indivíduos com obesidade não se expandem como deveriam, o que predispõe o estreitamento dos brônquios. Eles argumentam ainda que a inflamação do tecido adiposo pode afetar a musculatura das vias aéreas, aumentando a resposta inflamatória e estreitando os canais da via aérea, o que levará a uma crise asmática. Outro ponto é que os hormônios liberados pela gordura - como a leptina e a adiponectina - podem agir na árvore brônquica causando os mesmos efeitos.

Cuidado com a medicação

Medicamento - foto: Getty Images
Medicamento - foto: Getty Images

Medicamentos anti-inflamatórios não hormonais - como o ácido acetilsalicílico, o diclofenaco e o ibuprofeno - podem desencadear crises de asma. "Isso acontece porque esses remédios inibem uma via de inflamação, mas sobrecarregam outra, que tem forte relação com a crise asmática em quem sofre da doença", explica Paulo Camiz.

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Exercite-se com cuidado

Repouso após exercício - foto: Getty Images
Repouso após exercício - foto: Getty Images

Uma pessoa com asma pode e deve praticar esportes, mas, para isso, a doença precisa estar controlada com o tratamento. Isso porque a desidratação das vias aéreas, em função da sudorese e do aumento constante do fluxo de ar, podem desencadear uma crise se a doença não estiver controlada. Outro mecanismo que pode levar a uma crise é o da variação de temperatura nas vias aéreas, principalmente se o ar é inspirado pela boca e atinge as vias aéreas a uma temperatura mais baixa - o que pode piorar se temperatura ambiente está mais baixa.

Por outro lado, manter uma boa hidratação e exercitar-se em ambiente saudável e com temperatura adequada ajudam a tornar a prática esportiva menos perigosa. "Se mesmo assim ainda ocorrerem crises de asma, um tratamento com broncodilatadores antecedendo a atividade física e indicado pelo médico, tende a controlar bem os sintomas", recomenda Paulo Camiz.