Asma é relacionada a mau desempenho escolar das crianças, aponta pesquisa

Doença pode afetar o sono e, por consequência, o rendimento dos estudos

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 23/05/2013

É só o tempo virar para o peito começa a chiar e faltar o ar. Quem sofre de asma sabe o quão agoniantes esses sintomas podem ser. No Brasil, cerca de 16 milhões de pessoas sofrem com a doença. Um novo estudo apresentado em 21 de maio publicado na conferência anual da American Thoracic Society, nos Estados Unidos, mostra mais um prejuízo decorrente da asma: crianças com a doença fora de controle podem ter a qualidade de sono afetada e, por consequência, pior desempenho escolar.

Pesquisadores da Brown University's Alpert Medical School, nos Estados Unidos, estudaram informações de 170 estudantes com asma e idade entre sete e nove anos. Eles monitoraram os sintomas da doença - através de equipamento portátil que mede a quantidade e velocidade com que o ar era exalado - por 30 dias. As crianças e seus responsáveis também registraram a ocorrência de sintomas num diário. Durante o mesmo período, a qualidade de sono foi avaliada através do uso de equipamentos que monitoram os movimentos corporais durante a noite. Os professores fizeram relatórios do comportamento e desempenho escolar de cada criança.

Os sintomas da asma tendem a aumentar durante a noite, alguns motivos são o aumento da circulação de células inflamatórias do sistema imune, a exposição aumentada a gatilhos da crise asmática e o aumento da produção de muco na posição deitada.

Com a análise de dados, os pesquisadores notaram um claro padrão de influências: a asma afeta o sono que, por sua vez, afeta os estudos.

De acordo com o relatório dos professores, as crianças com asma mal controlada, em comparação com crianças com um bom controle da doença, tinham menor rendimento na escola e menos cuidado com suas lições. Os sintomas da asma relatados pelos próprios pacientes e detectados objetivamente através do equipamento também se relacionaram com menor qualidade escolar. Má qualidade de sono também se associou à falta de cuidado com as lições. O aumento da latência do sono (a quantidade de tempo que a criança leva para adormecer) associou-se com a dificuldade em ficar acordado durante a aula.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, as crianças podem ter mais sintomas durante a noite porque não tomam adequadamente seus remédios e, quando acordam, estão sonolentos e pouco alerta. Por outro lado, em função dos sintomas, muitas famílias estimulam as crianças a faltarem na escola, em consequência, eles perdem conteúdo e se atrasam nos ensinos.

O estudo chama atenção para a necessidade de identificar crianças que tem asma para que eles recebam o devido suporte dos professores. Segundo os os pesquisadores, muitos deles não sabem quais de seus alunos têm asma e acabam colocando a culpa em falta de atenção, dizem.

Evite as crises de asma

Marcada por uma forte dificuldade em respirar, a crise de asma é provocada por uma reação inflamatória nos brônquios, os tubos que levam o ar respirado até os pulmões. Em resposta a essa inflamação, eles ficam mais estreitos, dificultando a respiração. "É muito importante evitar crises, uma vez que, se forem frequentes, elas levam à perda de capacidade pulmonar", explica a pneumologista Marcia Pizzichini, da comissão de asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). A boa notícia é que é totalmente possível prevenir as crises de asma. Siga as orientações a seguir e mantenha os ataques bem longe.

Faça um teste para alergias

Os testes para alergias respiratórias são feitos para detectar qual é o agente causador da asma. Entram nessa lista ácaros, fungos, mofo, pelos de animais, entre outros. Com o teste, é possível evitar a exposição ao agente, prevenindo crises. Além disso, é comum que a asma esteja associada a outras doenças alérgicas, como a rinite alérgica e o eczema. "Controlando os causadores dessas alergias é possível evitar crises asmáticas", conta Márcia Pizzichini.