Palestras sobre saúde na escola previnem obesidade em adolescentes

Intervenções também melhoram habilidades psicossociais e acadêmicas, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 11/09/2013

Programas escolares que promovem estilos de vida saudáveis ajudam a melhorar o comportamento de jovens com relação à saúde, prevenindo a obesidade e a depressão severa e melhorando o desempenho acadêmico dos adolescentes. Essas foram as descobertas do estudo feito pela The Ohio State University, com o apoio do National Institute of Nursing Research (NINR), parte do National Institutes of Health. O trabalho aparece na edição de setembro online do American Journal of Preventive Medicine.

Esse é um dos primeiros estudos que relatam várias melhorias imediatas que foram sustentadas ao longo do tempo por meio da intervenção de um professor. Os pesquisadores mediram comportamentos saudáveis de estilo de vida, índice de massa corporal (IMC), sintomas depressivos, habilidades sociais e o desempenho acadêmico de 779 com idades entre 14 e 16 anos. Eles foram escolhidos randomicamente para participar do programa ?COPE TEEN?, que é uma intervenção visando obesidade, habilidades sociais e de saúde mental. O programa COPE TEEN consistia em palestras e atividades sócio cognitivas em 15 sessões ministradas por professores uma vez por semana. Cada sessão tinha de 15 a 20 minutos de atividade física (por exemplo, caminhar, dançar e fazer movimentos de boxe) e orientações sobre nutrição e saúde no geral. Os alunos receberam pedômetros e foram convidados a aumentar sua contagem de passos a cada semana.

Seis meses após a conclusão do programa de intervenção, os participantes tinham níveis significativamente mais elevados de atividade física (uma média de 13.861 passos por dia, em comparação com uma média de 9.619 passos por dia daqueles que não participaram), e tinham um IMC médio significativamente menor do que o grupo de controle, além de serem menos propensos a passar para a faixa do sobrepeso em longo prazo. Entre os adolescentes do COPE TEEN, 143 permaneceram na categoria de peso saudável em seis meses, quatro mudaram para a categoria de sobrepeso e nenhum dos alunos evoluiu para a categoria de obesidade. No grupo controle, 187 permaneceram na categoria de peso saudável, enquanto 15 avançaram para a categoria de sobrepeso e três atingiram a obesidade.

Os adolescentes que receberam orientação também marcaram médias mais elevadas na escala de habilidades sociais e cooperação, bem como nas competências acadêmicas. Eles relataram níveis significativamente mais baixos de uso de álcool do que os adolescentes não receberam a intervenção (13% contra 20%, respectivamente), e alunos com altas pontuações de depressão antes da intervenção mostraram escores significativamente da doença, que caiu de sintomas depressivos graves para a faixa normal, em comparação com estudantes semelhantes no grupo de controle.

Os autores do estudo afirma que integrar uma rotina de palestrar sobre saúde nos currículos de educação em ambientes de ensino médio pode ser uma maneira eficaz de prevenir a obesidade e o sobrepeso em adolescentes, além de aumentar o nível de atividade física e habilidades psicossociais e acadêmicas.

Incentive seu filho adolescente a fazer exercícios
Computadores, videogames e celulares costumam ser os melhores amigos da atual geração de adolescentes, enquanto a atividade física fica facilmente em segundo plano. O incentivo dos pais pode fazer muita diferença para evitar que o sedentarismo vire um hábito para a vida toda, porém sempre respeitando os limites e preferências dos jovens. De acordo com o psicólogo comportamental e especialista em saúde da família Alexandre Monteiro, do Rio de Janeiro, gostar dos exercícios é a melhor motivação. "O ideal seria a pessoa experimentar o maior número de atividades possível ainda na infância, de forma que se identificasse com uma em especial", explica. Nunca é tarde, entretanto, para apresentar ao seu filho o mundo dos esportes. Confira as dicas dos especialistas e tire seu filho do sofá:

Seu filho tem vergonha?

Um dos maiores dramas da adolescência é a vergonha do próprio corpo, por ser uma fase de desenvolvimento e mudanças. Isso pode fazer com que ele rejeite qualquer atividade física que exija roupas diferentes ou o coloque em situações constrangedoras. Nesses momentos, a melhor forma de ajudar é conversando com seu filho.

Segundo a psicóloga Camila, escutar o que o adolescente tem a dizer e tentar acolhê-lo pode ajudar a identificar e eliminar as causas do problema. "O diálogo vai possibilitar a busca de alternativas para solucionar a crise", conta. É importante também não forçar o jovem a praticar qualquer tipo de atividade com a qual ele não se sinta à vontade.