Obesidade do pai pode dobrar chances de filho nascer com autismo

Pesquisa afirma que 0,3% das crianças com pai acima do peso podem ter algum grau da doença

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 08/04/2014

As crianças nascidas de pais com obesidade podem ter um risco ligeiramente maior de autismo, ainda que a mãe não sofra com o excesso de peso. É o que sugere um estudo do Norwegian Institute of Public Health, em Oslo, Noruega. Os resultados, publicados online no dia 07 de abril na revista Pediatrics, são os primeiros a vincular obesidade dos pais e risco de autismo.

Os pesquisadores acompanharam mais de 93 mil crianças desde o nascimento até os sete anos de idade. Em média, 419 delas foram diagnosticadas com um transtorno do espectro do autismo. Dessas que foram diagnosticas, 25 crianças nasceram de pais com obesidade. Separando a quantidades de pais acima do peso no início do estudo, percebeu-se que cerca de 0,3% das crianças de pais com obesidade sofreram com autismo, enquanto apenas 0,14% das que nasceram de pais com peso normal foram diagnosticada com a doença. Isso quer dizer que crianças cujos pais sofrem com o excesso de peso têm o dobro de chances de apresentar autismo do que aquelas que têm pais com um IMC ideal.

Segundo os autores, a possibilidade é que há uma associação "indireta" entre o peso dos pais e o risco de autismo em crianças. Algumas variações de genes, afirmam, podem estar ligadas a riscos elevados de obesidade e autismo, por exemplo. Ou então homens com obesidade podem ser mais propensos a ter certas exposições ambientais que contribuem para o risco do autismo, dizem os cientistas.

Por outro lado, é possível que a obesidade dos pais tenha algum efeito direto - alterando a qualidade do esperma, por exemplo. Mas, explicam os pesquisadores, por enquanto é tudo especulação.

Eles também ressaltam que o peso da mãe não foi relevante para essa associação. Ou seja, a obesidade do pai aumentava o risco de autismo nos filhos independe da massa corporal da mãe. Entretanto, continuam os estudiosos, as porcentagens ainda são muito pequenas, indicando por outro lado que 99,5% das crianças que nascem de pais com obesidade não serão autistas - e esses dados podem ser reconfortantes para os pais.

Obesidade favorece desde enxaqueca até câncer
Além dos prejuízos que a obesidade pode causar ao seu filho, o problema traz diversas complicações para a sua própria saúde como um todo. Mais do que uma doença grave, a obesidade é um problema que pode favorecer diversas outras condições em nosso organismo. "O quadro pode prejudicar a saúde de uma forma global e em vários sistemas no corpo", afirma o endocrinologista Isaac Benchimol, do Conselho Empresarial de Medicina e Saúde da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Ainda não está convencido? Veja como essa doença pode afetar todo o funcionamento do seu corpo:

Coração em alerta!

Quanto mais elevado é o nosso peso, mais esforço o coração precisa fazer para bombear sangue e deixar tudo funcionando plenamente. Isso sobrecarrega o órgão, que terá que bater mais rápido do que o ideal. "O tecido adiposo é um grande produtor de substâncias inflamatórias - e os adipócitos (células de estoque da gordura) aumentam em número e volume com a obesidade", afirma o endocrinologista Isaac Benchimol, do Conselho Empresarial de Medicina e Saúde da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Ele explica que o organismo se cansa de corrigir o erro alimentar e o sedentarismo, e vai progressivamente lançando de volta na circulação o colesterol e os triglicerídeos que não conseguiu armazenar no fígado e tecido adiposo. Essa gordura em excesso no sangue pode formar placas e entupir as artérias, causando um infarto ou AVC. Esse estado inflamatório também pode favorecer a oxidação do colesterol bom (HDL), que se transformará em colesterol ruim (LDL). Todo esse cenário favorece doenças como hipertensão, angina, insuficiência cardíaca, entre outros.