Brincadeiras simples oferecem riscos à saúde da criança

Do aviãozinho na hora de comer ao gira-gira é preciso cuidado para evitar machucados

Por Fernando Menezes - publicado em 15/09/2010


Brincar de aviãozinho, de guerra de travesseiros ou de girar no ar são passatempos que arrancam sorrisos e tiram o fôlego das crianças. Quando encontram um adulto para cúmplice destas estripulias, os pequenos só sossegam quando o cansaço fala mais alto. "Nessas situações, o laço familiar é fortalecido, as crianças passam a confiar mais nos seus responsáveis", afirma a pediatra Cátia Fonceco, da Unesp de Botucatu. Mas nem toda brincadeira é livre de riscos. Apesar de populares, algumas delas até precisam ser evitadas não somente pelos riscos físicos que oferecem, mas porque podem abalar as emoções infantis.

1. Girar a criança no ar


Não tem como evitar o frio na barriga: muitos adultos têm mania de segurar uma criança pelos dedinhos ou pelos punhos enquanto faz rodopios no ar. "Pacientes de até quatro anos vivem chegando ao hospital com cotovelos, punhos ou dedos deslocados por terem sido giradas pelos braços ou pelas mãos por adultos", diz Cátia. As lesões acontecem porque a estrutura óssea infantil é naturalmente mais frágil, por isso sujeita a deslocamentos, principalmente nos braços e nas pernas. "Além disso, a criança normalmente não reclama de dor durante a brincadeira, porque só pensa na diversão. Com isso, os adultos demoram a perceber que estão machucando os filhos".  

Pai brincando com a filha

2. Guerra de travesseiros

Poeira, ácaros e outras impurezas que normalmente se acumulam nos travesseiros fazem desta batalha um embate final para crianças alérgicas. "Crises de bronquite, rinite e outros tipos de inflamação nas vias respiratórias podem ser desencadeadas por esse tipo de brincadeira. Os olhos da criança, que são mais sensíveis dos que os dos adultos também costumam ficar irritados", afirma a especialista. 

3. Vídeo Game e TV

Longas horas em frente à televisão, seja assistindo aos programas ou jogando vídeo-game, podem atrapalhar a concentração das crianças na escola, diz um novo estudo da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos. Os pais devem estimular as crianças na busca por outras fontes de diversão, diminuindo a dependência provocada pelos aparelhos eletrônicos.  

"Durante as brincadeiras o laço familiar é fortalecido e as crianças passam a confiar mais nos seus responsáveis"

4. Som muito alto

As crianças sofrem muito com problemas no aparelho auditivo, e a culpa nem sempre é dos fungos ou bactérias causadores de infecções. É comum que pais coloquem músicas infantis em volume muito alto, o que pode prejudicar a audição da criança. Os canais auditivos infantis são mais sensíveis, por isso evite o uso de fone de ouvido e controle os aparelhos a partir do tom de voz que vocês usam para conversar enquanto assistem a um programa ou escutam música. Notando que precisa gritar, é sinal de que o volume do rádio ou da TV precisa ser diminuído. 

5. Entrar na piscina

Os primeiros contatos da criança com a piscina devem contar com acompanhamento profissional. "A temperatura da água, a quantidade de cloro ou a falta de higiene na piscina podem causar problemas sérios em bebês menores de dois anos", afirma a pediatra. A otite é problema mais comum - trata-se de uma inflamação no canal interno do ouvido, causada por fungos e bactérias que se proliferam depois de um contato prolongado com a água.  

6. Na hora de comer

Na hora de comer, muitos pais sentam o filho, o que pode dificultar a alimentação. "A posição ideal para alimentar um bebê é de frente para ele. Nesta posição você consegue olhar para a boca, prevenindo engasgos ou a devolução da comida por birra ou graça. Além disso, até os seis anos, a coluna da criança ainda não está madura, ela é mais frágil do que a dos adultos. Ficar muito tempo com a criança sentado no colo pode aumentar as chances de que ela sofra com desvios posturais", explica a pediatra.

O cadeirão é o mais indicado, já que mantém a costas da criança em um ângulo próximo de 90° em relação às pernas, protegendo a coluna de possíveis deslocamentos. 


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