Paciência. A palavra parece mágica quando estamos falando de crianças e precisa ser cultivada a cada segundo, principalmente no caso de pais iniciantes em que cada fase representa um grande desafio a ser vencido. Na hora de largar as fraldas não é diferente. Por mais que a criança dê sinais de que não suporta mais aquele rolo quente e úmido de algodão no bumbum, é preciso que você também esteja pronta para deixar o acessório de lado. E aí é que entra a indispensável paciência, amenizando traumas e rendendo doses extras de disposição a cada vexame fora de casa sem falar nas trocas de roupa, repetidas, não raro, até três vezes em menos de uma hora. Cada mãe acaba desenvolvendo sua própria técnica. Para meus dois filhos, o que funcionou melhor foi deixá-los sem roupa durante o dia e ficar de olho. Quando via que eles estavam com vontade, eu os levava ao banheiro e colocava sentados no vaso. , revela Karina Vasconcelos, mãe de Caio, 7, e Henrique, 4.
Veja algumas dicas de como treinar seu filho a usar o banheiro
Leve a criança ao banheiro com você, dando preferência para o mesmo sexo, ou seja, se é menina vai com a mãe/irmã e se é menino vai com o pai/irmão, para que ela imite os procedimentos no toalete
Ajude a criança a entender as diferenças entre já estar molhado, começando a molhar a fralda e sentir que vai ficar molhado, especialmente essa última. Peça para a criança avisar quando estiver suja ou molhada, já que o objetivo é ajudá-la a reparar nisso.
Troque as fraldas sempre no banheiro, ajuda a criança a associar a função com o local
Use termos bem específicos para cada função como xixi ou coco e nº1 e nº2 (palavras que você e a sua família costumam falar normalmente, não use expressões que soem forçadas) e não algo vago, como ir ao banheiro
Não associe a ida ao banheiro a coisas ruins, como fedido, feio, eca
Fale sobre as vantagens de não usar mais fraldas, como sempre sequinho , igual gente grande etc.
Faça a criança praticar colocando e tirando a calça plástica
Deixe que a criança puxe a descarga para você
Sempre elogie, faça festa e comemore muito quando a criança acerta ou avisa que está com vontade de ir ao banheiro
Enquanto isso, no mundinho deles...
Quando ficar decidido que é hora de começar o treinamento, prepare-se para muita repetição e um período de acidente. Afinal, a criança vai precisar aprender a contrair e relaxar os músculos do esfíncter conscientemente, e isso pode levar algum tempo. Normalmente, a regularidade vem antes do controle, ou seja, a criança acostuma-se a fazer suas necessidades no mesmo horário, mesmo que ainda não consiga segurar. Outra coisa: nos meninos, é comum aprender a controlar a bexiga antes, o que significa que eles controlam o xixi mas às vezes não o coco , conta Vicki Lansky, escritora norte-americana Vicki Lansky, autora de mais de uma dezena de bestsellers voltados à educação e comportamento infantil, entre eles o novo Conversando sobre Divórcio e o Toilet Training, ainda sem tradução no Brasil.
A idade média para começar o treino é por volta dos 2 anos, mas cada criança tem seu ritmo, algumas já podem começar a transição com 1 ano e outras com 3 , explica a autora. Mesmo que a idéia da mãe seja tirar as fraldas bem gradativamente, sem nenhuma pressão, é essencial que a criança entenda o que se espera dela.
Seguindo as dicas desta escritora, mãe e avó experiente, selecionamos os principais sinais de que seu filho já está apto para começar a largar as fraldas.
A criança está pronta para o treinamento quando:
Tem consciência de que precisa ir ao banheiro, seja fazendo caretas ou avisando de alguma forma
Consegue entender e se expressar através de conceitos simples como xixi , coco, molhado e banheiro
Não gosta de ficar com as fraldas sujas ou molhadas e demonstra isso claramente
Consegue manter a fralda seca por no mínimo 2h ou consegue acordar sequinha depois de uma soneca
Consegue descer e subir a calça elástica sozinha
Começa a entender o básico das regras sociais (ficar com as calças molhadas não é legal, ir ao banheiro como gente grande é bem visto)
Pede para usar o banheiro como o papai/mamãe/irmãos
Mas, como muitas mães descobrem na prática, nem tudo são flores. Às vezes surgem algumas dificuldades e é importante identificar se é apenas parte normal do processo ou se há outras causas para a dificuldade.
Fique atenta para problemas como:
Alergias (a intolerância a lactose, que faz parte do leite, é das mais comuns)
Excesso de sorbitol (adoçante dietético natural, muito encontrado em doces sem açúcar e suco de maçã e pêra)
Infecções urinárias (urina constante, dor, desconforto)
Intestino preso
Importante: em qualquer um dos casos acima, procure sempre orientação do seu médico!
Dificuldades emocionais também são uma trava, por exemplo:
Interferências de terceiros (irmãos ou até professores que, mesmo com boa vontade, podem ter assustado ou pressionado demais a criança)
Desconforto não identificado. Neste caso, peça para a criança mostrar numa boneca como ela ensinaria o brinquedo a ir ao banheiro, pode ajudar a descobrir o que a incomoda
Medo não identificável: fale para a criança desenhar o banheiro e explicar cada cantinho, às vezes pode ser medo de algum objeto ou até de uma sombra formada no ambiente
Importante: se sentir que a criança não está lidando bem com o processo por questões emocionais, peça ajuda a um terapeuta ou psicólogo, seu filho só tem a ganhar!
Depois das fraldas, é hora de escolher
Veja os prós e contras de cada opção:
Troninho
Prós: não precisa de um adulto para ser usado, os pés da criança ficam no chão e da uma sensação de posse para a criança, já que é só dela.
Contras: para os meninos, fica difícil acertar o vaso na hora do xixi em pé
Adaptador p/ tampa sanitária
Prós: prático e portátil, a própria criança dá a descarga e não precisa limpar.
Contras: se só tiver um banheiro ou este for compartilhado tem que colocar e tirar o tempo todo e, dependendo do tamanho da criança, não da para deixá-la usar sozinha
Vaso sanitário normal
Prós: já aprende no lugar e do jeito certo, crianças maiores podem usar sem problemas.
Contras: pode ser intimidador para as crianças menores, que não alcançam ou terão dificuldades em usá-lo no início