Filhos de mulheres que estavam acima do peso ou com obesidade durante a gravidez têm mais chances de desenvolverem asma na adolescência, mostra um estudo desenvolvido em universidades da Inglaterra e Finlândia e publicado na revista The Journal of Epidemiology & Community Health.
Pelo fato de o número de casos de asma ter aumentado em todo o mundo desde 1970, os pesquisadores resolveram investigar se a tendência à obesidade, que também aumentou nesse período, era um fator determinante. Os estudiosos acompanharam aproximadamente sete mil adolescentes nascidos no norte da Finlândia.
Foram feitas entrevistas com as mães das crianças sobre o seu estilo de vida e histórico de doenças e obesidade. O histórico médico do pai e da mãe das crianças, incluindo registros médicos anteriores à gestação, também foi coletado.
Ao final da análise, eles descobriram que os adolescentes nascidos de mães com sobrepeso ou obesidade, pouco antes de engravidar, tinham de 20% a 30% a mais de chances de desenvolver asma ou histórico de dificuldade para respirar.
Além disso, os adolescentes cujas mães tinham maior peso antes de engravidar estavam aproximadamente 50 vezes mais propensos a ter um histórico de dificuldade severa em respirar.
Uma explicação para esse fenômeno é o que pesquisas anteriores já mostraram - o excesso de peso durante a gestação pode aumentar os níveis de leptina, hormônio que se liga aos receptores do pulmão do feto, alterando sua formação.
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Impeça a asma de atrapalhar as brincadeiras do seu filho
Elas correm, gritam, sobem e descem escadas, agitando a casa toda quando estão de férias. A cena é típica em qualquer lar com crianças. A rotina agitada, no entanto, não costuma fazer parte da vida dos pequenos que sofrem com a asma. Normalmente, a preocupação excessiva dos pais com o desencadeamento das crises asmáticas acaba limitando a diversão.
Segundo o presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, José Eduardo Cansado, as crianças com asma não precisam ser banidas de nenhum tipo de brincadeira ou esporte, basta seguir o tratamento adequado. Ele explica que a asma é uma inflamação crônica dos brônquios, os tubos que levam ar aos pulmões. Os sintomas comuns da doença são tosse, chiado no peito e falta de ar. O tratamento deve ser feito na causa do problema e não baseado apenas nos sintomas, alerta o especialista.
Para tratar a inflamação, José Eduardo diz que é preciso lançar mão de anti-inflamatórios. O uso de anti-inflamatórios deve ser feito diariamente e a longo prazo, de seis meses a um ano, para controlar a sensibilidade das vias aéreas , ressalta. Paralelamente ao tratamento da inflamação dos brônquios, o médico lembra que os medicamentos bronquiodilatadores entram em ação, servindo para aliviar os sintomas.
Ainda de acordo com o médico, é importante frisar que os dois remédios são inaláveis e podem ser encontrados até mesmo juntos, na mesma bombinha. As famosas bombinhas são o melhor jeito de levar o remédio até os pulmões. Mas é preciso saber que cada tipo de medicamento é usado com um objetivo: um para controlar a inflamação e outro para aplacar os sintomas, lembra mais uma vez.
Além do tratamento adequado, os pais devem ficar atentos ao controle ambiental. Ou seja, certificar-se que fatores desencadeantes da alergia não rondem o dia-a-dia da criança. Procure não ter cortinas em casa, mantenha ursinhos de pelúcia dentro de sacos plásticos, revista o colchão e o travesseiro com capas antialérgicas, coloque tudo no sol uma vez por semana, veja se o quarto é arejado e não tem umidade e não exagere em produtos químicos na hora da limpeza. Eles também podem provocar a inflamação, lista José Eduardo. As medidas garantem que os ácaros não se acumulem e provoquem as crises.
A estação quente é favorável à diversão
Seguindo o tratamento adequado e as recomendações médicas, as crianças com asma podem aproveitar a estação quente sem nenhuma restrição. José Eduardo lembra, inclusive, que o verão costuma ser uma estação agradável para os asmáticos. O aumento das crises é notado no inverno, devido ao ar seco e frio que entra pelas vias, esclarece.
É um erro privar crianças com asma de tomar sorvete, por exemplo. Os alimentos gelados em nada influenciam na inflamação dos brônquios, garante o especialista da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia. Mais um erro apontado pelo médico é a supervalorização da natação para quem sofre de asma. A natação é um excelente esporte, mas não é verdade que ela aumenta a capacidade dos pulmões.
Ele aconselha, no entanto, que as crianças pratiquem algum tipo de atividade física. Não existe nenhuma restrição, basta a criança escolher a que mais gosta. Os esportes são coadjuvantes do tratamento contra asma, completa. A recomendação é feita porque os exercícios melhoram a condição muscular e o condicionamento físico de uma forma geral. Com os músculos fortalecidos, a criança gasta menos energia para brincar. Logo, se cansa menos, explica José Eduardo.
Diferenciar o cansaço físico da falta de ar característica da crise de asma é importante também. Muitas vezes, a própria criança se confunde, temendo que a asma ataque. Vale frisar que se o tratamento estiver sendo seguido da forma correta, dá para seguir esportes até profissionalmente, incentiva o especialista.