Um estudo publicado no Journal of Adolescent Health revelou que meninas adolescentes com depressão têm um risco maior de sofrer de desordens alimentares. Além disso, as garotas que apresentam alguma desordem alimentar também têm uma probabilidade maior de ter depressão do que as que mantêm hábitos alimentares saudáveis.
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A análise, liderada por um pesquisador da Harvard Medical School, nos Estados Unidos, contou com a participação de quase cinco mil jovens do sexo feminino entre 12 e 18 anos. Todas elas responderam um questionário sobre o seu estado mental e os seus hábitos alimentares em três períodos: 1999, 2001 e 2003.
Os resultados apontaram que meninas adolescentes que frequentemente se sentiam deprimidas eram, aproximadamente, duas vezes mais propensas a começar a ter desordens alimentares nos próximos dois anos. O inverso também era possível. Meninas que sofriam de alguma desordem alimentar tinham um risco duas vezes maior de ter depressão.
Segundo os pesquisadores, desordens alimentares devem ser prevenidas com base nos sintomas de depressão apresentados pelo adolescente e também por meio de conselhos sobre como encarar emoções negativas.
Culto ao corpo contribui para o desenvolvimento de transtornos alimentares
Segundo Gisela Cardoso Ziliotto, coordenadora adjunta do curso de Enfermagem da Universidade Nove de Julho, uma das grandes preocupações da psiquiatria atualmente está relacionada com a influência da cultura, dos hábitos de vida e dos valores sociais enquanto fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Isto porque, nos dias de hoje, vivemos numa sociedade em que valorizamos o corpo perfeito, a magreza, as curvas torneadas e sem gordura. Vivemos numa época em que muitas meninas atribuem a sua felicidade a um corpo sem defeitos, esculpido, capaz de escravizar. Para estas moças, o conceito ideal de felicidade está no próprio corpo.
A grande consequência dessa cultura do culto ao corpo na saúde emocional se vê na ocorrência de alguns transtornos alimentares, sendo os mais comuns, a anorexia e a bulimia. Epidemiologicamente falando, estes transtornos atingem 1% da população feminina entre 18 e 40 anos de idade, tendo como grupo vulnerável para o desenvolvimento destes transtornos as meninas adolescentes e adultas jovens que aspiram trabalhar em atividades que privilegiam e enfatizam o estado de magreza, ex-gordinhas que se tornam obsessivas por práticas frequentes de dietas e pessoas com baixa autoestima, insegurança e perfeccionistas.
Hoje, os transtornos alimentares são muito discutidos, seja na comunidade científica, seja com o público comum, que se vê familiarizado com este tema. A anorexia já foi abordada em novelas e noticiários, retratando as limitações auto-impostas na dieta, o padrão alimentar anormal, a acentuada perda de peso induzida e mantida pela própria pessoa. Além disso, a pessoa doente tem uma perturbação na percepção do seu esquema corporal. Em outras palavras, é como se ela estivesse de frente ao espelho e enxergasse o seu corpo como um corpo gordo. Assim, ao perceber o seu corpo desta maneira, a anoréxica mantém um jejum progressivo que pode vir acompanhado de aumento excessivo de práticas de exercícios físicos. A este quadro, somam-se o afastamento social e a irritabilidade.
Já na bulimia, que também já foi inúmeras vezes comentada na televisão, é característica a ingestão excessiva de alimentos em curto espaço de tempo, seguido de sentimentos de culpa e vergonha, que levam a vômitos voluntários para o controle do peso. Na bulímica, o rosto permanece arredondado e inchado, a pele seca e com cortes nas articulações das mãos devido aos traumas repetidos contra os dentes para vomitar, estes dentes tomam formato de meia lua pela ação erosiva do vômito e o humor é extremamente instável. Podemos encontrar o uso freqüente de diuréticos, laxativos e moderadores do apetite. Enfim, o tema principal de toda a conversa de quem tem transtorno alimentar é emagrecer.
Vale ressaltar que, concomitantemente a todos os tipos de tratamentos disponíveis, é também recomendado que a família busque compreender que não se trata de um problema tão simples assim e, que a falta de regras claras no ambiente familiar ou até mesmo o excesso de regras, bem como a preocupação excessiva com a aparência física, com o corpo ou com regimes podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Manter a calma e a persistência familiares são fundamentais para a compreensão da anorexia e da bulimia.