Socorro, tem um bebê na minha casa!

Pare de se descabelar com assaduras, bichos de estimação e cólicas

Por Minha Vida - publicado em 21/03/2007


Depois de uma longa espera, finalmente você tem seu bebê nos braços. Ele é lindo, fofo, frágil e... ai, mas porque chora tanto? Por mais coisas que você tenha aprendido durante a gravidez sobre como cuidar de um recém-nascido, pode ter certeza de que os primeiros meses serão cheios de dúvidas e novidades. É natural, especialmente entre mães de primeira viagem, levar um tempo até pegar o jeito e se sentir segura nos cuidados com o bebê.

Até lá, quando se sentir perdida, conte com a nossa ajuda. Minha Vida entrevistou o pediatra neonatologista Remaclo Fischer Júnior, coordenador da área de recém-nascidos da maternidade Carmela Dutra e do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, e presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria. Com todo esse respaldo, criamos um supermanual para resolver todas as suas dúvidas e ajudar você a garantir a saúde e o bem estar do seu bebê.

Arroto da boa saúde
Cada vez que termina de mamar, no peito ou na mamadeira, o bebê deve ser segurado no colo, na posição vertical, durante cerca de cinco minutos, para arrotar. Apóie as costas do filhote com a mão e dê leves batidinhas até que ele arrote.



É nesse momento que o bebê elimina o ar engolido durante a mamada. Considerado falta de educação na vida adulta, o arroto ajuda no processo de digestão e evita a formação de gases no intestino do bebê, que provocam cólicas.

É muito comum o bebê regurgitar (uma espécie de minivômito) quando colocado para arrotar. Depois de mamar bastante, ele devolve um pouquinho de leite, que desce pelo canto de sua boquinha. É o famoso queijinho. Isso geralmente acontece porque o bebê mamou mais leite do que o tamanho do seu estômago permite.

A golfada não deve ser motivo de preocupação para a mãe. Se seu bebê regurgita com facilidade, evite que ele seja excitado e movimentado logo após mamar. Não se esqueça de que, mesmo passado um tempo, o bebê deve ser deitado de barriguinha para cima ou sobre o lado direito do corpo, com uma almofada apoiando suas costas.

Assaduras, que dó
Esse é um problema que costuma fazer parte da vida do bebê por todo o período em que usa fraldas. Ou seja, até seus dois anos de idade ou mais. As áreas mais atingidas são as dobras do corpinho (coxas, bumbum, axilas e pescoço), onde a umidade e o suor irritam a pele. Na zona coberta pela fralda há ainda o contato com as fezes e urina, o que ajuda a piorar o caso.

A primeira regra para evitar as assaduras é trocar as fraldas do bebê tão logo ele urine ou evacue. Antes de colocar uma fralda limpa, tenha certeza de que limpou e secou bem o bebê. Se a pele dele já estiver vermelha e irritada, aplique uma pomada à base de óxido de zinco a cada vez que trocar de fraldas. Para prevenir, use cremes antiassaduras comuns.

Em assaduras avançadas, há risco de haver infecção e fungos , alerta Remaclo. Se a assadura persistir por muito tempo, o pediatra poderá prescrever um medicamento próprio.

Bichos, nossos amigos
Desde que tomados alguns cuidados com higiene e segurança, a presença de animais de estimação em casa pode ser muito positiva para a educação do bebê. A convivência com um bichinho, além de entreter a criança, auxilia na formação de valores como respeito, carinho e cuidado com os outros seres.

Mas, enquanto for muito pequena, a criança não deve ter contato direto com animais, que podem reagir de maneira violenta a brincadeiras descuidadas dos pequenos. A criança pode interagir com animais quando tiver alguma noção de segurança , orienta Remaclo.

Ensine seu filho a ter limites com o bicho. Mostre e repita sempre que é importante deixar o animal comer e dormir sem ser perturbado. Crianças costumam puxar os pêlos, orelhas e rabo dos animais. Conte que isso causa dor no bichinho, que pode revidar com uma mordida ou arranhão. Faça o pequeno perceber que se der carinho e atenção, receberá de volta carinho e companhia.

Os bichos devem estar com a vacinação em dia e tomar banho com a freqüência indicada. Se forem animais que saiam para o quintal ou para a rua, o cuidado é redobrado: caso ele devore coisas inadequadas ou outros animais, como ratos e gambás, há riscos do animal adquirir alguma doença nociva à criança. Certifique-se de que o bichinho que se aproxima de seu filho seja sempre saudável.

Se o bichinho vive dentro de casa, cuide muito bem da limpeza. Bebês, além de pôr tudo na boca, engatinham e têm grande contato com o chão. Pêlos, saliva e excrementos de animais podem transmitir doenças como verminoses.

Cólica, essa terrível
Entre a terceira semana após o nascimento e os três meses de idade, muitos recém-nascidos sofrem com cólicas. Embora algumas crianças tenham a sorte de não passar por isso, é um fenômeno absolutamente normal nesse período da vida do bebê. Você saberá que a cólica chegou a partir de sinais como choro intenso, sem interrupção, corpo contorcido, com as pernas encolhidas, e o rostinho bem vermelho.



Até hoje, não foi possível diagnosticar com precisão o que faz um bebê sentir cólicas. As causas mais prováveis são a imaturidade do aparelho digestivo, que por vezes fermenta o leite ingerido, e o ar engolido durante a mamada. Nos dois casos, o bebê fica com

gases, que causam dor daí esse choro todo. Reza a lenda que o que a mãe come pode aumentar as cólicas do bebê, mas nada foi definitivamente provado. Alguns trabalhos demonstram que leite, castanhas, pescados e chocolate, se consumidos em excesso pela mãe que amamenta, podem aumentar o choro do bebê, diz Remaclo.

Se você suspeitar que aquele brigadeiro está causando problemas ao baby, experimente deixar de comer por uma semana chocolate (ou qualquer alimento duvidoso) para ver se o bebê tem menos cólicas. Alguns cuidados podem ajudar a prevenir esse pequeno problema:

- Para amamentar, procure ficar sentada com o bebê inclinado, quase sentado em seu colo. Você nunca deve se debruçar sobre ele para colocar o seio em sua boca.
- Quando utilizar mamadeira, fique atenta para que o bebê não continue a sugar ar depois que o leite acabar.
- Depois de alimentar bem seu filhote, espere um tempo antes de deitá-lo para dormir. A melhor posição é de bruços. O calor e o peso da barriga facilitam a saída de gases.
- Se seu filho estiver dormindo, não tente amamentá-lo. Ele pode engolir ar junto com o leite. Isso vale tanto para o seio quanto para a mamadeira.

A cólica insiste em aparecer? Tente acalmar seu pequeno com um destes truques.

- Coloque o bebê sobre o seu corpo, barriga sobre barriga. O calor que o corpo da mãe transmite ao dele ajuda na liberação dos gases que provocam cólicas.
- Deite-o em cima de uma fralda de pano aquecida, sempre com a barriguinha para baixo.
- Massageie a região do abdômen do bebê para facilitar a evacuação. Aqueça as mãos e faça movimentos circulares em sua barriguinha por alguns minutos. Você pode usar um óleo vegetal para que suas mãos deslizem melhor.
- Outra maneira de ajudar a expulsar os gases é deitar o bebê de costas e flexionar suas perninhas para cima e para baixo, devagar, ou fazer movimentos circulares com elas, como se estivesse pedalando.

Se, após seguir essas recomendações em casa, você sentir que não consegue aliviar o desconforto do seu bebê, é bom consultar o pediatra. Ele irá diagnosticar o verdadeiro problema e indicará o que deve ser feito.

Colo, que delícia
Dependendo do momento do dia e da necessidade do bebê, existe sempre a melhor maneira de segurá-lo no colo. Para acalmá-lo e fazê-lo dormir, melhor deixá-lo deitado. Para mamar, ele deve ficar quase sentado. Em passeios, segure-o sentado ou na vertical, de costas para você. Na hora do arroto ou do carinho relaxante, pegue-o de frente para você. Para aliviar cólicas ou variar a brincadeira, segure-o de bruços, com a mão sob a barriga.

No início você não pode descuidar da cabeça. Como ela só se firma completamente depois dos seis meses, segure-a sempre com firmeza. Todos que pegarem o bebê devem ser orientados assim.

Se sua intenção é manter o pequeno acordado, chamar sua atenção, ou acalmar o choro, a melhor solução é segurá-lo no colo. É nessa posição que o bebê mais interage com a mãe , diz dr Remaclo.



Até agora, qual a sua maior dificuldade nos cuidados com
seu bebê? Por quê?




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