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Perda de peso inadequada traz risco de transtorno alimentar em adolescentes

Estudo ressalta necessidade de educar sobre malefícios das dietas restritivas

Uma pesquisa feita pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) verificou que comportamentos inadequados adotados por adolescentes para perder peso aumentam a chance de eles apresentarem algum transtorno alimentar, como anorexia e bulimia. Os resultados foram publicados dia 25 de março no site da instituição.

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Os autores acompanharam 1.167 adolescentes com idades de 14 a 19 anos, estudantes do ensino médio de 12 Escolas Técnicas do Centro Paula Souza, no município de São Paulo. Para a coleta de dados, os cientistas usaram o Questionário de Atitudes Alimentares de Adolescentes (QAAA), adaptado do questionário utilizado no EAT Project em Minnesota (EUA), que avalia atitudes alimentares e seus determinantes em adolescentes, acrescido de quatro questões sobre comportamentos de risco para transtornos alimentares.

O estudo constatou que 12,2% dos adolescentes apresentaram comportamentos de risco para transtornos alimentares e 31,9% mantinham algum tipo de prática não saudável para controle do peso. As dietas restritivas elevaram os comportamentos de risco para transtornos alimentares 17,26 vezes no sexo masculino e 12,82 vezes no sexo feminino.

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Os comportamentos considerados de risco foram compulsão alimentar (10,3%), prática de dieta restritiva (8,7%), uso de diuréticos com o objetivo de emagrecer (1,4%), uso de laxantes com o objetivo de emagrecer (0,3%) e vômito autoinduzido com o objetivo de emagrecer (0,3%). Entre os adolescentes que apresentaram comportamento de risco para transtornos alimentares, 72,5% são do sexo feminino.

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Entre as práticas não saudáveis para perder peso, os pesquisadores consideraram comer muito pouca comida com o objetivo de perder peso (20,4%); omitir refeições com o objetivo de perda de peso (20,6%); usar substitutos de refeições e alimentos com o objetivo de emagrecer (7,4%); usar remédios para emagrecer (2,1%) e fumar mais cigarros com o objetivo de emagrecer (1,6%). Dos jovens que apresentavam algum hábito não saudável para controle do peso, 66,8% são do sexo feminino.

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Imagem corporal

De acordo com o estudo, a leitura de revistas sobre dieta para emagrecer aumentou em 2,87 vezes a chance de apresentar práticas não saudáveis para controle do peso, enquanto que estar satisfeito com a imagem corporal diminuiu esta chance, ou seja, satisfação corporal foi fator protetor. Os autores observaram que as revistas voltadas para o público feminino apresentam dietas para emagrecer e trazem corpos muito magros como ideais de beleza, fazendo com que as adolescentes se sintam insatisfeitas com seus corpos e procurem métodos não saudáveis para perder peso. Entre os adolescentes do sexo masculino, o que mais influenciou as práticas não saudáveis para controle de peso foi o estímulo materno à prática de dietas para emagrecer e a mídia (televisão, artistas de TV e modelos), aumentando o desejo de mudar a aparência corporal.

Conheça os riscos

Os problemas causados pelas dietas restritivas na adolescência estão relacionados ao fato de que tais dietas são hipocalóricas, ou seja, não atendem as necessidades nutricionais e podem comprometer o crescimento e desenvolvimento adequados. Além disso, os cientistas destacam que dietas restritivas causam privação física e emocional, que pode desencadear frustração e raiva por não poder comer certos tipos de alimentos. Essa situação pode levar à compulsão alimentar e, em seguida, ao sentimento de culpa e medo de engordar, podendo desencadear comportamentos purgativos compensatórios (vômito autoinduzido, uso de laxantes e diuréticos).

Segundo os autores, é necessário incentivar o consumo de uma alimentação balanceada, com horários regulares e o consumo de alimentos de todos os tipos, de forma variada e prazerosa, além da prática de atividade física de acordo com a aptidão de cada um, sem que seja uma obrigação. Além disso, eles afirmam que é necessário educar os adolescentes sobre a mídia, sobre os malefícios e a ineficiência das dietas restritivas presentes em revistas e na internet e sobre a utilização de recursos gráficos que mostram corpos irreais.

Entenda os transtornos

Os comportamentos de risco adotados pelos adolescentes podem levar a uma série de transtornos alimentares, como anorexia, bulimia, compulsão alimentar e drunkorexia. Em todos os casos, a principal motivação é falta de aceitação e visão distorcida da própria imagem - ou seja, o adolescente se olha no espelho e sempre verá uma pessoa acima do peso, independente da realidade. O maior desafio no tratamento dos transtornos alimentares é fazer a pessoa reconhecer que tem uma doença.

No caso da anorexia nervosa, que é quando a pessoa tem medo intenso de ganhar peso, mesmo quando estão abaixo do peso normal, as causas exatas ainda são desconhecidas. Entre os principais sintomas estão medo de ganhar peso; recusar-se a manter o peso considerado dentro IMC; ter uma imagem corporal muito distorcida; não ter menstruado por três ou mais ciclos (em mulheres); cortar a comida em pequenos pedaços no prato em vez de comê-la; exercitar-se o tempo todo; recusar-se a comer perto de outras pessoas e usar comprimidos para urinar (diuréticos), evacuar (enemas e laxantes) ou reduzir o apetite (comprimidos para perda de peso).

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Já a bulimia é uma doença na qual uma pessoa exagera na ingestão de alimentos ou tem episódios regulares em que come em excesso e sente perda de controle. Dessa forma, a pessoa afetada usa vários métodos, como vômitos ou abuso de laxantes, para impedir o ganho de peso. Os sintomas comuns são vômito autoinduzido; exercício em excesso; uso de laxantes, enemas ou diuréticos; ir regularmente ao banheiro logo após as refeições e comer rapidamente grandes quantidades de alimentos.

A compulsão alimentar é quando uma pessoa come uma quantidade de alimento muito maior em menos tempo do que ela normalmente comeria, podendo ocorrer isoladamente ou acompanhada de outro transtorno, como a bulimia. Durante a compulsão alimentar, a pessoa também sente perda de controle. Um comedor compulsivo muitas vezes come 5.000 a 15.000 calorias em uma só refeição; frequentemente faz lanches, além das três refeições diárias. Também come excessivamente durante o dia todo, em vez de simplesmente consumir grandes quantidades de comida durante as compulsões alimentares.

Por fim, a drunkorexia ou alcoorexia é um transtorno misto, que envolve sintomas tanto da anorexia como do alcoolismo. A paciente com este quadro clínico deixa de comer para não engordar e consome bebidas alcoólicas para se sentir livre e se mostrar independente. Uma pessoa anoréxica tem problemas de aceitação com a própria imagem, mas isso fica só com ela; é uma doença silenciosa. Enquanto uma pessoa com drunkorexia (alcoólatra ou que abusa do álcool), em seu estado de embriaguez, pode cair, se machucar ou ficar agressiva. Entre os sintomas estão obsessão em perder peso; não se alimentar e beber muita água para saciar a fome; alterações emocionais; depressão; distorção da própria imagem; provocar vômitos para emagrecer e abuso de bebida alcoólica.