A força do mercado fitness no Brasil

Segundo colocado no ranking mundial de academias de ginástica , o país está atrás apenas dos EUA

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 28/10/2009

foto especialista
Curves Academia Educação Física e Personal Trainer

Lembro-me muito bem quando era criança e minha avó fazia apologias sobre a importância do estudo, de freqüentar uma boa escola e do sacrifício dos nossos pais em nos oferecer esse "benefício". Sempre ouvia isso com pesar, pois sabia que ela era analfabeta e tinha muita vontade de ter estudado, mas sem nenhuma condição por ter passado a infância nos campos plantando batatas em Portugal.

Já minha mãe, que pôde estudar e sofreu bastante nos rígidos colégios dos anos 50, sabia da importância dos estudos, mas reconhecia valor nas profissões tradicionais. Várias vezes ouvi dela, de familiares e de outros conhecidos da família que pra quem não gostava de estudar, só restava a faculdade de Educação Física, já que o desgaste mental dava lugar ao físico.

Essa "opinião" seria repensada em segundos se eles visitassem a 10ª edição da IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association) /Fitness Brasil que aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de outubro, em São Paulo. Somente no primeiro dia, a 10th IHRSA/FITNESS BRASIL Latin American Conference & Trade Show recebeu cerca de 6 mil pessoas. O principal objetivo do evento é abrir espaço para a discussão e debate sobre gestão e oportunidades de negócios no segmento de fitness e wellness. Também é reconhecido como palco de lançamentos e tendências do setor.

"É muito provável que academias de fora começarem a vir ao Brasil, buscando uma alternativa à saturação dos mercados dos países desenvolvidos"

Quem diria que um dia o Brasil teria a posição de segundo colocado no ranking mundial em números de academias de ginástica , atrás apenas dos EUA. Como atesta Ricardo Amorim, economista e apresentador do programa Manhattan Connection, na palestra de abertura do Congresso, "o setor de fitness está em franco crescimento e no Brasil em ebulição que vivemos temos muito a fazer."

As mudanças na economia mundial beneficiaram muito o Brasil,o eixo deixou de ser os EUA e a Europa dando espaço aos paises emergentes. Melhoramos nossa balança comercial e saímos ganhando com a queda cambial. Os efeitos desta última crise mundial para o Brasil foram muito mais psicológicos do que reais.Dentre as 30 maiores economias do mundo, poderemos chegar em quarto no próximo ano.E o setor de serviços é o que mais cresce no Brasil com a classe emergente tendo mais acesso a consumo e a crédito.

No mundo todo existe um movimento de expansão do fitness que está associado à busca de qualidade de vida e também ao envelhecimento da população, que acaba atribuindo importância à questão da saúde. Por conseqüência, tudo o que está ligado ao conceito wellness ganha mais espaço, e no Brasil não seria diferente. A mídia tem ajudado muito a disseminar este conceito. Hoje, grande parte dos brasileiros sabem que a qualidade de vida começa por uma boa alimentação e por um condicionamento físico compatível com sua faixa etária. Quem ainda não pratica uma atividade física , sabe que deve praticar! 

"A renda da massa vai crescer mais que a renda da classe média ou média alta, até por uma questão de iniciativas do governo de distribuição de renda e queda de inflação. Isso faz com que as regiões mais pobres se desenvolvam mais. Então, alguns mercados que eram "atrasados" no fitness terão grandes expansões, porque o maior ganho de renda acontece neles. Isso vale para Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Outro fator: com a demanda agrícola sendo importante e o preço dos alimentos subindo, o interior adquire mais destaque que os grandes centros urbanos. São locais em que o fitness ainda é pouco explorado, o que gera oportunidades.Saindo dos grandes centros urbanos é possível encontrar mercados em grande expansão e que ainda não estão saturados", afirma Ricardo Amorim.

É muito provável que academias de fora começarem a vir ao Brasil, buscando uma alternativa à saturação dos mercados dos países desenvolvidos.E hoje temos a oferecer uma enorme gama de serviços de primeira linha, desde academias full service, com treinamentos para todos os gostos e públicos, como as especializadas em segmentos de públicos ( femininas,idosos, crianças) e de sistemas ( fast fitness para quem não tem muito tempo- 30 minutos 3X por semana), e modalidades(pilates, lutas, etc..)

A parte humana no Brasil é um grande diferencial, os profissionais tem "alma", desempenham seu papel geralmente com muito êxito.Este foi um ponto muito abordado nas palestras de 10 encontro IRSHA, a importância de saber que ao levantar de manhã para trabalhar ,o profissional da área de fitness/wellness, tem uma missão.Deve sempre pensar "quem é que eu vou ajudar a melhorar a vida hoje". O comportamento dele é uma mistura de padre , com médico, com animador de torcida , que reconhece que seu cliente naquele momento é o seu mundo e a sua missão.

Um dos maiores fantasmas da vida de qualquer atleta, seja profissional ou de final de semana, é a contusão. Lesão, entorse, fadiga, câimbra, rompimento de ligamento ou fratura, qualquer contusão impacta no afastamento temporário e conseqüente fase de recuperação. Além disso, a falta de confiança na retomada dos movimentos prejudicados pela contusão é o maior desafio do retorno. Menos confiança, menos desenvoltura, menos movimentos. 

"Quem diria que um dia o Brasil teria a posição de segundo colocado no ranking mundial em números de academias de ginástica , atrás apenas dos EUA"

O consumidor, em termos econômicos, se comporta de maneira muito semelhante ao atleta. Quanto maior a confiança, maior é a vontade de consumir. E nesse contexto, as contusões se traduzem em aumento de desemprego, perda de renda, falta de crédito, juros altos, crise política e outras variáveis que fazem o consumidor sentir ser temerário indispor de liquidez no curto e médio prazo em troca de produtos e serviços.

No nosso Brasil de hoje, a evolução do Índice de Confiança do Consumidor sinaliza importantes movimentos da economia em qualidade de vida. Portanto, o momento da economia brasileira, no que diz respeito ao segmento de fitness/wellness é de uma classe alta muito bem preparada para a "prática de maratona", de uma classe média com "musculatura frágil" e de uma classe baixa que pelo visto vai começar a treinar muito e sem contusões!

*Kátia Ramalho é publicitária, pós graduada em Marketing e com mestrado em General Manegement, empresária na área de fastfitness e nutrição e proprietária da Curves, academia voltada só para mulheres, na Granja Viana, Grande São Paulo.

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