Insulina humana agora pode ser inalável - III Parte

Diabéticos já tem mais uma opção para se medicar enquanto aguardam a cura da doença

Por Especialista - publicado em 30/06/2007


Desde a descoberta da insulina na década de 20, várias tentativas de desenvolvimento de alternativas às aplicações subcutâneas de insulina foram tentadas. Foram testadas as vias oral, retal, ocular, vaginal, transdérmica, sublingual, nasal e pulmonar. Desde 1925, pesquisadores tentaram desenvolver um sistema de administração intrapulmonar de insulina, devido à grande área de superfície de membranas altamente permeáveis do epitélio pulmonar e extensa capacidade de distribuição sistêmica de medicamentos. Progressos definitivos ocorreram a partir de 1990, quando dominamos a técnica do aerossol e dos fatores capazes de interferir na absorção das partículas inaladas.

Dentro dessa perspectiva, acaba de ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, (Anvisa), a insulina humana inalável (Exubera), que se constitui de blisters, contendo insulina humana em pó, que pode ser administrada através de um inalador próprio. O inalador dispersa a insulina em uma câmara, formando uma nuvem de aerossol, que é administrada aos pacientes através de inalação profunda. O perfil de ação da insulina inalável encontra-se entre a insulina regular e os análogos de ação ultra rápida, com início de ação em torno de 30 minutos, efeito máximo por volta de 140 minutos e duração de ação por volta de 6 a 7 horas. Logo, poderá substituir as aplicações dos análogos de insulina antes das refeições, reduzindo em muito o incômodo das múltiplas picadas diárias para se obter um bom controle glicêmico.

É importante notar que nos pacientes fumantes a absorção da insulina inalável é muito maior do que em não fumantes, sendo portanto contra-indicada em pacientes diabéticos fumantes ou que fumaram 6 meses antes do início do tratamento. Recomenda-se ainda que os pacientes realizem testes de função pulmonar, antes de iniciar o tratamento com insulina inalável e que os repita em intervalos periódicos durante o tratamento.

A insulina inalável pode ser administrada isoladamente ou em esquemas associados às insulinas de ação prolongada nos diabéticos tipo I ou insulino dependentes. Pode ainda compor esquemas terapêuticos, juntamente com as drogas orais ou insulina basal prolongada em pacientes com diabetes tipo II ou não insulino dependente. A insulina inalável foi associada à melhora na satisfação e na qualidade de vida dos pacientes em relação aos esquemas que utilizam a administração de insulina subcutânea antes das refeições.

A Federação Internacional de Diabetes estimou um avanço da incidência do diabetes de 194 milhões em 2003 para 333 milhões em 2025. A doença avança em proporções alarmantes e necessita de formas mais práticas e eficientes de tratamento, que possam garantir qualidade de vida para esses pacientes, enquanto eles esperam pela cura.


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Ellen Simone Paiva

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