Depois da remissão, veio a crise e cheguei a pesar 34 quilos

Após dois dias na UTI e totalizando 30 dias de internação utilizando sonda de alimentação nasoenteral, recuperei meu peso

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 06/09/2016

foto especialista
Samuel Soares De Oliveira
38 anos - Tremedal/BA

O ano de 2007 foi incrível já que consegui retomar minha rotina. Quando passamos por momentos difíceis, começamos a dar um valor diferente a coisas banais em nossa vida: caminhar, sair de casa para ir à padaria ou ir ao parque, tudo tem um valor maior. Não ter dor é imperceptível e normal para quem não sofre com dores crônicas. Mas para quem passa por isso, um dia sem dor nunca passa despercebido.

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Na faculdade, tudo corria perfeitamente bem. Joguei basquete, fiz ginástica olímpica, joguei futsal, me expus ao máximo para testar minha capacidade física. Mas todo sonho tem um fim e o medicamento biológico que eu usava começou a falhar. No final do ano, meu pesadelo estava de volta. Dores, rigidez, fadiga e junto com esses sintomas, muitos vômitos.

Meu médico decidiu suspender a medicação no mês de março de 2008 e disse que daria um tempo para meu corpo se adaptar sem o biológico para depois iniciar outra medicação. Mas como assim? Por que não iniciar imediatamente? Perdi muito peso. Uma agente comunitária de saúde passou em minha residência e conseguiu outra reumatologista para me acompanhar com urgência. Eu estava muito mal e pesando apenas 45 quilos.

Múltiplas internações

A nova reumatologista resolveu iniciar outro medicamento biológico imediatamente, e teríamos que aguardar por cerca de dois meses o protocolo para conseguir a medicação. Durante esse período, era de casa para o hospital e do hospital para casa. Foram várias internações em pronto-socorro por causa dos vômitos. Eu realmente não conseguia manter nada do que comia no estômago.

Quando se está no pronto-socorro, parece que soro é magia. É sempre a mesma coisa: médicos indicam um litro de soro e pedem para voltar para casa. Mas nada muda. Minhas dores se tornavam piores a cada dia, cheguei a 36 quilos e minha alimentação era composta apenas por chá, biscoitos água e sal, água de coco e soro de reidratação. Mesmo assim, nada passa pelo estômago. Ficar três dias internado no pronto-socorro em uma maca dura, com muita inflamação em todas articulações e os ossos furando a pele tinha virado rotina.

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Iniciei o medicamento biológico indicado pela reumatologista e comecei a ter uma discreta melhora das dores, mas sem melhora da crise gastroestomacal. Desmaiei duas vezes sozinho em casa, e fui para a UTI do hospital da USP por choque hipovolêmico com apenas 34 quilos de peso. Estava com suspeita de Doença de Crohn, mas essa hipótese foi descartada.

Após dois dias na UTI e totalizando 30 dias de internação utilizando sonda de alimentação nasoenteral, recuperei meu peso. Recebi alta sem diagnóstico e voltei para casa. Eu mantive acompanhamento no hospital da USP e com a minha reumatologista. A melhora foi constante. Iniciei um estágio não remunerado como voluntário em uma grande instituição e, após 6 meses, estava contratado como estagiário remunerado. Todos os meus sonhos estavam se concretizando: 2009 era o ano da virada.

Eu me readaptei e passei a atuar como professor de musculação e natação. Treinava diariamente. Dores? Eram diárias, mas discretas e sem necessidade de analgésicos. Consegui expor novamente meu corpo ao máximo de esforço físico na musculação e cheguei aos 62 quilos. Estava muito forte e tinha atingido o auge de minha forma física aos 30 anos.