O sonho da formatura e uma nova crise

Com o novo medicamento, tive uma melhora progressiva após um ano difícil com internações e fortes dores

No último mês de 2009, conclui a licenciatura em Educação Física, mas meu sonho era o bacharelado para poder atuar em clubes e academias, mais especificamente na área de musculação. Entretanto, depois do diagnóstico de espondilite anquilosante (EA), havia me readaptado e me especializado na área aquática. Fiz cursos para atender pessoas com necessidades especiais, principalmente reumáticos. Mas, no final de 2010, ela estava de volta, causando dores excruciantes e vômitos.

Recebi meu diploma, fiz o registro no Conselho Regional de Educação Física com a certeza de minha contratação numa das maiores redes mundiais de academia, afinal todos amavam meu trabalho e dedicação. Entretanto, foi mais um sonho destruído pela EA, mais uma decepção. Foi um dos piores anos de minha vida.

Pedi auxílio-doença, o que me foi negado. Minhas dores eram cada dia piores, vomitava tudo que ingeria. Cheguei aos 38 quilos. Minha reumatologista me encaminhou para uma assistente social, que me ajudaria a encontrar uma vaga em hospital escola, pois ela já não sentia segurança em me tratar.

Ação na Justiça

Entrei com uma ação na Justiça Especial Federal contra o INSS. Em julho, passei pela primeira consulta no Hospital São Paulo. Era apenas uma triagem e fui encaminhado para o especialista em espondiloartropatias. Em agosto, fui colocado na fila de espera para internação, sendo o primeiro com prioridade máxima. O reumatologista do Hospital São Paulo (HSP) iria reintroduzir um medicamento biológico que eu já havia usado com um protocolo diferente.

Em novembro daquele ano recebi um parecer jurídico concedendo benefício da Previdência Social. Nesse tempo, fui internado por 40 dias no hospital da USP com 45 quilos e, voltando aos velhos conhecidos, passei a me tratar com especialistas em dor. Fui medicado e passei a utilizar sonda para alimentação nasoenteral.

Sem diagnóstico, recebi alta médica. Foram várias internações no Hospital Universitário da USP. Recebi alta e no início de 2011 consegui, por intermédio de amigos, uma consulta no Hospital das Clínicas da USP. Nesse mesmo dia, recebi uma ligação do HSP para internação. Indignado, dispensei.

Em fevereiro do ano seguinte, iniciei outro tratamento com medicamento biológico no HC, ainda com dores muito fortes, usando muletas, mas bem melhor dos problemas gastrointestinais.

A melhora de meu quadro foi progressiva, mas com muitas sequelas deixadas pela atividade da EA. Eu já não conseguia levantar a ponta do pé. E com a perna direita bem mais fina do que a esquerda, os punhos deformados e sem nenhuma força. Apesar disso, fiquei muito feliz por ter dias com dores mais toleráveis e poder fazer atividade física. Fiz dança e natação.