Diabetes: Oito maneiras de controlar a vontade de comer doces

Comer regularmente e buscar uma boa distração ajudam a diminuir a vontade

Por Ana Paula de Araujo - publicado em 03/08/2011


Será que pessoas com diabetes têm ainda mais vontade de comer doces? Segundo as endocrinologistas Ellen Simone Paiva, do CITEN (Centro Integrado de Terapia Nutricional), e Lilian Kanda Morimitsu, do Hospital Santa Cruz, ambos de São Paulo, a ciência não explica nada formalmente. Mas todos conhecemos a história do "proibido é mais gostoso", certo? "À medida que comer doces passa a ser proibido, isso passa a ter um poder de sedução muito maior", comenta Ellen Simone Paiva, que deixa claro que não há nenhuma explicação científica para o fato.

O endocrinologista Chady Satt Farah, do Hospital Brasil, alerta que o consumo excessivo de açúcar por pessoas com diabetes, em curto prazo, pode provocar um desequilíbrio da doença - como acontece com a cetoacidose diabética, uma disfunção metabólica grave causada pela deficiência relativa ou absoluta de insulina. Já em médio prazo, o abuso de doces causa alterações crônicas, como retinopatia (lesão não inflamatória da retina ocular), neuropatia (lesões nos nervos) ou nefropatia diabética (quando há redução da função dos rins causada por alterações nos vasos renais, que levam à perda de proteína na urina).

Por isso, é muito importante saber controlar a vontade de comer doces. Quer saber como? Confira a seguir. 

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Coma regularmente - Getty Images

Coma regularmente

Se comer de três em três horas já é importante para não portadores do diabetes, para pessoas com a doença, isso é fundamental. A endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva explica que os medicamentos usados no tratamento podem não controlar a glicemia de maneira satisfatória quando o paciente come irregularmente, levando a episódios de hiperglicemia e hipoglicemia.

"Ficar muito tempo sem se alimentar pode dar uma vontade exagerada de comer doces ou algum alimento que sacie a fome mais rapidamente", lembra a endocrinologista Lilian Kanda Morimitsu.  

Masque um chiclete - Getty Images

Masque um chiclete

Uma pesquisa realizada pela Pennington Biomedical Research Center e pela Louisiana State University, Estados Unidos, que o ato de mascar chicletes sem adição de açúcar (sugar free) ajuda no controle do apetite por doces, reduzindo a ingestão calórica diária em até 40 calorias/dia e a ansiedade.

No entanto, a medida pode variar entre as pessoas. A endocrinologista Lilian Kanda Morimitsu lembra que o ato de mascar chicletes faz com que o organismo libere uma maior quantidade de ácido gástrico, o que aumenta a motilidade intestinal e pode levar a uma maior sensação de fome, ou seja, o efeito inverso do desejado. 

Busque a distração - Getty Images

Busque a distração

Muitas vezes, a vontade de consumir açúcares vem da ansiedade do paciente. Optar por atividades que proporcionem distração pode ajudar a relaxar e aliviar a necessidade de comer doces. "Desde ver televisão, dar uma simples volta no quarteirão ou conversar com alguém. A pessoa acaba desviando a atenção, que estava voltada aos doces, para outros afazeres, 'desligando-se' desse desejo", justifica a nutricionista Jacqueline Pina. 

Pratique atividades físicas - Getty Images

Pratique atividades físicas

Além de ser vital para a perda de peso e controle da glicemia, praticar uma atividade física que proporciona prazer é uma das armas contra a vontade de comer mais e mais doces. O princípio é o mesmo já apresentado: o da distração. Ao fazer uma atividade de seu agrado, você se esquece do anseio pelo açúcar e, de quebra, faz bem para seu corpo. Procure um profissional para auxiliá-lo. 

Belisque uma fruta com canela - Getty Images

Belisque uma fruta com canela

Que tal abocanhar uma fruta cozida com canela? A nutricionista Jacqueline Pina explica que a canela é uma especiaria termogênica, que leva ao aumento do metabolismo e "engana" o desejo por doces. A fruta parece ficar mais docinha, já que esse preparo deixa seu açúcar mais concentrado. 

Coma doce com fibras ou proteínas - Getty Images

Coma doce com fibras ou proteínas

Combinar um doce com fibras ou proteínas é uma opção a mais na hora em que a vontade de abusar do açúcar aparece. "A combinação de um doce com fibras seria a combinação de melhor escolha, já que a fibra atuaria como uma 'barreira' à entrada de glicose na corrente sanguínea", expõe a nutricionista Jacqueline Pina. As fibras e proteínas, lembra a endocrinologista Lilian Kanda Morimitsu, tornam a absorção do açúcar mais lenta, ajudando no controle da vontade.  

Deixe o doce como sobremesa - Getty Images

Deixe o doce como sobremesa

Sabe quais são as refeições com maior ingestão de fibras solúveis e insolúveis? O almoço e o jantar. Por isso, ingerir doces de sobremesa ajuda bastante o diabético a segurar a onda na hora de comer doces já que, como dito anteriormente, as fibras atuam como uma "barreira" à entrada de glicose na corrente sanguínea, além de tornarem sua absorção mais lenta.

Além disso, lembra Ellen Simone Paiva, essa atitude facilita a vida de quem usa medicamentos ou aplicações de insulina para o controle da doença. "Quando o doce faz parte da refeição, o modelo de tratamento, que já atende principalmente essas refeições, não muda muito. Quando se consome o doce no meio da tarde, por exemplo, o pico de glicemia que isso irá gerar no sangue, muitas vezes, não tem o respaldo da medicação e, quando o paciente usa insulina, será preciso dar uma picada a mais no meio da tarde para atender à nova demanda", explica. 

Aproveite os doces diet ou livres de açúcar - Getty Images

Aproveite os doces diet ou livres de açúcar

O mercado já conta com uma série de opções alimentares para pessoas com diabetes. Os chamados alimentos "diet" são isentos de açúcar, proteína e/ou gordura e, por isso, atendem bem os portadores dessa doença. "Até mesmo uma pequena barrinha de chocolate diet está liberada, dando preferência ao amargo, desde que não seja uma constante na alimentação diária", indica Jacqueline Pina.

No entanto, apelar sempre a esses doces pode ser prejudicial. Isso porque, alerta a endocrinologista Lilian Kanda Morimitsu, muitas vezes, eles são mais gordurosos e calóricos do que a versão original, o que acarretará em um maior ganho de peso.  

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