Mamografia regular pode reduzir risco de morte por câncer de mama

A ligação é ainda mais forte entre as mulheres abaixo dos 40 anos, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 10/09/2013

Fazer os exames de mamografia regularmente é uma das formas mais eficazes de detectar o câncer de mama precocemente - entretanto, a idade em que se começa essa bateria de exames pode variar, principalmente conforme o histórico familiar da mulher. Uma nova pesquisa, feita pela Harvard Medical School (EUA), revela uma taxa de mortalidade significativa entre mulheres com menos de 50 anos que se recusaram a fazer mamografias regulares, já que a recomendação geral é fazer o exame a partir dessa idade. O trabalho foi publicado online dia 09 de setembro na revista Cancer.

Para o estudo, Cady e seus colegas monitoraram casos de câncer de mama invasivos diagnosticados entre 1990 e 1999 até o ano de 2007. Os pesquisadores tiveram acesso ao uso da mamografia, cirurgia, relatórios de patologia e as datas de morte. Os autores avaliaram mais de 600 mortes por câncer de mama, olhando para os registros de mamografia e outros detalhes.

Os resultados mostram que 71% das mortes ocorreram entre as mulheres nunca tinham feito uma mamografia regular, ou faziam o exame em um intervalo maior do que dois anos. Além disso, metade de todas as mortes por câncer de mama ocorreu em mulheres com menos de 50 anos de idade , enquanto apenas 13% das mulheres que morreram de câncer de mama tinham 70 anos ou mais.

No geral, o estudo também mostrou um aumento na sobrevida do câncer de mama, coincidindo com o surgimento da mamografia. Metade das mulheres diagnosticadas com câncer de mama em 1969, morreu dentro de 13 anos após o diagnóstico, em comparação com cerca de 9% daquelas diagnosticados entre 1990 e 1999 que foram incluídos neste estudo. Embora alguns especialistas tenham creditado o declínio nas taxas de mortalidade de câncer de mama a melhores tratamentos, o estudo mostra que essa pode ser apenas parte da história, atribuindo às mamografias regulares parte do benefício.

Segundo os autores, as mamografias são ainda mais importantes em mulheres mais jovens com histórico familiar do que nas mulheres mais velhas. Isso porque os tumores crescem mais rápido quando se tem menos idade. Os cientistas completam dizendo que a mamografia não reduz o risco de câncer de mama, mas pode reduzir as chances de morte pela doença.

Como deixar a mamografia mais confortável?
O câncer mama é um dos mais incidentes nas mulheres do Brasil e do mundo, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) fez a estimativa de 52.680 casos novos de câncer da mama só no ano de 2012, com um risco de 52 novos casos a cada 100 mil mulheres por ano. A principal arma contra o câncer de mama é seu diagnóstico precoce - segundo dados do Inca, se a doença for detectada em estágio inicial, a chance de cura chega a 90% - e a mamografia é a forma mais eficaz de acompanhar esse risco. As recomendações do Ministério da Saúde para mamografia variam conforme a idade e histórico familiar da mulher: aos 35 anos, mulheres que possuem histórico familiar da doença devem fazer a mamografia anualmente a partir dessa idade; para mulheres que não possuem histórico familiar, a mamografia começa a fazer parte do check-up feminino a partir dos 40 anos; entre 50 e 59 anos, a mamografia pode ser feita com intervalo de até dois anos entre os exames. Quando a rotina de exames começa, é comum as mulheres se queixarem de desconforto e dores durante a mamografia, que muitas vezes pode ser contornado com algumas mudanças desde seu agendamento até a conversa com o radiologista que fará o procedimento. Confira aqui as recomendações dos especialistas:

Leve os exames anteriores

De acordo com os especialistas, é imprescindível levar os exames anteriores. "A evolução de eventuais alterações na mama pode ser uma informação fundamental para o diagnóstico, e isso só é possível com o acompanhamento de todos os exames", declara o mastologista Ricardo. Além disso, as mamografias antigas permitem ao médico fazer uma comparação, identificando se uma lesão é nova ou não, mudando a interpretação do exame.

Não deixe de consultar o seu médico. Encontre aqui médicos indicados por outras pessoas.