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Dia da Saúde discute efeitos da urbanização sobre a qualidade de vida

A meta é fazer com que as cidades ofereçam mais saúde para a população

Por Minha Vida - publicado em 07/04/2010


Criado pela OMS, em 1950, o Dia Mundial da Saúde, é comemorado todo dia 7 de abril, com ações que visam chamar a atenção da população mundial para a qualidade de vida.

O tema escolhido para 2010 é "1000 Cidades, 1000 Dias", que coloca em discussão os efeitos da. Discutir os efeitos da urbanização desenfreada para a saúde das população é o objetivo central do Dia Mundial da Saúde, comemorado nesta quarta-feira (7 de abril).

Neste ano, o slogan que marca a data é "1000 Cidades, 1000 Dias". Para aquecer o debate, serão realizados eventos em todo o mundo entre os dias 7 e 11 de abril, convidando autoridades e a população local de diversas cidades para buscar soluções para questões importantes como a violência e a poluição. Além disso, as cidades serão incentivadas pela OMS para alcançar as seguintes metas para 2010: 

  • 1000 cidades em ação: elas devem abrir espaço em locais públicos como parques e praças, para promover de atividades ao ar livre, campanhas de limpeza e redução do uso de veículos motorizados para diminuir a poluição.
  • 1000 vidas: reunir e expor para todo o mundo, 1000 histórias de cidades que melhoraram a qualidade de vida e a saúde de sua população através de medidas que reduzem os impactos da urbanização.
  • Efeitos da urbanização no Brasil
  • O último levantamento do IBGE, divulgado recentemente, revelou dados importantes sobre fecundidade, natalidade e mortalidade no Brasil no período de 1960 a 2006, e aborda, ainda, o acesso dos brasileiros a saúde e a qualidade de vida, em especial o acesso dos idosos aos planos de saúde e a oferta e utilização dos equipamentos de diagnóstico por imagem.

Uma das conclusões do estudo do IBGE foi que as desigualdades regionais das taxas de mortalidade apresentaram uma queda significante entre 1960 e 2006
Segundo os dados do estudo, o padrão demográfico brasileiro manteve-se, até meados do século 20, relativamente estável, com elevadas taxas brutas de natalidade (entre 45 e 50 nascimentos por mil habitantes) e taxas de fecundidade total entre 7 e 9 filhos, em média, por mulher, refletindo a concepção de família numerosa, típica de sociedades agrárias.

As grandes transformações começam a partir dos anos 40, com um consistente declínio dos níveis gerais de mortalidade, embora não coincidindo com declínio da natalidade, que só se intensificou nos anos 1980. O aumento da expectativa de vida reflete, entretanto, diferenças regionais marcantes.

Em 1940, o Nordeste já apresentava o menor valor, 36,7 anos, contra 49,2 anos no Sul; 47,9 anos no Centro-Oeste; e 43,5 anos no Sudeste. Até meados da década de 50, a esperança de vida aumentou cerca de dez anos para o país como um todo (de 41,5 anos para 51,6 anos), enquanto no Nordeste o incremento foi de apenas quatro anos, e, nas regiões do Centro-Sul, os ganhos chegaram a 14 anos (no Sudeste). 

Somente a partir de meados da década de 70, com a ampliação da rede assistencial, da infraestrutura de saneamento básico e da escolarização, tem início uma redução significativa nos padrões da desigualdade regional em relação à mortalidade, com o Nordeste apresentando os maiores aumentos da esperança de vida.

As diferenças entre o Nordeste e o Sul, de 19 anos nas décadas de 1960/70, se reduzem para 5 anos em 2006. A expectativa de vida do brasileiro, em média, é de 74,9 anos. O Nordeste é a região que apresenta a menor expectativa de vida do país, com média de 69 anos. Porém , a região é que apresenta maior crescimento nos índices de longevidade, apontando uma melhor qualidade de vida. 

Doenças crônicas atingem 75,5% dos idosos
Em menos de 40 anos, o Brasil passou de um perfil de mortalidade típico de uma população jovem para um desenho caracterizado por enfermidades complexas e mais onerosas, próprias das faixas etárias mais avançadas.

O fato marcante em relação às doenças crônicas é que elas crescem consideravelmente com o passar dos anos: entre a população com idade de 0 a 14 anos, foram reportados apenas 9,3% de doenças crônicas, mas entre os idosos este valor atinge 75,5% (69,3% entre os homens e 80,2% entre as mulheres).

Os 20% de idosos mais pobres apresentaram prevalência estatisticamente significativa menos elevada (69,9%) de doenças crônicas. Os demais declararam proporções semelhantes (aproximadamente 75%).

O Brasil envelhece rapidamente, mas os grandes centros urbanos, embora já apresentem um perfil demográfico semelhante ao dos países mais desenvolvidos, ainda precisam melhorar a infraestrutura de serviços para dar conta das demandas decorrentes das transformações demográficas vigentes.  

Apenas 30% dos idosos no Brasil têm plano de saúde
De acordo com o IBGE, a cobertura dos planos de saúde entre os idosos é de aproximadamente 5 milhões de pessoas de 60 anos ou mais de idade, representando 29,4% do total da população nessa faixa etária.

A clientela dos planos de saúde é predominantemente composta de pessoas de renda mais alta, ocorrendo o inverso entre os idosos que possuem apenas cobertura pelos SUS.

Entre os idosos usuários do SUS, apenas 5,8% apresentavam um rendimento domiciliar de mais de três salários mínimos per capita, enquanto que, entre os idosos que possuíam planos privados, esta proporção alcançava 42,8%. 

Mais mães realizam o pré-natal
Em relação à assistência pré-natal, no período de 2000-2006, houve aumento da proporção de nascidos vivos cujas mães realizaram sete ou mais consultas, passando de 43,7% para 54,5%, enquanto a proporção de mães que não realizaram nenhuma consulta caiu de 4,7% para 2,1%.

Do ponto de vista estadual, enquanto em São Paulo e no Paraná, o percentual de nascidos vivos cujas mães realizaram sete consultas ou mais foi superior a 70%, no Amapá essa proporção foi de apenas 23,6%. Os maiores percentuais de nascidos cujas mães não foram a nenhuma consulta pré-natal foram observados nos estados do Acre (11,1%) e Amapá (9,6%).  

Mortalidade infantil mantém trajetória de queda
Ocorreram profundas transformações nos padrões da mortalidade da população brasileira a partir de meados da década de 1990. Ela mantém tendência de queda no país, particularmente a infantil e a de menores de cinco anos.

As causas relacionadas a enfermidades infecciosas e parasitárias perderam importância relativa nesta faixa etária. Agora são predominantes as afecções perinatais, provável reflexo da não-extensão de serviços de saúde de qualidade a toda a população.

O atendimento pré-natal, por exemplo, ainda é insuficiente nas regiões Norte e Nordeste. Tais regiões ainda apresentam falhas na cobertura dos óbitos, em particular os infantis - no Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba, Maranhão e Ceará as subnotificações são superiores a 40%.

Mesmo para o total dos óbitos, a subnotificação também é extremamente elevada (acima de 26%) nesses locais. A média nacional é 12%; e a dos estados do Centro Sul do país está abaixo de 10%. 

Oferta de equipamentos do SUS e de planos de saúde é desigual
A oferta potencial desses equipamentos de imagem varia conforme se consideram as possibilidades de acesso universal (SUS) ou privado.

Na taxa total de equipamentos, somente não se alcançava, em 2005, o parâmetro da Portaria do Ministério da Saúde (Pt 1101/02) no caso do raio-X para densitometria óssea.

Nos demais havia uma pequena sobra, com exceção dos mamógrafos, que eram quatro vezes mais numerosos que o parâmetro estipulado.

Mas, na oferta disponível ao SUS, somente não haveria carência de equipamentos de mamografia; enquanto na oferta a pacientes com planos de saúde, há abundância em todos os equipamentos. 



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