Ter uma jornada de trabalho de dez horas ou mais por dia eleva em 60% o risco de desenvolver problemas cardíacos, de acordo com estudo publicado pelo European Heart Journal. Foram analisados mais de seis mil trabalhadores londrinos com idades entre 39 e 61 anos (4.262 homens e 1.752 mulheres) e sem doenças cardíacas. Durante 11 anos eles foram acompanhados. Durante esse período, 369 dos voluntários morreram de problemas cardíacos ou tiveram um acidente cardíaco não fatal ou dores no peito.
Quem trabalha mais do que a jornada padrão, de 8 horas, na maioria das legislações trabalhistas geralmente são homens, mais jovens e que ocupam postos de maior responsabilidade. A relação entre as horas adicionais de trabalho e as enfermidades cardiovasculares parece clara, mas a causa nem tanto, segundo os autores. Há a suspeita de que o trabalho adicional afetaria o metabolismo ou dificultaria o diagnóstico de problemas emocionais, como ansiedade, depressão ou de falta de sono.
Outra possibilidade é que o estresse crônico afete negativamente o organismo. O fato de alguns empregados irem trabalhar inclusive doentes, ignorando os sintomas e sem consultar um médico, pode estar entre as causas dos problemas cardíacos.
Qualidade de vida
Outro estudo recente, do Programa de Sono, Saúde e Sociedade da Universidade de Warwick e do Centro de Pesquisa do Sono de Loughborough, na Inglaterra, com 1,5 milhão de pessoas descobriu que dormir menos de seis horas ao dia pode ter graves consequências para a saúde. Quem dorme pouco corre um risco 12% maior de morrer em um prazo de 25 anos do que os que descansam entre seis e oito horas à noite. Outro estudo, norte-americano, concluiu que pessoas que dormem menos de sete horas por dia apresentam três vezes mais chances de ter um resfriado quando expostas ao vírus causador da doença do que aquelas que dormem mais de oito horas.