A Unifesp está recrutando voluntários para um estudo que pretende desenvolver uma nova vacina para maior proteção contra a gripe H1N1 e outros vírus que podem circular no período de inverno. Pessoas com idade entre 18 e 70 anos, com histórico de doenças cardíacas ou hipertensão arterial e que ainda não tenham tomado a vacina contra H1N1 ou que tenham tomado a vacina há mais de 90 dias, podem se cadastrar como voluntários para um estudo que será realizado pelo Núcleo de Pesquisas em Geriatria Clínica e Prevenção (Nupeq).
Os voluntários passarão por uma consulta e poderão receber a vacina gratuitamente, tendo a oportunidade de serem acompanhados, sem nenhum custo, por uma equipe médica altamente especializada. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 5579-0400, das 8h30 às 17h00, de segunda a sexta-feira, ou pelo e-mail regulatorio.nupeq@gmail.com. As inscrições podem ser feitas até o final de julho.
O alerta continua
O surto de gripe H1N1 não soa mais tão alarmante quanto no ano passado, quando se espalhou mundialmente - foram quase 19.000 mortes em todo o mundo, 1.700 só no Brasil -, mas o vírus continua a se espalhar, tanto que recentemente o Comitê de Emergência da Organização Mundial da Saúde reiterou o nível máximo de alerta pandêmico para a gripe A (H1N1). Avaliando os dados de óbitos e os casos que surgiram e surgem ainda da doença, a OMS afirmou que ainda estamos na fase 6, de uma escala para epidemias que vai até 6.
No Brasil, apesar da recente campanha nacional de vacinação, a disseminação da doença continua. O surto é mais alto no Paraná. De acordo com o último boletim da Secretaria da Saúde, ano já foram registrados 1.655 casos da doença e pelo menos 15 mortes. A cidade de Maringá é a cidade brasileira que lidera o ranking em casos da doença, foram 620 registrados nesse ano.
Vacina em clínica particular
Em virtude da gravidade do problema, o governo brasileiro realizou em uma campanha nacional de vacinação contra a gripe A (H1N1), que foi de março a maio desse ano. Foram mais de 1 milhão de pessoas vacinadas em todo o país. O Ministério da Saúde afirmou que quem perdeu os prazos, deve checar a disponibilidade das vacinas com as Secretarias Municipais de Saúde. A Secretaria de São Paulo informou que não há mais vacinas disponíveis em estoque para a rede pública. Para moradores da região, só é possível encontrar o serviço em clínicas privadas.
Essa vacina disponível em clínicas particulares é ambivalente, ou seja, além de proteger contra a Influenza A, também protege contra a gripe comum. A lista de consultórios particulares cadastrados pode ser encontrada no site do laboratório Sanofi Pasteur e o preço da dose custa entre R$110 a R$150.
Prevenção da gripe H1N1
O vírus H1N1 se espalha mais rapidamente no inverno, em virtude das aglomerações de pessoas em ambientes fechados e por causa do ambiente frio e seco. Por isso é preciso um cuidado redobrado nessa época do ano. Evitar aglomerações e higienizar corretamente as mãos são maneiras de amenizar a disseminação do vírus.
1) O Influenza A
Também conhecido como A (H1N1), é um subtipo do Influenza A e a causa mais comum da gripe em humanos. Altamente mutável e de fácil transmissão, esse subtipo provocou as mais graves epidemias de gripe da história, como a gripe asiática, a espanhola e a gripe russa, todas já extintas.
2) Transmissão
O vírus pode ser transmitido através de:
- Partículas suspensas no ar
- Locais contaminados por partículas liberadas por alguém que já tenha desenvolvido a doença, como maçanetas e corrimãos
-Pelo contato próximo
- Pela saliva
2) Sintomas
O vírus pode ficar no organismo de 24 à 48 horas, até que apareçam os primeiros sintomas. Por ser provocada por uma variante do vírus que causa a gripe comum, seus sintomas não são muito diferentes dos manifestados por pacientes com gripe comum, porém, a intensidade e a velocidade com que se manifestam são assustadoras e por isso a doença tem feito tantas vítimas e deixado todo o mundo em alerta.
Os sintomas mais comuns são: febre, dor de cabeça, calafrio, cansaço, dor de garganta, tosse, muco, dores musculares, ardor no olho, vômitos ou diarreia, embora não muito frequentes, têm sido verificados em alguns pacientes.
De acordo com o infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital São Camilo, havendo suspeita de gripe, ele recomenda uma consulta imediata no pronto-socorro, onde o plantonista irá avaliar se os sintomas apresentados coincidem com os provocados pelo vírus H1N1. "Os antivirais não devem ser tomados sem prescrição médica. Esses remédios podem levar a alterações das funções renais ou hepáticas, por exemplo", explica o especialista.
3) Prevenção
- Cubra a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar e jogue o lenço no lixo após o uso.
- Lavar bem as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
- Você também pode usar produtos à base de álcool gel para limpar as mãos. - Evite tocar os olhos, boca e nariz, porque os germes se espalham desse modo.
- Não compartilhe objetos de uso pessoal, como copos, pratos e talheres.
- Evite contato próximo com pessoas doentes e com aquelas que vieram de regiões onde a disseminação da doença é maior.
- Alimente-se bem, pois isso evita que seu sistema imunológico fique suscetível ao vírus.
- Evite lugares fechados e grandes multidões
4) Tratamento
Como ainda se trata de um novo vírus, a solução mais eficaz em seu combate ainda é a prevenção, contudo, medidas básicas têm sido tomadas pelos médicos para evitar que a doença se propague ainda mais:
-Tomar medicamento mediante recomendação médica
- Evitar esforço físico
- Alimentar-se bem
- Evitar lugares cheios e abafados em função de possíveis complicações respiratórias, principal causa de mortes pela nova gripe.
5) Grupos de risco
Um estudo divulgado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças foi precursor ao revelar que diabéticos e obesos têm maiores chances de serem infectados, enquanto crianças e idosos não estão no grupo de maior risco. A teoria dos pesquisadores do estudo com relação a essa baixa taxa de morte nos idosos é que, possivelmente, eles teriam sido expostos a um vírus semelhante ao H1N1 e, por conta disso, estariam mais protegidos.
No entanto, o Ministério da Saúde afirma que o grupo de risco abrange pessoas acima de 60 anos, crianças menores de dois anos, gestantes, pessoas com diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal crônica, deficiência imunológica (como pacientes com câncer ou em tratamento para AIDS), e também pessoas com doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como anemia.