A psicologia possui entre suas "ferramentas de trabalho" uma infinidade de testes que tem por objetivo avaliar e investigar uma série de características dos seres humanos.
Muitas pessoas, provavelmente, já ouviram falar sobre testes psicológicos, seja na mídia, nas entrevistas de emprego, na escola, etc.
Afinal, em que consistem os testes psicológicos? Eles realmente são capazes de avaliar - ou até mesmo descobrir - aspectos "escondidos" do ser humano?
Para começarmos esta reflexão, precisamos levar alguns dados em consideração. Primeiramente, é preciso dizer que nem todos os profissionais da psicologia compartilham a mesma visão acerca dos testes psicológicos, sendo possível encontrar discursos a favor e contra este tipo de ferramenta, dependendo da linha teórica e das experiências práticas de cada um.
Esta aparente falta de acordo não deve ser encarada como simples confusão, mas sim divergências de pensamento que são inerentes à psicologia, e que - se bem aproveitadas - contribuem para o desenvolvimento e aprimoramento de suas práticas.
"Nestes testes de habilidade, existem respostas certas e respostas erradas, e os acertos e erros são computados".
Outro ponto que precisa ser levado em consideração é que existem diferentes tipos de teste, que avaliam aspectos distintos do funcionamento dos seres humanos.
Sendo assim, não é todo teste que investiga, por exemplo, aspectos relacionados à inteligência ou à personalidade. Existem testes específicos para explorar partes específicas da vida mental do indivíduo.
E, finalmente, é preciso ter em mente que existe todo um contexto para a aplicação do teste e para interpretar os dados que este nos fornece.
Portanto, o profissional precisa dominar as técnicas e a teoria que fundamenta o teste, para que este possa ser aplicado e corrigido da maneira correta.
Testes de inteligência e de habilidade
Tendo feito este breve esclarecimento, nossa investigação acerca dos testes psicológicos pode ter início. O princípio da história dos testes psicológicos tem a ver com a própria história da psicologia, visto que eles surgiram para instrumentalizar o profissional na investigação de aspectos do funcionamento da mente humana.
Assim como o médico dispõe de exames que o auxiliam a detectar e compreender doenças, o psicólogo buscava desenvolver instrumentos que funcionassem à maneira dos exames médicos.
Num primeiro momento, este tipo de avaliação se dedicava a investigar aspectos mais objetivos da personalidade, tais como habilidades e capacidades envolvidas na resolução de problemas.
Neste contexto, surgiram os testes de inteligência e de habilidade, que podiam - através de acertos e erros produzidos pelos sujeitos - avaliar o grau de aptidão do sujeito quando comparado com a população em geral.
As respostas dadas eram tabuladas e comparadas com a média do desempenho de um número significativo de pessoas. Tal procedimento envolve um trabalho estatístico muito elaborado a fim de determinar com precisão a "colocação" que o sujeito foi capaz de obter no teste; se o desempenho foi normal, além ou aquém do desempenho esperado pela maioria da população.
Nestes testes de habilidade, existem respostas certas e respostas erradas, e os acertos e erros são computados visando classificar o sujeito. Mas estes não são os únicos testes que a psicologia utiliza.
"Nenhum teste é capaz de descobrir e compreender a totalidade dos indivíduos".
Testes projetivos
Existe outra categoria de testes, onde o objetivo é acessar e compreender aspectos que não são tão objetivos e de fácil aferição.
São os chamados testes projetivos. Nesta categoria, o intuito é verificar aspectos mais afetivos e subjetivos do funcionamento dos sujeitos, elementos da personalidade que influenciam a maneira como as pessoas percebem as situações e se relacionam com ela.
Desta forma, busca-se investigar - por exemplo - se a pessoa tem uma tendência maior a reagir de maneira afetiva ou racional frente a uma determinada situação, ou então avaliar o grau de dificuldade ou facilidade apresentado pelo sujeito em executar tarefas que exijam maior grau de autonomia e independência.
Nesta vertente, utiliza-se o referencial psicanalítico para acessar e averiguar os aspectos inconscientes envolvidos em diversos processos.
As respostas dos sujeitos não são analisadas de maneira quantitativa (número de acertos, tempo para executar uma tarefa, etc.), mas sim de maneira qualitativa (qual o significado simbólico ou latente da resposta que ele deu).
Sendo assim, enquanto os testes de habilidades apresentam um tipo de resposta correta, os testes projetivos permitem ao sujeito uma infinidade de respostas, e estas respostas serão interpretadas de acordo com a teoria que embasa e fundamenta o teste.
Estes são basicamente os dois tipos de testagem mais utilizadas em psicologia, e podem servir para diversos objetivos, que vão desde quantificar determinada habilidade até identificar interesses e maneiras de agir das pessoas.
É importante, contudo, levar em conta que nenhum teste é capaz de descobrir e compreender a totalidade dos indivíduos. A ideia de que a utilização de um teste qualquer será suficiente para descobrir tudo sobre o sujeito é equivocada, assim como é o pensamento de que ler o manual do teste capacita alguém a administrá-lo.
Os testes só podem ser adquiridos mediante a apresentação da carteira do Conselho Regional de Psicologia, e aprender a manejar adequadamente estes instrumentos e técnicas é algo que demanda - além de uma série de conhecimentos prévios - muito tempo e dedicação por parte do profissional.
Além disso, a utilização dos testes obedece a critérios e, dificilmente, um único teste é aplicado. Isso acontece, pois os dados obtidos em uma testagem devem ser combinados com outras situações e com a aplicação de testes diferentes, para que assim a avaliação ocorra de maneira correta e coerente.
Cabe ressaltar que esta matéria tem por objetivo iniciar uma reflexão acerca dos testes psicológicos, e não esgotar o assunto. Existem outros tipos de teste que não foram citados, e as explicações apresentadas visam introduzir o leitor ao assunto.
Para mais informações, existe uma bibliografia muito vasta e séria a este respeito, que pode ser encontrada no site da Casa do Psicólogo (www.casadopsicologo.com.br) ou no site do Conselho Regional de Psicologia (www.crpsp.org.br).